Geração Z pode movimentar US$ 36 trilhões e virar potência econômica até 2030
Crescimento da renda deve transformar jovens nascidos entre 1997 e 2012 em um dos grupos mais importantes para empresas e mercados
A Geração Z entrou no mercado de trabalho em um cenário bem diferente daquele enfrentado por seus pais. Nascidos aproximadamente entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010, esses jovens chegaram à vida adulta em meio a inflação, juros elevados, mudanças nas relações de trabalho, aumento do custo da moradia e transformação acelerada provocada pela tecnologia. O resultado é uma geração que ganha espaço na economia, mas ainda encontra dificuldades para transformar renda em patrimônio.
Um levantamento do Bank of America mostra o tamanho dessa contradição. Segundo a instituição, a renda global da Geração Z deve saltar de US$ 9 trilhões em 2023 para US$ 36 trilhões por volta de 2030. Até 2040, a projeção chega a US$ 74 trilhões. O consumo também deve avançar e alcançar US$ 12,6 trilhões em 2030. A estimativa considera que a geração representará cerca de 30% da população mundial na próxima década.
A força econômica projetada, porém, convive com uma realidade financeira difícil. Nos Estados Unidos, 52% dos jovens ouvidos pelo estudo disseram enfrentar dificuldades financeiras provocadas pelo custo de vida. Outros 55% afirmaram não ter dinheiro suficiente guardado para cobrir três meses de despesas. Ao mesmo tempo, os gastos da Geração Z com itens essenciais vêm crescendo em ritmo superior ao registrado pela população em geral.

Moradia se torna um dos principais obstáculos
A casa própria é um dos melhores exemplos da mudança de comportamento. Para uma parcela da Geração Z, comprar um imóvel deixou de ser necessariamente o primeiro grande objetivo financeiro. A combinação de preços elevados, juros e dificuldade de acumular entrada faz com que o aluguel e a flexibilidade ganhem espaço nas decisões.
O cenário não é exclusivo dos jovens. Pesquisa do Pew Research Center divulgada em 2026 mostra que 87% dos adultos nos Estados Unidos consideram mais difícil para os jovens de hoje comprar uma casa do que foi para a geração dos pais. Entre os menores de 40 anos, o índice chega a 89%. O mesmo levantamento aponta que 82% consideram mais difícil poupar para o futuro e 64% dizem que encontrar emprego está mais complicado.
Mais renda, mas também mais pressão sobre o orçamento
O paradoxo aparece também nos salários. O Bank of America aponta que a renda da Geração Z vem crescendo em ritmo superior ao de outras gerações, mas o aumento dos gastos reduz o espaço para a formação de reservas. Dados da instituição indicam que os jovens gastavam quase o dobro do que mantinham em poupança, sinal de que o avanço da renda ainda não se converteu automaticamente em segurança financeira.
No Brasil, levantamento da CNDL e do SPC Brasil com jovens de 18 a 24 anos mostra uma realidade semelhante. Quase metade, 47%, não faz controle das próprias finanças. Entre os que conseguem guardar dinheiro, 52% afirmaram ter alguma quantia reservada, principalmente para situações imprevistas, viagens e compra da casa própria. Entre os que não conseguem poupar, 51% disseram que o dinheiro simplesmente não sobra.
O consumo também revela uma geração que equilibra desejo e limitação financeira. No levantamento brasileiro, 56% dos entrevistados disseram ceder a compras por impulso quando querem muito determinado produto, enquanto 47% admitiram perder, algumas vezes, a noção do quanto podem gastar com lazer.
O consumidor que empresas precisarão entender
A Geração Z não representa apenas um grupo de jovens consumidores. O tamanho demográfico e a perspectiva de aumento da renda fazem dela uma variável importante para diferentes setores da economia.

No Brasil, essa transformação já aparece no comportamento financeiro. Pesquisa da Serasa aponta que 55% dos jovens de 18 a 29 anos são os principais responsáveis pelas próprias finanças. Para 69%, as contas básicas estão entre as principais despesas. O levantamento também mostra que o salário é a principal fonte de renda para metade dos jovens pesquisados.
Ao mesmo tempo, a digitalização muda a maneira como essa geração se relaciona com bancos, marcas e serviços. No segundo trimestre de 2026, pesquisa da TransUnion mostrou que os jovens da Geração Z lideravam a intenção de buscar novo crédito no Brasil, em um cenário no qual 71% dos consumidores brasileiros demonstravam otimismo com as próprias finanças, embora apenas 38% dissessem que a renda acompanhava a inflação.
De geração endividada a potência econômica
A grande aposta está no tempo. Hoje, uma parcela significativa da Geração Z ainda está começando a carreira, acumulando experiência profissional e construindo patrimônio. Nos próximos anos, esses jovens devem avançar para posições de maior responsabilidade, receber salários mais altos e assumir decisões de consumo que atualmente pertencem a gerações mais velhas.
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