sábado, 5 de setembro de 2026
NEGÓCIOS

Setor de informação e comunicação cresce 8,4% no Brasil

Segmento avançou 2,1% no segundo trimestre e acumula alta de 7,1% em quatro trimestres, acima do ritmo do PIB

Otavio Augustopor em
Setor de informação e comunicação cresce 8,4% no Brasil

O setor de informação e comunicação ganhou espaço entre os principais motores da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o segmento cresceu 8,4% na comparação com o mesmo período de 2025 e avançou 2,1% frente ao primeiro trimestre, resultado que o colocou entre as atividades de maior expansão no período.

A atividade também acumula alta de 7,1% nos quatro trimestres encerrados em junho, desempenho muito superior ao crescimento de 1,9% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nesse intervalo. Entre os serviços, nenhum outro segmento apresentou expansão acumulada tão elevada.

Tecnologia cresce acima do ritmo da economia

O desempenho não surgiu de forma isolada. No primeiro trimestre de 2026, informação e comunicação já havia registrado crescimento de 2,4% em relação aos três meses anteriores e de 6,6% no acumulado de quatro trimestres.

informação

Na Pesquisa Mensal de Serviços, o movimento também aparece desde o início do ano. Entre janeiro e maio, o volume de serviços de informação e comunicação cresceu 6,2% na comparação anual. O IBGE atribuiu parte importante do resultado ao aumento das receitas de atividades como consultoria em tecnologia da informação, telecomunicações, tratamento de dados, hospedagem na internet, portais de conteúdo, desenvolvimento e licenciamento de softwares e programação de computadores.

Em 2025, o segmento já havia terminado o ano com alta de 6,5%, enquanto o PIB brasileiro avançou 2,3%. Naquele ano, todas as principais atividades de serviços apresentaram crescimento, mas informação e comunicação ficou à frente das demais.

5G, fibra e internet ampliam demanda por infraestrutura

Por trás desse avanço está uma infraestrutura digital que continua em expansão. No segundo trimestre de 2026, o Brasil contabilizou 276,4 milhões de acessos móveis, alta de 3,7% em um ano. As conexões 5G chegaram a 66,1 milhões, equivalentes a 23,9% da base de acessos móveis.

 

 

 

A expansão da infraestrutura também envolve a banda larga fixa, redes de fibra óptica e instalação de novas estações de telefonia. Em 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) registrou mais de R$ 78,5 milhões em investimentos decorrentes de obrigações destinadas à ampliação da conectividade. Desse total, R$ 39,6 milhões foram direcionados à implantação de backhaul de fibra óptica e R$ 38,9 milhões à expansão da cobertura móvel 4G.

O Novo PAC prevê ainda R$ 18,6 bilhões em investimentos relacionados à expansão do 4G, implantação do 5G e redes de fibra óptica, com metas que incluem milhares de localidades e centenas de sedes municipais.

Mercado de trabalho acompanha transformação digital

A expansão também aparece na ocupação. Segundo a PNAD Contínua, o grupamento que reúne informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas empregou 13,4 milhões de pessoas em 2025, crescimento de 6,8% em relação ao ano anterior. Desde 2012, o aumento da ocupação nesse conjunto de atividades chegou a 40,1%.

Dentro desse cenário, a demanda por profissionais ligados à tecnologia tende a acompanhar a necessidade de digitalização das empresas. Programação, análise de dados, segurança da informação, infraestrutura de redes, desenvolvimento de softwares e serviços digitais passaram a fazer parte de diferentes setores da economia, e não apenas de empresas especializadas em tecnologia.

O avanço do setor também atrai capital. Em 2025, o Brasil recebeu US$ 7,44 bilhões em investimentos estrangeiros em telecomunicações, segundo dados do Banco Central analisados pelo Ministério das Comunicações. O valor representou alta de 20,4% sobre 2024.

 

 

Crescimento revela uma economia cada vez mais digital

O avanço de 8,4% no segundo trimestre ocorre enquanto a economia brasileira cresce em ritmo mais moderado. O PIB avançou 0,5% entre o primeiro e o segundo trimestre e acumula 1,9% em quatro trimestres. Os serviços, que representam a maior parcela da atividade econômica e concentram grande parte dos empregos, cresceram 0,2% na passagem trimestral e 1,7% no acumulado de 12 meses.

O resultado do segundo trimestre reforça, portanto, uma tendência que já vinha aparecendo nos indicadores de 2025 e dos primeiros meses de 2026: a transformação digital deixou de ser apenas uma mudança tecnológica e passou a representar uma frente de expansão econômica, geração de empregos e atração de investimentos no Brasil.

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