Mais de 9 mil jovens já atuam no mercado de trabalho em Goiás
Crescimento das vagas de aprendizagem e estágio acompanha demanda das empresas por mão de obra em formação e experiência prática.
O mercado de trabalho brasileiro começa a redesenhar a forma como contrata novos profissionais. Em meio às dificuldades enfrentadas por jovens na busca pelo primeiro emprego, programas de estágio e aprendizagem vêm ganhando força como alternativa para inserir estudantes no ambiente corporativo e preparar mão de obra qualificada para diferentes setores da economia.
Em Goiás, esse movimento tem avançado principalmente nas áreas administrativas, educação, comércio, serviços e tecnologia. Dados do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) mostram que o estado registrou crescimento de 14,4% no número de contratos de estágio e aprendizagem no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Atualmente, cerca de 9,3 mil jovens atuam em programas de estágio e aprendizagem vinculados ao CIEE Goiás, que mantém parceria com aproximadamente 1,1 mil empresas públicas e privadas. Em 2025, a média de jovens ativos nos programas era de 8,6 mil, o que demonstra avanço na procura por esse tipo de contratação.
O crescimento acompanha uma transformação mais ampla no mercado brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira de Estágios (Abres), o país possui atualmente mais de 900 mil estagiários ativos, número impulsionado principalmente pela retomada econômica, digitalização das empresas e maior demanda por profissionais em formação.

Jovens enfrentam dificuldades para entrar no mercado
Apesar da expansão das oportunidades, especialistas apontam que o acesso ao primeiro emprego ainda representa um dos maiores desafios para a juventude brasileira. Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos segue acima da média nacional, refletindo dificuldades relacionadas à experiência profissional e qualificação.
Nesse cenário, o estágio passa a funcionar não apenas como complemento acadêmico, mas como experiência decisiva para construção de carreira. Para muitas empresas, contratar jovens em formação se tornou uma estratégia para desenvolver profissionais alinhados à cultura interna e às novas demandas do mercado.
Em Goiás, as áreas com maior volume de contratações de estagiários e aprendizes incluem Ensino Médio, Administração, Pedagogia, Direito e Ciências Contábeis. O avanço da digitalização também ampliou vagas ligadas à comunicação, tecnologia, marketing e atendimento.
Além da experiência profissional, programas de estágio oferecem aos estudantes contato com rotina corporativa, desenvolvimento de habilidades comportamentais e maior competitividade no mercado após a graduação.
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Empresas apostam em renovação e formação interna
A busca por jovens profissionais também reflete mudanças nas próprias empresas. Em vez de procurar trabalhadores já totalmente prontos, muitas organizações passaram a investir em formação interna e desenvolvimento gradual de talentos.
Especialistas em gestão de pessoas apontam que programas de aprendizagem e estágio ajudam a reduzir custos de recrutamento, fortalecem a retenção de talentos e criam equipes mais alinhadas às transformações tecnológicas e culturais do ambiente corporativo.
Outro fator que impulsiona esse mercado é a mudança de perfil das novas gerações. Jovens chegam ao mercado mais conectados às ferramentas digitais, adaptados a ambientes tecnológicos e com maior facilidade para lidar com inovação e comunicação online.
Ao mesmo tempo, empresas enfrentam o desafio de oferecer capacitação contínua e acompanhamento profissional, já que muitos estudantes ingressam sem experiência anterior.

Mercado deve continuar aquecido nos próximos anos
A expectativa do setor é de continuidade no crescimento das contratações de jovens nos próximos anos. O avanço da economia digital, a necessidade de renovação da mão de obra e a expansão dos setores de serviços e tecnologia devem manter alta a procura por estudantes e aprendizes.
Para especialistas, o estágio deixou de ser apenas uma atividade complementar da formação acadêmica e passou a ocupar papel estratégico na construção profissional dos jovens brasileiros.
Ao mesmo tempo em que empresas buscam novos talentos, estudantes enxergam nesses programas uma oportunidade de conquistar experiência, independência financeira e inserção mais rápida no mercado.
Mais do que preencher vagas temporárias, o avanço dos programas de estágio e aprendizagem revela uma mudança estrutural nas relações de trabalho, em que formação prática, adaptação tecnológica e desenvolvimento profissional começam cada vez mais cedo.