quarta-feira, 6 de maio de 2026
Saúde

Febre dos produtos “fit” acende alerta e reforça defesa por alimentos naturais

Especialistas fazem um alerta diante do crescimento da busca por alimentação saudável no país

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em 6 de maio de 2026
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Febre dos produtos “fit” acende alerta e reforça defesa por alimentos naturais. | Foto: Freepik

A presença de alimentos com apelo saudável, como produtos proteicos, sem adição de açúcar e enriquecidos com vitaminas e ingredientes funcionais, deixou de ser restrita a nichos específicos e passou a ocupar espaço em praticamente todos os setores dos supermercados. A expansão também se reflete no aumento de lojas especializadas e na diversificação de pontos de venda.

O fenômeno acompanha uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, cada vez mais atento à saúde, à alimentação equilibrada e ao desempenho físico. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres revelam que, entre os consumidores desse tipo de produto, 76% praticam atividades físicas, 75% realizam acompanhamento médico regular e 31% seguem dietas com orientação profissional.

A entidade divulgou ainda que, em 2025, o consumo aparente do setor, indicador que considera a produção nacional somada às importações, apresentou crescimento de 4,2%. Para representantes da indústria, o avanço indica uma expansão consistente, marcada por um padrão de consumo considerado moderado.

Especialistas apontam que a popularização de medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade, também influencia esse cenário. Segundo a nutróloga Samanta Castro, usuários dessas terapias tendem a priorizar alimentos com menor teor de açúcar, maior concentração de proteínas e melhor equilíbrio nutricional, hábito que pode se manter mesmo após o término do uso.

Apesar do crescimento do segmento, profissionais de saúde alertam para a necessidade de atenção às informações nutricionais. De acordo com a nutróloga, expressões como “fitness”, “zero” ou “natural” não garantem, por si só, que o produto seja saudável. Muitos desses itens podem ser ultraprocessados e conter aditivos, corantes ou altos níveis de gordura. A orientação é que o consumidor leia os rótulos e avalie a composição dos alimentos antes da compra.

Especialistas fazem um alerta diante do crescimento da busca por alimentação saudável no país. Embora o interesse por uma dieta mais equilibrada seja considerado positivo, profissionais da área reforçam a importância de priorizar alimentos in natura e evitar o consumo excessivo de ultraprocessados.

A recomendação, segundo Samanta, é adotar práticas simples no dia a dia, como consumir mais alimentos frescos, especialmente aqueles que precisam ser descascados, e reduzir produtos industrializados. Para quem busca energia antes de atividades físicas, por exemplo, frutas continuam sendo uma das opções mais indicadas. Mesmo itens com algum nível de processamento, como iogurtes, ainda são considerados escolhas mais adequadas do que produtos ultraprocessados, como barras industrializadas com composição pouco transparente.

O avanço desse comportamento de consumo tem impacto direto na indústria alimentícia. Com o aumento da demanda, empresas ampliaram a oferta de produtos com apelo saudável, investindo tanto em novos lançamentos quanto na reformulação de itens tradicionais. Entre as principais mudanças estão bebidas com baixo ou nenhum teor de açúcar, além da adição de proteínas em produtos como iogurtes, biscoitos e snacks. O segmento de doces também passou a incorporar suplementos alimentares em suas formulações.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres indicam que o setor segue em expansão. Entre janeiro e setembro de 2025, houve crescimento de 4,1% no número de empregos em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No mercado externo, as importações somaram 854 milhões de dólares no período, com destaque para produtos voltados ao controle de açúcar e à suplementação de vitaminas, que apresentaram aumento superior a 30%. O cenário reforça o aquecimento do setor, impulsionado por mudanças no perfil do consumidor.

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