sábado, 7 de novembro de 2026
Economia

Lula sanciona lei que cria programa para ampliar produção de fertilizantes no Brasil

Nova lei prevê mistura de fertilizantes nacionais a partir de 2027

Otavio Augustopor em
Lula sanciona lei que cria programa para ampliar produção de fertilizantes no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com um veto, a lei que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). A medida foi publicada nesta sexta-feira (4) no Diário Oficial da União (DOU) e estabelece mecanismos para estimular a produção nacional e diminuir a dependência brasileira de insumos importados.

Entre as principais medidas está a criação de uma participação mínima de fertilizantes nacionais nos produtos comercializados no país. A exigência começa em 1º de julho de 2027, quando a mistura deverá conter pelo menos 2% de produtos brasileiros.

A partir daí, o percentual deverá crescer de forma gradual. A previsão é chegar a 10% em janeiro de 2037. Já a partir de 2038, a proporção poderá variar entre 10% e 30%.

 

 

 

A meta poderá mudar conforme a produção nacional

O Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) ficará responsável por definir a evolução das metas. Para isso, o órgão deverá considerar a capacidade de produção da indústria brasileira e os possíveis efeitos sobre preços e oferta.

Além disso, o conselho poderá suspender ou alterar temporariamente os percentuais em situações de interesse público. A mesma possibilidade valerá quando a produção nacional não for suficiente para atender à exigência.

Antes de estabelecer cada percentual, o Confert deverá analisar fatores como a competitividade do agronegócio e os impactos para os consumidores. Preço, qualidade e abastecimento também deverão entrar na avaliação.

fertilizante

O Poder Executivo ficará responsável pela fiscalização. Caso empresas descumpram os percentuais definidos pela legislação, poderão sofrer penalidades previstas no Código de Mineração.

Financiamento poderá chegar às fábricas e pesquisas

A nova legislação também permite que a União destine recursos para linhas de financiamento voltadas ao setor. No entanto, a liberação dependerá da existência de recursos no Orçamento.

Os valores deverão ser repassados pelo Ministério da Fazenda ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco poderá operar diretamente os financiamentos ou permitir que outras instituições financeiras habilitadas façam os empréstimos.

Os recursos poderão financiar diferentes etapas da cadeia de fertilizantes. Entre elas estão a modernização, reativação e ampliação de fábricas. A verba também poderá apoiar pesquisas, inovação, melhorias na produção e distribuição e obras de infraestrutura necessárias para novos empreendimentos.

Apesar da autorização, a lei não determina quanto dinheiro será disponibilizado. Portanto, o financiamento não começa automaticamente com a sanção.

 

 

 

O governo e o Conselho Monetário Nacional ainda deverão estabelecer condições, prazos, encargos e critérios para selecionar os projetos que poderão receber os recursos.

Quem poderá participar do Profert

O programa poderá atender empresas que produzam no Brasil fertilizantes e matérias-primas de origem sintética, mineral ou orgânica. Remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes também estão incluídos.

Por outro lado, empresas enquadradas no Simples Nacional não poderão participar.

As companhias interessadas também terão de cumprir exigências que ainda serão detalhadas em regulamentação. Entre elas estão medidas para reduzir emissões de gases de efeito estufa e aumentar a eficiência energética.

images - 2026-09-04T202751.004

Além disso, as empresas deverão apoiar iniciativas de desenvolvimento local e manter diálogo com comunidades afetadas pelos empreendimentos.

Lula veta trecho sobre origem dos fertilizantes

Lula vetou um dispositivo que restringia o conceito de fertilizante, para fins da lei, aos produtos “extraídos e produzidos no território nacional”.

Na justificativa, o governo afirmou que a redação poderia entrar em conflito com a própria regra que determina a mistura de fertilizantes nacionais aos produtos comercializados, distribuídos e vendidos no Brasil.

O texto sancionado também determina que o Confert publique, todos os anos, um balanço sobre os investimentos realizados pelo programa, a expansão da capacidade produtiva e os efeitos do Profert sobre a dependência externa.

Além disso, a política deverá passar por uma avaliação econômica, fiscal e estratégica a cada dois anos. Dessa forma, o governo terá de acompanhar os resultados do programa e os efeitos das medidas adotadas para ampliar a produção brasileira.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Motos elétricas podem superar modelos a combustão no Brasil

NEGÓCIOS

Motos elétricas podem superar modelos a combustão no Brasil

Estudo aponta que a mudança pode ocorrer entre 2031 e 2037, conforme o ritmo de expansão do mercad...
desenrola adimplentes

MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

Perdão de dívidas do MEI será automático em janeiro; veja o que continua sendo cobrado

Cancelamento alcança a contribuição previdenciária vencida até 13 de outubro de 2026, mas não ...
Contribuintes têm até 16 de novembro para negociar dívidas com Goiânia e obter descontos de até 80%

DÍVIDA MUNICIPAL

Contribuintes têm até 16 de novembro para negociar dívidas com Goiânia e obter descontos de até 80%

Condições especiais incluem débitos tributários e não tributários, com abatimentos maiores par...
“Imposto do Pecado” muda tributação e exige adaptação de empresas

NEGÓCIOS

“Imposto do Pecado” muda tributação e exige adaptação de empresas

Medida provisória estabelece alíquotas provisórias para produtos como bebidas, cigarros e veícul...
“Imposto do pecado”: veja quanto será cobrado sobre cigarros, bebidas e carros

REFORMA TRIBUTÁRIA

“Imposto do pecado”: veja quanto será cobrado sobre cigarros, bebidas e carros

Cigarros terão alíquota de 66,7%, enquanto determinados destilados ficarão em 24%; cobrança come...
Quem é contra o fim da escala 6x1? Conheça as entidades que recorreram ao STF

DIREITOS DO TRABALHADOR

Quem é contra o fim da escala 6×1? Conheça as entidades que recorreram ao STF

Confederações da indústria e do comércio questionam a mudança; argumentos incluem custos, acord...
Proposta de CBS preocupa indústria goiana e pode pressionar preços

Impostos

Proposta de CBS preocupa indústria goiana e pode pressionar preços

A alíquota de 11,3% proposta pelo TCU para 2027 supera os 9,2% esperados pelo setor industrial. Re...
Banco Central mantém Selic em 13,75% diante de incertezas econômicas

TAXA DE JUROS

Banco Central mantém Selic em 13,75% diante de incertezas econômicas

Copom interrompe ciclo de cortes nos juros básicos após cinco reduções consecutivas. Instabilida...