Reunião de prefeitos em Brasília apresenta demandas e viés político
Prefeitos goianos criticam ausência de amparo de Lula e mostram gratidão pela prestação de serviços do governo do Estado comandado por Daniel Vilela, afilhado político de Caiado
A movimentação dos prefeitos de todo o Brasil acende um alerta para os políticos que estão no topo da pirâmide de cargos mais poderosos do Congresso Nacional. A XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios ocorre em meio a um conjunto de reivindicações dos prefeitos ao Governo Federal que são interpretados como um pedido de ajuda, mas também como uma forma de tornar explícito o caráter oposicionista do movimento ao Executivo federal.
Não é à toa que o encontro costuma ser um evento hostil para o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pois nas duas últimas edições, em 2024 e 2025, o petista foi vaiado e recebeu gritos de “Fora, Lula” por parte de gestores municipais da oposição.
O mesmo aconteceu com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) que enfrentou sinais de desaprovação por parte dos prefeitos na última terça-feira (19). “É fundamental descentralizar e fortalecer o governo local, onde as pessoas vivem. O governo local enxerga os problemas porque convive com eles, sente as necessidades”, disse o pessebista. De acordo com o vice-chefe do Planalto, o presidente receberá, na quarta-feira (20), o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski.

Conversa com pré-candidatos ao Planalto
A Marcha deste ano eleitoral contará com uma espécie de sabatina com os pré-candidatos. Na última terça-feira (19), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), compareceu para responder às questões apresentadas pelos prefeitos. Já Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) serão sabatinados nesta quarta-feira (20), às 10h e às 15h, respectivamente.
Renan Santos (Missão) participa no último dia da Marcha dos Prefeitos, na quinta-feira (21), às 10h. Lula ainda pode comparecer à sabatina e ao encerramento, de acordo com informe da assessoria de imprensa do evento.
A reunião de gestores municipais teve início no dia 18 e o encerramento será no dia 21 de maio. O evento acontece no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, e cerca de cinco mil prefeitos devem compor o espaço. “Teremos uma reunião com os deputados federais e senadores. Nós vamos levar as demandas das cidades e esperamos que os parlamentares vistam a camisa dos municípios. É na cidade que a vida acontece, e nós precisamos dessa força”, demandou o presidente da Associação Goiana dos Municípios (AGM) e prefeito de Hidrolândia, José Délio (UB).
Já o presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM) e prefeito de Jaraguá, Paulo Vitor Avelar (UB), pontuou a quantidade de assuntos que vão ser postos em pauta no encontro e destacou os nomes que estiveram até então presentes na reunião de gestores municipais.
“Mais de quinze pontos estão sendo debatidos. Já estiveram presentes no espaço o presidente da Câmara dos Deputados [Hugo Motta], o presidente do Senado [Davi Alcolumbre], e explicamos todas as nossas posições em defesa dos municípios e falamos sobre as pautas-bombas que podem inviabilizar a gestão dos municípios”, ressaltou Avelar.
Reunião com parlamentares
José Délio e Paulo Vitor se reuniram na última terça-feira (19) com prefeitos e parlamentares da bancada goiana. O presidente da AGM afirmou que a conversa com deputados e senadores tem um foco que é o que chamou de “alinhamento de esforços”.
“Este encontro, organizado pela AGM e FGM, é fundamental para que nossos deputados e senadores se posicionem de forma clara a favor das pautas municipalistas. O objetivo é alinhar esforços, pois quando o parlamentar vota pela viabilidade financeira do município, está votando diretamente pelo bem-estar e pelo desenvolvimento de cada cidadão goiano”.
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Em resposta a uma reportagem do O HOJE realizada na última sexta-feira (15) sobre o encontro de filiação do MDB estadual, José Délio mostra o posicionamento dos prefeitos goianos que criticam a ausência de amparo do Governo Federal e mostram gratidão pela prestação de serviços do governo do Estado comandado por Daniel Vilela (MDB) que tem como padrinho político o ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Planalto, Ronaldo Caiado (PSD).
“Os prefeitos tem a certeza de que Daniel [governador de Goiás] tem sido municipalista, que tem ajudado os municípios ao levar programas e benefícios para que as cidades possam crescer ainda mais. Não existe um governo estadual que seja pungente, que seja significativo que não dê as mãos aos municípios”, enfatiza o presidente da AGM em entrevista ao O HOJE.