PCDF e MP investigam suspeita de espionagem na CLDF após afastamento de servidor
Segundo as denúncias apresentadas à presidência da Casa, uma funcionalidade conhecida como “Deep Inspection” teria sido ativada na rede interna da Câmara Legislativa desde o fim de março.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) vão investigar as denúncias de uma possível espionagem dentro da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A informação foi confirmada pelo presidente da Casa, deputado distrital Wellington Luiz (MDB), durante sessão ordinária realizada nesta terça-feira (12).
O caso provocou forte repercussão nos bastidores da CLDF após denúncias envolvendo um suposto monitoramento da rede corporativa da Câmara. Deputados chegaram a permanecer mais de duas horas reunidos em uma sala anexa ao plenário para discutir a crise causada pela descoberta do possível “grampo”.
Segundo as denúncias apresentadas à presidência da Casa, uma funcionalidade conhecida como “Deep Inspection” teria sido ativada na rede interna da Câmara Legislativa desde o fim de março. O mecanismo amplia a capacidade de fiscalização do tráfego digital e pode permitir inspeção e monitoramento de conteúdos acessados pelos usuários conectados ao sistema corporativo.
O documento encaminhado à presidência da CLDF aponta ainda que a funcionalidade teria sido implementada sem comunicação formal, sem deliberação do Comitê Gestor de Dados e sem manifestação do encarregado de dados da Casa. As denúncias também levantam suspeitas de que o serviço tecnológico teria começado a operar antes mesmo da conclusão do processo licitatório relacionado à contratação.
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Durante pronunciamento em plenário, Wellington Luiz afirmou que a Câmara recebeu as denúncias e que os fatos serão apurados com rigor. “Obviamente essas denúncias serão encaminhadas aos órgãos competentes. Uma vez havendo indícios de crime, nós encaminharemos à Polícia Civil do Distrito Federal e encaminharemos ao Ministério Público”, declarou.
O presidente da CLDF também afirmou que medidas administrativas foram tomadas imediatamente após o caso chegar ao conhecimento da Mesa Diretora. “Então a Câmara fará o seu papel, demonstrando aí transparência, isenção e tranquilidade com relação aos nossos atos. Então tenhamos a tranquilidade de que o que for necessário será feito”, disse.
Wellington Luiz acrescentou que um servidor foi afastado preventivamente e teve o acesso a áreas estratégicas da Câmara restringido.
“Tão logo essas denúncias, e não estou fazendo juízo de valor se verdade ou mentira, chegaram ao nosso conhecimento, imediatamente nós adotamos providências, como, por exemplo, o afastamento do servidor e, inclusive, a proibição de acesso a locais estratégicos da Câmara. Então as providências foram adotadas imediatamente”, afirmou.
Na segunda-feira (11), a presidência da CLDF determinou a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar possíveis irregularidades relacionadas ao caso. O diretor de Modernização e Inovação Digital da Casa, Walerio Oliveira Campôres, foi afastado por 60 dias. Já o chefe do Setor de Infraestrutura de Tecnologia da Informação, Pedro Cunha Celestin, foi exonerado do cargo.
O quarto-secretário da Câmara Legislativa, Robério Negreiros, afirmou que o pedido de afastamento cautelar ocorreu após denúncias apresentadas por representantes do sindicato dos servidores do Legislativo distrital. Procurada nesta quarta-feira (13), a assessoria do presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para posicionamentos.
O Hoje também procurou a Polícia Civil do Distrito Federal para comentar o caso e detalhar como deve ocorrer a investigação, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.