quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Eleições 2026

Segurança deve dominar debate eleitoral e mobiliza governo e oposição

Pesquisa Datafolha mostra pior avaliação do governo Lula na área, enquanto avanço das facções criminosas e sensação de insegurança ampliam espaço na disputa eleitoral

Thiago Borgespor em
Segurança deve dominar debate eleitoral e mobiliza governo e oposição
16% dos entrevistados avaliaram que a gestão Lula 3 teve seu pior desempenho na segurança | Fotos: Divulgação, Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr e Jefferson Rudy/Agência Senado

A quase três meses do início oficial das campanhas eleitorais, a segurança pública desponta como uma das principais pautas da disputa de outubro. A percepção ganhou força após a divulgação da última rodada da pesquisa Datafolha, que apontou a área como uma das piores avaliadas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O levantamento mostra que a avaliação negativa da atuação federal na segurança pública aumenta em meio à crescente percepção de que a área precisa estar entre as prioridades do próximo presidente. 16% dos entrevistados avaliaram que a gestão Lula 3 teve seu pior desempenho na segurança e 12% afirmaram que o assunto precisa ser prioridade.

Para o doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e professor da PUC-GO, Pedro Pietrafesa, o tema já ocupa espaço central nas movimentações políticas e tende a se consolidar como um dos eixos da campanha presidencial. “A pauta da segurança pública pode se destacar nessas eleições, isso já vem acontecendo, e o próprio governo federal percebeu isso e começou uma ofensiva para mostrar que atuou dentro dessa pauta”, afirma.

Segundo Pietrafesa, o movimento do Palácio do Planalto inclui pressionar o Congresso Nacional pela tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, defendida pelo governo federal como forma de fortalecer a coordenação nacional das políticas de combate ao crime organizado. Além disso, o pacote “Brasil No Crime Organizado”, apresentado na última semana, promete investir R$ 11 bilhões nas forças de segurança federais e estaduais.

Simultaneamente, a oposição também tenta explorar o tema eleitoralmente, sobretudo diante do crescimento da percepção de insegurança em diferentes regiões do País. “Oposição e governo passaram a disputar essa agenda. A segurança pública pode, sim, ser um dos grandes temas que vão permear o pleito eleitoral de 2026”, avalia o cientista político.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD); e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), são exemplos de rivais de Lula que já exploram o assunto eleitoralmente.

Leia mais: Após desgastar PL goiano, agora Gayer colabora para união da sigla

Facções criminosas

Outro fator que contribui para o fortalecimento da pauta é o aumento das discussões em torno das facções criminosas e da expansão territorial dessas organizações. Para Pietrafesa, o tema deixou de estar restrito aos grandes centros urbanos e passou a fazer parte do cotidiano de cidades médias e do interior do País.

“As facções se interiorizaram. Algumas já são até internacionais, transnacionais, e para elas se tornarem transnacionais elas entraram pelo interior do Brasil, ocupando espaços que antes não tinham uma força tão grande”, explica.

O professor também cita episódios cotidianos de violência urbana, como roubos e furtos, como elementos que reforçam a sensação de insegurança da população e impulsionam a centralidade do tema no debate político. “A violência no dia a dia faz com que essa percepção da segurança pública entre no palco eleitoral”, diz.

Na avaliação do cientista, historicamente o discurso sobre segurança pública teve maior identificação com partidos e lideranças da direita, cenário que pode favorecer candidaturas desse campo político. Ainda assim, Pietrafesa aponta que setores da esquerda passaram a buscar maior protagonismo na discussão nos últimos anos.

“Historicamente, o pêndulo dessa temática esteve mais ligado aos partidos de direita, principalmente pela forma de abordagem da segurança pública. Mas os partidos de esquerda agora estão correndo atrás para trabalhar essa pauta também”, afirma.

Ativo eleitoral

Pietrafesa lembra ainda que candidaturas ligadas às forças policiais e agentes de segurança ganharam espaço nas últimas eleições, o que ajudou a consolidar o tema como um ativo eleitoral relevante.

Apesar disso, o cientista político pondera que o impacto eleitoral da pauta dependerá da capacidade dos candidatos de apresentar respostas para um cenário de crescente preocupação com violência e crime organizado.

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