Campanha de Daniel evita associação com Mabel nas redes sociais
Prefeito de Goiânia ainda não apareceu ao lado do governador em vídeos e imagens de eventos de campanha publicados nas redes do candidato à reeleição
A campanha do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), candidato à reeleição ao Palácio das Esmeraldas, não tem associado a imagem do emedebista ao prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), nas redes sociais.
Apesar de Mabel ter participado de ações de campanha ao lado de Daniel em Goiânia, não há qualquer registro do prefeito ao lado do governador nas redes do chefe do Executivo estadual. Desde o início da campanha, no dia 16 de agosto, até o fechamento desta edição, 128 posts foram publicados no Instagram de Daniel. Nenhum com a aparição de Mabel nos atos de campanha, mesmo com os registros nas redes sobre eventos na Capital.
A comunicação da campanha de Daniel registrou tanto a carreata na Região Noroeste quanto o adesivaço da campanha do emedebista no Estádio Serra Dourada. Os vídeos em que Mabel aparece ao lado de Daniel em atos de campanha nas redes sociais foram publicados nas redes do prefeito. Um do discurso de Mabel no adesivaço no Serra Dourada e o outro na visita ao Mercado Central de Goiânia.
Contraste com Anápolis
Há contraste, por exemplo, na comparação da visita de Daniel a Anápolis, para o lançamento do comitê da campanha na cidade, que aconteceu no mesmo dia da carreata na Região Noroeste de Goiânia. O governador aparece ao lado do prefeito Márcio Corrêa (PL) enquanto ambos falam o bordão “chama na bota”, dito pelo candidato à reeleição nos vídeos de campanha sobre carreatas e eventos de campanha ao redor do Estado. Em outro vídeo, em que Márcio declara apoio a Daniel, o perfil do governador aparece em publicação conjunta com o perfil do prefeito.
“O prefeito passa a não ser um bom cabo eleitoral na medida em que ele tem tido dificuldades na cidade. A gestão enfrenta muitas incertezas e a gestão não tem andado ainda conforme a expectativa da população”, avalia o cientista político Jones Matos, em conversa com a reportagem do O HOJE.
Matos cita gargalos de Mabel, como os enfrentamentos da gestão com servidores públicos, a greve dos administrativos da educação, que já dura há 13 dias, e os servidores da saúde, que aprovaram um indicativo de greve, como exemplos de “embaraços” que dificultam, sobretudo, em um processo eleitoral. “A gestão ainda não é aprovada de forma satisfatória e, objetivamente, numa eleição, se o prefeito não é um bom cabo eleitoral, é melhor que ele nem apareça”, avalia o cientista.
Para o especialista em Marketing Político pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luiz Carlos Fernandes, a ausência de Mabel nas redes de Daniel se assemelha ao “desenho” da campanha do emedebista. “É uma assinatura clássica de campanha profissional: associação de via única. O prefeito ‘adota’ o candidato publicamente, com apoio no perfil dele, mas o candidato mantém a própria narrativa autônoma”, afirma ao O HOJE.
Evitar a contaminação
Segundo Fernandes, esse tipo de estratégia visa o não enfraquecimento de alianças. “Em outras palavras: evita-se a contaminação por rejeição local e transforma a ‘ausência’ de Mabel nos canais de Daniel de escolha de arquitetura em necessidade tática.”
O professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e cientista político Guilherme Carvalho ressalta que o movimento era esperado. “Na minha avaliação, isso iria acontecer mesmo. O Mabel, até onde a gente tem registro, e são muitos, está mal avaliado. Esse é o padrão, ele pode ceder a estrutura da prefeitura, mas não aparece na campanha”, pontua o professor ao O HOJE.
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