Valdemar defende presença de Ciro Nogueira em palanque de Flávio Bolsonaro
Presidente nacional do PL afirmou que é preciso “dar o direito de defesa” ao senador
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, saiu em defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e apoiou que o parlamentar continue no palanque do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Hoje ainda queremos [Ciro no palanque de Flávio]. Até que se prove alguma coisa contra ele. Se provarem alguma coisa contra ele, a conversa muda. Temos que dar o direito de defesa a ele”, disse Valdemar em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (12).
A fala de Valdemar aconteceu para colocar panos quentes na relação do parlamentar com o PL. Na última sexta-feira (8), durante agenda em Florianópolis, Flávio afirmou a jornalistas que “vocês querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula”.
O destempero acontece em razão do afastamento que Flávio tem buscado do senador, consequência das investigações sobre a relação de Ciro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do senador no Distrito Federal e no Piauí, após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
As autoridades apontam que existem indícios de que Ciro atendia interesses do dono do Banco Master em projetos que tramitavam no Congresso Nacional. Segundo a PF, a troca de favores rendia ao senador entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, pagos mensalmente por Vorcaro.
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Um dos atendimentos aos interesses do ex-banqueiro, segundo a autorização de Mendonça, é uma emenda apresentada pelo senador que visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão. A medida, que beneficiaria o Master, já que o modelo de negócios do banco utilizava a garantia do FGC como um dos principais atrativos para impulsionar aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), teria sido redigida por auxiliares do ex-banqueiro.
A emenda, apresentada durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que discutia a autonomia do Banco Central (BC), acabou não avançando. Porém, Mendonça ressaltou na decisão que o episódio não teria sido um caso isolado e citou outras iniciativas legislativas de interesse de Vorcaro.