O que a Tabela FIPE não mostra sobre o valor do seu carro
Referência nacional de preços não considera características específicas de cada veículo na hora da negociação
Você já consultou a Tabela FIPE e descobriu que seu carro vale um determinado valor, mas encontrou o mesmo modelo sendo vendido por preços completamente diferentes? Isso acontece porque, apesar de ser uma das principais referências do mercado brasileiro, a FIPE não determina quanto um veículo realmente deve custar.
O valor apresentado pela tabela representa uma média de preços praticados no mercado e pode variar bastante quando o carro é colocado à venda. Por isso, um veículo pode estar anunciado acima ou abaixo da referência sem que isso, por si só, signifique que o negócio seja bom ou ruim.
Por que dois carros iguais podem ter preços diferentes?
Mesmo quando dois veículos são exatamente do mesmo modelo e ano, eles podem apresentar valores diferentes. Isso acontece porque a Tabela FIPE não leva em consideração alguns detalhes que pesam diretamente na negociação.
Quilometragem, estado de conservação, histórico de manutenção, pneus, pintura e até a procura pelo modelo na região podem influenciar no preço final.
Um carro bem cuidado, com revisões em dia e poucos sinais de desgaste, por exemplo, pode ser negociado por um valor superior à média. Já um veículo que precisa de reparos pode ter o preço reduzido para compensar os gastos que o comprador terá depois da aquisição.
Carro abaixo da FIPE é sempre uma oportunidade?
Nem sempre. Um anúncio muito abaixo do valor de referência pode parecer uma oportunidade imperdível, mas também pode esconder problemas.
Entre os motivos para um carro ser vendido mais barato estão necessidade de manutenção, problemas na documentação, baixa procura pelo modelo ou histórico de sinistro e leilão.
Por isso, antes de fechar negócio, vale investigar o histórico do veículo. Uma vistoria cautelar pode ajudar a identificar alterações na estrutura, problemas de identificação e registros que não aparecem apenas durante uma avaliação visual.
Carros recuperados podem custar bem menos
Outra curiosidade do mercado é a diferença de preço dos chamados veículos recuperados, que podem ter passado por situações como acidentes, enchentes, furtos ou leilões.
Esses automóveis costumam chamar atenção justamente pelo preço mais baixo. Porém, o desconto pode vir acompanhado de algumas dificuldades.
Dependendo do histórico, o veículo pode ter restrições para contratação de seguro ou financiamento e também apresentar maior dificuldade de revenda. Por isso, o preço menor não deve ser analisado isoladamente.
A região também pode mudar o preço
A Tabela FIPE trabalha com uma média nacional, mas o mercado de cada região pode se comportar de maneira diferente.
Em determinadas cidades, veículos mais procurados podem alcançar preços superiores à média. Picapes, por exemplo, podem ter maior procura em regiões onde são utilizadas para atividades rurais e comerciais. Já modelos compactos costumam ter bastante demanda nos grandes centros urbanos.
Até a cor pode influenciar na facilidade de revenda. Veículos com cores mais tradicionais, como branco, preto e prata, geralmente encontram compradores com mais facilidade.
O que observar antes de comprar?
A FIPE pode ser o ponto de partida da negociação, mas não deve ser o único critério. Antes de comprar um usado, é importante conferir documentos, histórico, quilometragem e condições mecânicas.
Também vale fazer uma avaliação com um mecânico de confiança e, quando possível, solicitar uma vistoria cautelar.
No fim das contas, a Tabela FIPE responde quanto um carro vale, em média, no mercado, mas não necessariamente quanto aquele veículo específico vale. É justamente por isso que conservação, histórico e condições de compra continuam fazendo diferença na hora de fechar negócio.
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