terça-feira, 1 de setembro de 2026
Educação Municipal

Mesmo com liminar do TJ-GO, servidores da Educação mantêm greve em Goiânia

Tribunal de Justiça determinou funcionamento mínimo de 70% das unidades, mas sindicato confirmou início da paralisação nesta terça-feira (12)

Renata Ferrazpor em
Educação
Clara Cardoso_O HOJE

A greve dos trabalhadores da rede municipal de Educação de Goiânia começa oficialmente nesta terça-feira, 12 de maio, mesmo após decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) que determinou regras para garantir o funcionamento parcial das escolas durante a paralisação. 

O movimento, aprovado em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), reúne professores e servidores administrativos e marca o momento mais tenso da relação entre a categoria e a Prefeitura de Goiânia desde o início da gestão do prefeito Sandro Mabel, em janeiro de 2025.

Mesmo após a liminar expedida pelo desembargador Maurício Porfírio Rosa, o sindicato confirmou a manutenção da greve e afirmou que o movimento seguirá dentro da legalidade. A Justiça não proibiu a paralisação, mas determinou que pelo menos 70% dos servidores da rede municipal permaneçam em atividade, principalmente nas unidades de educação infantil e nos serviços ligados à alimentação escolar.

A decisão judicial também impede bloqueios que dificultem o acesso às escolas e prevê multa diária de R$ 5 mil ao sindicato em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 50 mil. Além disso, o Sintego deverá apresentar um plano mínimo de funcionamento das unidades escolares durante a paralisação.

Justiça tenta equilibrar greve e aulas

A Prefeitura de Goiânia entrou na Justiça pedindo a suspensão total da greve, alegando risco de prejuízo aos estudantes e ausência de garantias mínimas para funcionamento das escolas. O município argumentou ainda que as negociações entre as partes ainda não haviam sido encerradas.

Na decisão, porém, o TJ-GO reconheceu que o direito de greve é garantido pela Constituição Federal e entendeu que impedir totalmente o movimento seria uma medida extrema. Apesar disso, o desembargador ressaltou que o exercício desse direito “não é absoluto” quando há impacto direto sobre serviços públicos essenciais.

A liminar aponta preocupação principalmente com o funcionamento da educação infantil, a alimentação escolar e o atendimento às crianças da rede municipal. Segundo a decisão, o objetivo é “compatibilizar o exercício do direito de greve com a preservação mínima do serviço público educacional”.

Outro ponto destacado pela Justiça foi a ausência de informações detalhadas por parte do sindicato sobre quantos servidores permaneceram trabalhando, quais unidades seguiriam abertas e como seriam mantidos serviços considerados essenciais.

Mesmo assim, a paralisação foi mantida. O Sintego afirma que todas as greves anteriores respeitaram os limites legais e garantiram o funcionamento mínimo das escolas.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) afirma que mantém diálogo aberto com os trabalhadores e destaca medidas adotadas ao longo da gestão, como pagamento do piso salarial nacional dos professores e da data-base em 2025.

Em meio ao avanço da greve, a Prefeitura de Goiânia afirma que mantém diálogo aberto com os trabalhadores da Educação e destaca medidas adotadas pela atual gestão. Ainda nesta  segunda-feira (11), o prefeito em exercício, Anselmo Pereira, encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que prevê reajuste de 5,4% nos salários e benefícios dos servidores da rede municipal de Educação, com efeitos retroativos a 1º de maio de 2026. 

Segundo a administração municipal, a atualização acompanha a evolução do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério. O reajuste também contempla benefícios como Gratificação de Regência de Classe, Auxílio Locomoção e gratificações ligadas a atividades de pesquisa e capacitação

A administração municipal também informou que pretende adotar medidas administrativas e jurídicas para reduzir os impactos da paralisação e garantir o funcionamento das escolas durante os próximos dias.

Leia mais: Hugol registra mais de 2 mil atendimentos por queimaduras em 2026

Crise entre Paço e servidores se arrasta desde o início da gestão

A atual greve é resultado de uma sequência de mobilizações iniciadas ainda nos primeiros meses da gestão Sandro Mabel. Desde janeiro de 2025, servidores da Educação municipal realizam protestos, assembleias e paralisações cobrando valorização profissional, pagamento de progressões atrasadas e melhorias nas condições de trabalho.

