sexta-feira, 29 de maio de 2026
NEGÓCIOS

Mercado ilegal bate recorde e gera prejuízo de R$ 514 bilhões no Brasil

Contrabando, falsificação e pirataria avançam em diversos setores; bebidas adulteradas, cigarros ilegais e medicamentos falsos ampliam impactos econômicos, sanitários e de segurança pública

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 28 de maio de 2026
mercado ilegal
Foto: Reprodução

O mercado ilegal no Brasil alcançou um novo patamar em 2025. Dados do Anuário da Falsificação 2026, produzido pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), apontam que o país acumulou prejuízos superiores a R$ 514 bilhões causados por contrabando, pirataria, falsificação e sonegação fiscal. O valor representa crescimento de 8% em relação ao ano anterior e consolida o maior impacto econômico já registrado pelo setor.

O avanço do comércio irregular afeta diretamente a arrecadação pública, reduz receitas das empresas legalizadas e amplia a presença do crime organizado em cadeias produtivas estratégicas da economia brasileira. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que os danos ultrapassam a esfera financeira e se transformam também em problema de saúde pública e segurança.

Segundo o levantamento, organizações criminosas movimentaram aproximadamente R$ 140 bilhões em atividades ligadas ao mercado clandestino apenas em 2025. Mesmo com aumento das operações policiais e de fiscalização, o crescimento da economia paralela segue em ritmo acelerado, impulsionado pelo consumo de produtos mais baratos e pela expansão das vendas digitais.

Mercado
Foto: Reprodução

Bebidas lideram perdas e ampliam risco sanitário

Entre os setores mais afetados pelo mercado ilegal, o de bebidas alcoólicas aparece na liderança, acumulando prejuízo estimado em R$ 89,5 bilhões no último ano. A estimativa é que cerca de 36% das bebidas consumidas no país sejam falsificadas, adulteradas ou contrabandeadas.

O cenário ganhou ainda mais atenção após a crise envolvendo bebidas contaminadas com metanol, que provocou 22 mortes confirmadas entre 2025 e 2026. Investigações identificaram fábricas clandestinas operando sem qualquer controle sanitário, utilizando embalagens e rótulos semelhantes aos originais para enganar consumidores.

Além do impacto econômico, autoridades sanitárias alertam que a adulteração de bebidas pode causar intoxicações graves, cegueira e até morte. Em São Paulo, somente em 2025, cerca de 15 milhões de litros de bebidas ilegais foram apreendidos.

O crescimento desse mercado também revela a sofisticação das organizações criminosas, que passaram a atuar com estruturas industriais clandestinas e distribuição em larga escala.

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Cigarros seguem como principal produto contrabandeado

O cigarro continua sendo o item mais apreendido pelas autoridades brasileiras e responde por aproximadamente 70% das apreensões relacionadas ao contrabando. O setor acumula perdas superiores a R$ 10,5 bilhões anuais em evasão fiscal.

Dados do anuário apontam que cerca de 32% do consumo nacional de cigarros já pertence ao mercado ilegal, impulsionado principalmente pela entrada de produtos vindos do Paraguai através das fronteiras brasileiras.

Especialistas apontam que o elevado preço do produto legalizado no Brasil, associado à diferença tributária em países vizinhos, fortalece o consumo clandestino. Além disso, facções criminosas passaram a controlar rotas de distribuição e até fábricas ilegais dentro do território nacional.

O problema também preocupa autoridades de saúde pública, já que cigarros contrabandeados costumam apresentar níveis ainda mais elevados de substâncias tóxicas, sem qualquer fiscalização sanitária.

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Foto: Reprodução

Canetas emagrecedoras e medicamentos falsos disparam

Outro setor que vive explosão do mercado clandestino é o farmacêutico. O comércio ilegal de medicamentos movimentou R$ 16,8 bilhões em 2025, alta de 46% em relação ao ano anterior.

Grande parte desse avanço está relacionada às chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. A combinação entre alta demanda, preços elevados e escassez abriu espaço para falsificações, vendas sem registro sanitário e importações irregulares.

As apreensões desse tipo de produto dispararam nos últimos anos. Em 2024, foram recolhidas apenas 609 unidades irregulares. Em 2025, o número saltou para mais de 60 mil apreensões. Somente nos três primeiros meses de 2026, outras 54 mil unidades falsas já haviam sido recolhidas.

Especialistas alertam que muitos desses produtos podem conter substâncias inadequadas, contaminações bacterianas ou compostos sem qualquer autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre os riscos estão trombose, pancreatite, infecções graves e hipoglicemia severa.

O avanço das vendas pela internet agravou ainda mais o cenário. Segundo o levantamento, as buscas e comercializações online de medicamentos para emagrecimento cresceram 358% no último ano.

 

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