Livro “Pensamento insubordinado” reúne obras e trajetória de Siron Franco
Segundo Ángel Calvo Ulloa, a proposta do livro é apresentar um panorama amplo da produção de Siron Franco
Um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, Siron Franco tem sua trajetória revisitada na monografia “Pensamento insubordinado”, publicação que reúne seis décadas de produção artística e reflexões sobre temas sociais, políticos e humanos presentes em sua obra. O livro foi lançado gratuitamente em Goiânia nesta terça-feira (12) e em São Paulo na quinta-feira (14).
Organizada pelo pesquisador espanhol Ángel Calvo Ulloa, a obra é resultado de uma parceria entre o Instituto TeArt e o Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás. Com mais de 300 páginas, o volume reúne ensaios críticos, documentos históricos, fotografias, registros de exposições e reproduções de obras que ajudam a traçar a evolução artística de Siron desde os anos 1970 até os dias atuais.
A publicação conta com ensaio biográfico assinado por Charles Cosac e textos críticos de Andrea Giunta, Paulo Herkenhoff, Lucia Bertazzo e do próprio Ulloa. A coordenação editorial ficou a cargo das jornalistas e editoras Paula Alzugaray e Juliana Monachesi, responsáveis por articular os textos e o vasto material de arquivo do artista.
Segundo Ángel Calvo Ulloa, a proposta do livro é apresentar um panorama amplo da produção de Siron Franco, destacando não apenas sua relevância estética, mas também sua postura crítica diante de acontecimentos históricos e sociais. Entre os destaques da publicação está uma seleção inédita da série “Césio”, criada após o acidente radiológico com o césio-137 em Goiânia, em 1987. O conjunto já foi definido pela crítica Bélgica Rodríguez como a “Guernica brasileira”, em referência à célebre obra de Pablo Picasso.

A monografia também aborda a produção mais recente do artista, marcada pelos impactos dos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Siron transformou o episódio em uma nova série de pinturas, mantendo o caráter político e social que atravessa grande parte de sua trajetória artística.
Para o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás, Marcelo Baiocchi Carneiro, a publicação reforça a importância da arte como instrumento de reflexão social e preservação da memória cultural brasileira. Já o diretor regional do Sesc e Senac Goiás, Leopoldo Veiga Jardim, destacou a capacidade de Siron Franco de provocar debates sobre desigualdade, violência, ditadura militar e tragédias históricas por meio da pintura.
O lançamento em Goiânia aconteceu na Vila Cultural Cora Coralina, acompanhado de um debate entre Siron Franco, Ángel Calvo Ulloa e Juliana Monachesi, com mediação de Rita Wirtti, diretora do Instituto TeArt. O espaço também recebe a exposição “Expressões”, que reúne cem obras produzidas pelo artista entre as décadas de 1970 e 1980 e permanece em cartaz até 6 de julho.