terça-feira, 12 de maio de 2026
Manda Vê

Nutricionista revela como comer bem transforma saúde e desempenho

Laís Bittencourt esteve no podcast Manda Vê e falou sobre nutrição esportiva, longevidade, emagrecimento e o uso das canetas Mounjaro e Ozempic

Luana Avelarpor Luana Avelar em 12 de maio de 2026
saúde

A nutricionista Laís Teixeira Bittencourt Cintra chegou à profissão pelo caminho mais direto possível: o próprio corpo. Na adolescência, ela enfrentou sobrepeso e conseguiu eliminar 14 quilos com acompanhamento especializado. O que poderia ter ficado como episódio de vida virou vocação. “Fiquei encantada com o que a nutrição podia fazer na vida de alguém. Foi uma área que decidi seguir diante do que eu vivi mesmo, poder ajudar outras pessoas através da minha experiência”, disse ela na última segunda-feira (11), ao participar do podcast Manda Vê, apresentado por Juan Allaesse e Isadora Carvalho.

Com 15 anos de consultório, a nutricionista graduada pela Universidade Federal de Goiás acumula especializações em nutrição esportiva funcional e estética. Sua atuação abrange emagrecimento, recomposição corporal, performance de atletas, modulação intestinal, acompanhamento gestacional e doenças metabólicas.

Duas especializações, uma base clínica

As pós-graduações não foram escolhas aleatórias. A nutrição estética surgiu da vontade de atuar no pré e pós-operatório de cirurgias plásticas e potencializar resultados de procedimentos estéticos. “A nutrição ajuda no processo de cicatrização e recuperação”, explicou. Já a nutrição esportiva veio da prática clínica, quando ela percebeu que a formação universitária nessa área era muito superficial. A solução foi uma pós-graduação em Brasília. “Foi um divisor de águas diante do conhecimento que adquiri. Agregou muito aos meus atendimentos”, afirmou.

Quatro horas de treino por dia e nenhum suporte nutricional

Entre os casos que chegam ao consultório estão crianças em categorias de base do futebol com até quatro horas de treino por dia. Sem planejamento nutricional, o volume de atividade física pode comprometer o desenvolvimento. “Se não for planejado, pode afetar até o crescimento”, alertou.

“Quando vai buscar ajuda, já é algo irreversível”

Questionada sobre por que tanta gente tem dificuldade em dar o primeiro passo em direção à saúde, Laís foi direta: a zona de conforto é o principal entrave. A maioria não busca ajuda de forma preventiva e espera o surgimento de uma complicação.

“Nossas doenças metabólicas são silenciosas. A pessoa pode estar com o fígado comprometido, uma cirrose em curso, e não monitora. Quando vai buscar ajuda, já é algo irreversível”, disse. A faixa dos 50 anos ainda concentra grande parte desse perfil. “Vieram a vida toda em um estilo de vida, estão sem fazer exercício, bebendo todos os dias.” A boa notícia é que esse cenário está mudando, com gerações mais jovens voltando à prática esportiva e reduzindo o consumo de álcool.

Resultado sem acompanhamento pode sair caro

O episódio também abriu espaço para o debate sobre os medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos como canetas emagrecedoras — entre eles o Mounjaro e o Ozempic. Laís explicou a origem: os fármacos foram desenvolvidos para o tratamento do diabetes e, durante os estudos, os pacientes apresentaram perda de peso como efeito secundário. “As pessoas estavam tendo um resultado bacana e viram que emagreciam também”, resumiu.

A especialista deixou claro que a prescrição não é atribuição do nutricionista, mas de médicos habilitados, como endocrinologistas, nutrólogos, cardiologistas e hepatologistas. Com indicação médica adequada, dieta equilibrada, suplementação criteriosa e prática de exercícios, o tratamento pode contribuir para a perda de peso com mais segurança.

O acompanhamento nutricional ajuda a preservar a massa muscular, organizar a ingestão de proteínas, corrigir deficiências e reduzir riscos associados à perda de peso acelerada. Laís citou o caso de uma paciente que perdeu 20 quilos, sendo 18 de gordura e apenas 2 de massa muscular. Em contraste, relatou já ter atendido pessoas que usaram a medicação por conta própria e, ao perderem 10 quilos, dividiram a perda igualmente entre gordura e músculo.

Como a medicação aumenta a saciedade, muitos pacientes têm dificuldade para atingir a quantidade necessária de proteínas apenas pela alimentação. Por isso, a suplementação precisa ser individualizada e pode envolver proteínas, aminoácidos, vitaminas, minerais, creatina, fitoterápicos e fórmulas manipuladas. O objetivo é manter a imunidade, preservar a musculatura e tornar a perda de peso mais sustentável.

O Manda Vê é apresentado por Juan Allaesse e Isadora Carvalho. O episódio completo com Laís Bittencourt está disponível no canal do YouTube do podcast.

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