Ainda nos primeiros 100 dias do governo, trabalhadores protestaram contra as medidas de austeridade anunciadas pela prefeitura, principalmente após a suspensão de adicionais e gratificações. Em dezembro de 2025, novos atos ocorreram após denúncias envolvendo fechamento de vagas em Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) e críticas à compra de vagas na rede privada.

Agora, em maio de 2026, a aprovação da greve geral representa o auge do desgaste entre categoria e administração municipal. A paralisação deve impactar mais de 370 unidades da rede municipal, entre escolas e Cmeis.

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão o pagamento de progressões funcionais atrasadas, reajuste do piso salarial dos professores, aplicação da data-base dos administrativos, reformulação do plano de carreira, convocação de aprovados em concursos públicos e regularização de enquadramentos funcionais. O sindicato também cobra melhorias estruturais nas escolas e denuncia déficit de servidores em diversas unidades da rede municipal.

Salários baixos e acordos não cumpridos

Servidores administrativos afirmaram que enfrentam dificuldades financeiras e denunciaram a prefeitura por descumprir acordos firmados em greves anteriores. A servidora Vanessa afirmou que os trabalhadores administrativos lutam desde 2022 pela criação de um plano de carreira e pela valorização salarial.

“Nem o salário aprovado em lei está sendo pago corretamente. Fizemos greve em 2022, 2023 e 2024, mas os acordos não foram cumpridos. Hoje muitos servidores recebem menos que um salário mínimo e precisam de complementação”, declarou.

Já a servidora Jaqueline destacou que os administrativos se sentem invisibilizados dentro da rede municipal. “Somos nós que fazemos a limpeza, a merenda, a secretaria e a portaria das escolas. Estamos cansados de promessas e sem reconhecimento como educadores”, afirmou.

A presidente em exercício do Sintego, Ludmylla Morais, reforçou que a greve foi aprovada após meses de negociações sem avanços concretos. Segundo ela, a categoria chegou ao limite após sucessivos atrasos em progressões e reivindicações históricas sem solução.

A expectativa é de que a greve afete diretamente milhares de famílias, principalmente aquelas que dependem dos Cmeis para manter a rotina de trabalho.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

TRT Goiás abre vagas de estágio com salário de até R$ 2,1 mil

Concurso Público

TRT Goiás abre vagas de estágio com salário de até R$ 2,1 mil

Oportunidades são para estudantes de pós-graduação em Direito, com atuação em Goiânia e jorna...
Entregadores por aplicativo

BREQUE GERAL

Entregadores por aplicativo fazem paralisação nacional nesta terça-feira (1º)

"Breque Geral dos Apps" exige o pagamento de um valor mínimo fixo por corrida
Aparecida de Goiânia

levantamento

Aparecida de Goiânia ultrapassa 560 mil habitantes e se mantém como 2ª maior cidade de Goiás

Município ganhou quase 5 mil moradores em um ano, cresceu acima da média nacional e segue entre as...
Goiânia

FUTURO DA CAPITAL

Crescimento de Goiânia cria desafios para a infraestrutura urbana

Capital chega a 1,51 milhão de habitantes, enquanto avanço da Região Metropolitana reforça desaf...
Homem que jogou ex de penhasco em BH vira réu por tentativa de feminicídio

24 HORAS EM MATA

Homem que jogou ex de penhasco em BH vira réu por tentativa de feminicídio

Processo tramita em segredo de Justiça; homem também foi indiciado por sequestro, ameaça, roubo, ...
Irmãos são presos em Morrinhos por sonegação de R$ 45 milhões e máfia de remédios contra o câncer

ESQUEMA MILIONÁRIO

Irmãos são presos em Morrinhos por sonegação de R$ 45 milhões e máfia de remédios contra o câncer

Ação conjunta do Cira-GO cumpriu mandados em Goiânia e Morrinhos. Um dos empresários presos era ...
Aterro Sanitário

MEIO AMBIENTE

TJGO mantém licenças do Aterro Sanitário de Goiânia

Decisão suspende, por enquanto, anulação das licenças emitidas pela Amma e transferência do lic...
Servidor

TAGUATINGA

Servidor de Goiás é preso após atirar contra vizinho no DF

Suspeito teria atirado contra um vizinho após uma reclamação sobre som alto