quinta-feira, 14 de maio de 2026
Operação Narco Fluxo

Justiça manda soltar MC Ryan SP com medidas cautelares

Funkeiro é investigado na Operação Narco Fluxo, que apura suspeita de lavagem de dinheiro no setor do entretenimento

Luana Avelarpor Luana Avelar em 13 de maio de 2026
MC Ryan
Foto: Instagram

A Justiça Federal determinou, na tarde desta quarta-feira (13), a revogação da prisão preventiva de MC Ryan SP. Com a decisão, o funkeiro deverá ser solto, mas terá de cumprir medidas cautelares impostas pelo TRF-3, Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

A decisão estendeu ao artista o habeas corpus concedido, nessa segunda-feira (11), ao empresário da Love Funk Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como Rato. A mesma medida também foi aplicada a Diogo Santos de Almeida.

Pela determinação do tribunal, MC Ryan deverá comparecer a todos os atos do processo e se apresentar mensalmente em juízo para comprovar suas atividades. Ele também não poderá se ausentar da cidade onde mora por mais de cinco dias sem autorização judicial.

Leia mais: Entenda por que o STJ manteve a prisão de MC Ryan SP, Poze do Rodo e dono da Choquei

Outra restrição imposta ao funkeiro é a proibição de deixar o país sem autorização do juízo. Caso tenha passaporte, o documento deverá ser entregue à Justiça.

MC Ryan e Diogo estavam presos preventivamente no âmbito de uma investigação da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro do crime no mundo do entretenimento. A apuração teve início a partir da análise de um backup na nuvem, no iCloud, de Rodrigo Morgado, apontado como o contador do esquema. Os dados foram obtidos em uma investigação anterior, a Operação Narco Bet.

Segundo a investigação, a organização usava um mecanismo chamado de “escudo de conformidade” para mascarar a origem ilícita dos recursos e enganar órgãos de fiscalização. Nesse modelo, artistas e influenciadores digitais utilizavam a própria visibilidade pública e o engajamento na internet para naturalizar transações milionárias.

A lavagem do capital, de acordo com os investigadores, ocorria em três eixos. O primeiro era a pulverização, com inserção de dinheiro sem lastro econômico por meio da venda de ingressos para shows, produtos e ativos digitais. O segundo era a dissimulação, com uso intensivo de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie e transferências fracionadas para dificultar o rastreamento financeiro.

O terceiro eixo apontado pela investigação era a interposição de terceiros, prática descrita como “aluguel de CPFs”. Nessa etapa, familiares, laranjas e empresas de fachada eram usados para esconder quem seriam os reais donos dos valores.

A investigação identificou um fluxo financeiro de R$ 1,6 bilhão movimentado pelo grupo em menos de dois anos. A Justiça determinou o sequestro e o bloqueio desse valor. As estimativas da Polícia Federal apontam que a organização pode ter movimentado até R$ 260 bilhões.

A ação mobilizou mais de 200 policiais federais para o cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária em nove estados e no Distrito Federal.

Durante a operação, foram apreendidos R$ 20 milhões referentes a cerca de 55 veículos de luxo, entre eles modelos Porsche, BMW, Amarok e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren. Também foram apreendidos armas, R$ 300 mil, US$ 7,3 mil em espécie, 56 joias e relógios Rolex, além do bloqueio de saldo em corretoras de criptomoedas.

Entre os presos na operação estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, o casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão e Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei.

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