Só 2 candidatos ao governo de Goiás têm agendas ligadas ao 7 de setembro
Analistas políticos ouvidos pelo O HOJE afirmam que a data só tem representatividade política para o bolsonarismo
Os quatro principais candidatos ao Governo de Goiás têm agendas distintas para o feriado de 7 de setembro, que comemora a independência do Brasil. Apenas dois postulantes ao Palácio das Esmeraldas têm compromissos relacionados à data: o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB) e o senador Wilder Morais (PL).
O especialista em marketing político Marcos Marinho destaca que a data nunca teve um envolvimento político grande, no entanto, nos últimos anos foi apropriada pelos bolsonaristas. Além disso, afirma que a participação de Wilder é a que mais pode ser analisada enquanto ato de campanha.
“O 7 de setembro sempre foi marcado por ações institucionais dos municípios e dos Estados. Simbólica em nível histórico e, principalmente, apartidário. A partir do bolsonarismo é que passa a haver um simbolismo partidário e ideológico que nem tem a ver de fato com o motivo da data. Extrapola completamente a simbologia inicial. Então, o Wilder participar desses atos não tem nem a ver tanto com o 7 de setembro e, de fato, o seu simbolismo tradicional. Tem a ver com uma ideologia bolsonarista que tem na data um momento de epifania, de reunião e de protesto”, diz.
O evento bolsonarista está marcado para começar às 9h, com a concentração dos apoiadores na Praça Tamandaré, em Goiânia. Além do candidato a governador, a candidata a vice-governadora Ana Paula Rezende e os candidatos ao Senado, deputado federal Gustavo Gayer e vereador Oséias Varão, ambos do PL, participarão da mobilização.
A campanha de Wilder Morais explica que o evento tem como objetivo pressionar os senadores pelo impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além de dar voz às críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A data também é vista como uma apresentação do senador ao eleitor bolsonarista que ainda não está engajado na campanha, como afirma o cientista político Guilherme Carvalho.
“Para o bolsonarismo, é de fato um momento simbólico, onde normalmente as manifestações mais orgânicas desse grupo acontecem. Então para ele [Wilder Morais] é uma forma de informar o eleitor que não está engajado de que ele é o candidato. É também uma oportunidade para os outros candidatos a majoritárias e proporcionais utilizarem como palanque”, destaca Guilherme.
Daniel Vilela
O emedebista não terá ato de campanha relacionado à data, mas sim um ato institucional. O governador estará presente no tradicional desfile cívico-militar realizado pela Prefeitura da Capital. Em que pese a institucionalidade do evento, Guilherme Carvalho afirma que, por ser ano eleitoral, o viés político está presente.
“Como ele é um governador em campanha, todo evento é político para ele. Nesse sentido, ele deve atrair apoio de muitos candidatos a proporcional e a majoritário do governo que também querem utilizar esse palanque”, diz.
Cesar Bueno e Marconi
O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) se encontra com produtores em Itumbiara pela manhã e aproveita o resto do dia para participar de gravações para TV. Já o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) cumpre agenda em Formosa pela manhã e à tarde participa de sabatina e grava programas eleitorais.
Para Marcos Marinho, a escolha dos dois candidatos está alinhada com os grupos políticos ocupados por eles: “A campanha tem que correr, tem que ir atrás, tem que alargar suas bases, tem que se despolarizar os seus contatos. O Luis Cesar principalmente. Tem que buscar mais reconhecimento popular. O Marconi continua o seu trabalho no seu planejamento de campanha, não faz nem sentido mudar alguma coisa por conta do 7 de setembro”. (Especial para O HOJE)
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