domingo, 8 de novembro de 2026
Prévia da inflação

Combustíveis e alimentos pressionam inflação e reduzem poder de compra em Goiás

Capital registrou a maior prévia de inflação do País em maio, segundo o IBGE

Letícia Leitepor em
Combustíveis e alimentos pressionam inflação e reduzem poder de compra em Goiás
Economista aponta impacto direto dos combustíveis e comerciante relata queda no consumo. Foto: Tânia Rêgo/ABr

Goiânia registrou a maior prévia de inflação do País em maio de 2026, segundo levantamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A capital goiana apresentou alta de 1,41%, acima da média nacional de 0,62%, em um cenário marcado pelo avanço dos preços dos combustíveis e da alimentação.

Os dados colocam Goiânia à frente de outras capitais brasileiras no ranking inflacionário do período e acendem um alerta para o impacto no orçamento das famílias e no desempenho do comércio local. O setor de Transportes teve alta de 3,75% no município, enquanto o grupo Alimentação e bebidas avançou 1,49%.

Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, o resultado é consequência de uma combinação de fatores que pressionaram diretamente o custo de vida dos goianienses.

“O resultado verificado em Goiânia decorre de uma pressão combinada entre o grupo de Alimentação e bebidas e o setor de Transportes. O principal diferencial em relação ao cenário nacional foi o comportamento do preço dos combustíveis. Enquanto o País registrou deflação nesse segmento, o município apresentou uma expressiva alta nos preços do etanol e da gasolina nas bombas, somada a um reajuste acentuado nos produtos de hortifrúti”, explica.

Entre os itens que mais subiram em Goiânia estão o etanol, com alta de 16,62%, e a gasolina, que avançou 9,67%. Já entre os alimentos, os maiores reajustes foram registrados na cenoura, batata-inglesa, cebola e tomate.

O impacto já começa a ser sentido no comércio e na rotina dos consumidores. Proprietário de uma pequena lanchonete na Região Central de Goiânia, o comerciante Marcos Vinícius afirma que os aumentos nos alimentos têm reduzido a margem de lucro dos estabelecimentos.

“Tudo aumentou. Hortaliças, óleo, proteína e até produtos básicos para limpeza da cozinha. A gente tenta não repassar totalmente para o cliente, mas chega um momento em que fica difícil manter os preços”, relata.

Além da alimentação, o aumento dos combustíveis também afeta diretamente setores que dependem de deslocamento e logística. Motoristas de aplicativo, entregadores e comerciantes relatam aumento nas despesas diárias.

Segundo Ongaratto, o efeito econômico da alta nos combustíveis ocorre em cadeia e interfere diretamente no comportamento do consumidor. “O impacto na cadeia econômica é direto. Como o segmento de transportes possui um peso de grande relevância no orçamento local, o encarecimento dos combustíveis restringe a renda disponível das famílias para outras despesas. Embora a redução no preço do diesel colabore para amortecer o custo do frete de longa distância, a elevação da gasolina e do etanol encarece a logística urbana e os deslocamentos diários, pressionando o custo de vida geral”, afirma.

Em supermercados e feiras livres, consumidores já percebem mudanças no valor das compras. A aposentada Maria de Lourdes, moradora do Setor Campinas, conta que precisou reduzir alguns itens da rotina para equilibrar as contas. “Antes eu levava mais frutas e verduras. Agora preciso pesquisar mais e deixar algumas coisas para trás”, diz.

Alívio pontual na inflação não compensa alta dos itens essenciais 

Apesar da pressão inflacionária, alguns itens apresentaram queda em Goiânia, como a energia elétrica residencial e o aluguel. Ainda assim, os recuos não foram suficientes para compensar o avanço dos combustíveis e da alimentação.

“Os recuos registrados nos custos de energia elétrica e aluguel residencial atuaram como fatores atenuantes no mês, mas não foram suficientes para reverter o impacto gerado pelo comércio de combustíveis e alimentos”, complementa.

Sobre os próximos meses, Ongaratto explica que parte da alta dos alimentos pode estar ligada à sazonalidade da produção agrícola, mas alerta que o cenário ainda exige atenção.

“Por se tratar de produtos de hortifrúti, o comportamento dos preços é historicamente atrelado a fatores sazonais e climáticos, o que costuma configurar oscilações pontuais na oferta. Contudo, o acompanhamento do grupo de alimentação permanece sob atenção, dado o avanço que o setor já acumula desde o início do ano”, pontua.

Na avaliação do economista, o principal reflexo para a população é a perda gradual do poder de compra, principalmente entre as famílias de renda média e baixa. “Há retração no poder de compra da população, visto que a inflação acumulada em doze meses na Capital superou de forma significativa a média nacional. Quando despesas essenciais como alimentação e mobilidade sobem simultaneamente, o consumidor tende a priorizar gastos básicos, reduzindo a demanda por bens e serviços não essenciais”, conclui.

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