sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Economia

Apenas 1 em cada 5 motociclistas de aplicativo tem cobertura previdenciária, aponta IBGE

Trabalho por aplicativo cresce, mas previdência alcança menos de 20% dos motociclistas

Otavio Augustopor em
Apenas 1 em cada 5 motociclistas de aplicativo tem cobertura previdenciária, aponta IBGE
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Brasil tinha cerca de 405 mil motociclistas trabalhando por meio de aplicativos em 2025. Desse total, apenas 79 mil contavam com cobertura previdenciária. O número representa 19,4%, ou aproximadamente um em cada cinco trabalhadores.

Os dados fazem parte de um módulo especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento analisou o trabalho realizado por meio de plataformas digitais e classificou esses profissionais como trabalhadores “plataformizados”.

Para comparação, a cobertura previdenciária alcançava 62,4% de todas as pessoas ocupadas no setor privado. Entre todos os motociclistas do país, independentemente do uso de aplicativos, o índice chegava a 31%.

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Paulo Pinto/Agência Brasil

A contribuição previdenciária permite acesso a benefícios como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte.

Número de motociclistas de aplicativo quase dobra

O contingente de motociclistas que trabalham por plataformas aumentou nos últimos anos. Entre 2024 e 2025, o crescimento chegou a 15,4%.

Já na comparação entre 2022 e 2025, o número praticamente dobrou. Passou de 211 mil para 405 mil pessoas.

A pesquisa do IBGE ainda possui caráter experimental. Segundo o instituto, o levantamento está em fase de teste e avaliação. Em 2023, não houve coleta de informações sobre o trabalho por plataformas.

 

 

 

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, destacou que a parcela de motociclistas de aplicativos com cobertura previdenciária é pequena diante dos riscos associados à atividade.

Segundo ele, esses trabalhadores podem ficar expostos a acidentes e outros riscos relacionados ao trabalho.

Renda por hora supera a de outros motociclistas

Apesar da menor cobertura previdenciária, os motociclistas de aplicativos apresentaram rendimento por hora superior ao dos demais motociclistas.

Em 2025, os trabalhadores plataformizados receberam, em média, R$ 2.221 por mês. O valor considera o que o trabalhador efetivamente retirou da atividade, já com custos como combustível descontados.

 

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© Rovena Rosa/Agência Brasil

A jornada média também foi maior. Os motociclistas de aplicativos trabalharam 44,9 horas por semana. Entre os motociclistas que não trabalhavam por plataformas, a jornada chegou a 41,1 horas.

Mesmo com a diferença de jornada, o rendimento médio por hora dos plataformizados alcançou R$ 11,40. Entre os não plataformizados, ficou em R$ 10,10.

Assim, os motociclistas que trabalhavam por aplicativos receberam 12,9% mais por hora do que os demais trabalhadores da categoria.

Motoristas têm renda maior, mas recebem menos por hora

O levantamento também analisou os motoristas de aplicativos. Em 2025, o país tinha aproximadamente 905 mil pessoas nessa atividade.

O número representa crescimento de 9,8% em relação a 2024. Na comparação com 2022, quando havia 718 mil motoristas de aplicativos, o aumento chegou a 26%.

A cobertura previdenciária, entretanto, também ficou abaixo da registrada entre os motoristas em geral. Apenas 25,5% dos motoristas de aplicativos tinham cobertura previdenciária.

 

 

 

Considerando todos os motoristas do país, independentemente de trabalharem ou não por plataformas, o índice chegava a 43,8%.

Além disso, os dados mostram uma diferença em relação aos motociclistas. No caso dos motoristas, o rendimento por hora dos trabalhadores de aplicativos ficou abaixo do registrado entre os não plataformizados.

Os motoristas de aplicativos cumpriam jornada média de 45,9 horas semanais e recebiam R$ 14,40 por hora. Já os demais trabalhavam 40,4 horas por semana e tinham rendimento de R$ 16 por hora.

Por outro lado, o rendimento mensal dos motoristas de aplicativos chegou a R$ 2.873. O valor ficou 2,4% acima do registrado entre os motoristas que não trabalhavam por plataformas.

Entidade do setor questiona metodologia do levantamento

Após a divulgação da pesquisa, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas de tecnologia do setor, reconheceu a importância do levantamento. A entidade, porém, apontou limitações na metodologia utilizada pelo IBGE.

Em nota, a associação afirmou que os resultados apresentam limitações para representar o universo dos trabalhadores de aplicativos.

A Amobitec também questionou os dados sobre a proporção de trabalhadores que utilizam os aplicativos como atividade principal ou secundária. Segundo a entidade, existem diferenças entre os resultados apresentados pela pesquisa e informações de levantamentos realizados pelo Instituto Datafolha e pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

A associação também afirmou que a metodologia usada pelo IBGE para calcular os ganhos dos trabalhadores pode não representar com precisão os rendimentos desses profissionais.

Por fim, a Amobitec declarou apoio a uma regulamentação do trabalho intermediado por aplicativos que, segundo a entidade, combine proteção aos trabalhadores e flexibilidade nas atividades.

Entre as empresas associadas à entidade estão 99, Alibaba, Amazon, Buser, iFood, Flixbus, Lalamove, Shein, Uber e Zé Delivery.

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