segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Relações internacionais

EUA dão prazo para países romperem negócios com Irã sob ameaça de sanções

Trump aumenta pressão econômica e mira parceiros comerciais do Irã

Otavio Augustopor em
EUA dão prazo para países romperem negócios com Irã sob ameaça de sanções

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira uma nova etapa da pressão econômica contra o Irã. A administração de Donald Trump pretende ampliar as sanções contra países, bancos e empresas que mantiverem relações comerciais com Teerã.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que Washington está entrando em contato com governos de diferentes países para apresentar exigências específicas. Segundo ele, os parceiros comerciais do Irã receberão um prazo para reduzir ou encerrar determinadas relações econômicas.

Caso não cumpram as exigências, esses países e empresas poderão sofrer sanções unilaterais dos Estados Unidos.

Bessent chamou a operação de “Dia D econômico”. Segundo o secretário, a iniciativa busca atingir as conexões financeiras que permitem ao governo iraniano manter suas atividades econômicas durante o conflito com os Estados Unidos.

Irã

A estratégia amplia o alcance da campanha de sanções adotada por Washington. Até agora, as medidas tinham como principais alvos empresas, navios, intermediários financeiros e indivíduos ligados a operações com o Irã.

Agora, o governo americano sinaliza que pretende aumentar também a pressão sobre terceiros que funcionam como intermediários entre Teerã e o mercado internacional.

Mais de 60 entidades entram na mira

O Departamento do Tesouro americano anunciou sanções contra mais de 60 empresas e entidades. A nova rodada concentra a pressão em cinco áreas consideradas importantes para a economia iraniana: criptomoedas e outros ativos digitais, tecnologia, comércio de ouro, aviação e transporte marítimo.

Além disso, Bessent afirmou que uma grande instituição financeira poderá entrar na lista de sanções ainda nesta semana. O secretário, porém, não informou qual banco seria alvo da medida.

Nesse contexto, ganham importância as chamadas sanções secundárias. Elas permitem que os Estados Unidos punam instituições estrangeiras que realizem negócios com pessoas ou empresas já sancionadas por Washington.

 

 

Na prática, a medida amplia o alcance das punições para além do território americano. Instituições financeiras estrangeiras que perderem acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos podem enfrentar dificuldades para realizar operações internacionais.

Por outro lado, Bessent indicou que o governo pretende aplicar as medidas de forma gradual. Questionado sobre a possibilidade de atingir grandes bancos chineses, ele afirmou que nenhuma instituição está fora do alcance das sanções. No entanto, evitou mencionar diretamente quais bancos poderiam ser afetados.

China é o principal desafio para Washington

A China aparece como um dos principais pontos de tensão da nova estratégia americana. O país é o maior comprador do petróleo iraniano e mantém relações comerciais com Teerã mesmo diante das restrições impostas pelos Estados Unidos.

Por isso, uma aplicação mais ampla das sanções poderia atingir instituições financeiras chinesas de grande porte. A medida também poderia afetar operações comerciais e fluxos financeiros entre os dois países.

ira-euajpg

Diante desse cenário, o Tesouro americano sinaliza cautela. Bessent afirmou que Washington pretende primeiro oferecer aos governos e empresas a possibilidade de interromper as relações consideradas problemáticas.

A atual ofensiva retoma medidas anunciadas anteriormente pelo governo Trump. Em abril, Bessent havia apresentado uma campanha chamada de “Fúria Econômica” e afirmou que bancos estrangeiros que apoiassem atividades iranianas poderiam sofrer sanções.

Trump também havia ameaçado punir países e empresas que comprassem petróleo do Irã.

Teerã reage às ameaças dos Estados Unidos

O governo iraniano reagiu às novas ameaças. Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos, afirmou que Washington não conseguiria intimidar o país.

 

 

Segundo ele, os Estados Unidos não teriam condições de impedir que outros países mantenham relações comerciais com o Irã.

A troca de ameaças ocorre enquanto Trump tenta aumentar a pressão sobre Teerã para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro. Os Estados Unidos realizaram meses de ataques e ampliaram as medidas econômicas contra o Irã.

Além disso, o Estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações. A passagem é uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo. Por isso, qualquer restrição ao tráfego marítimo na região pode afetar o abastecimento de energia e os preços internacionais.

Os mercados financeiros também reagiram às declarações de Bessent. Após o pronunciamento, o índice S&P 500 aprofundou as perdas e chegou a recuar cerca de 0,3%. O dólar ganhou força. Já os títulos do Tesouro americano apresentaram pouca variação.

Agora, o alcance das novas medidas dependerá das próximas decisões de Washington. Sanções contra empresas menores e intermediários podem ampliar o isolamento econômico do Irã. Entretanto, medidas contra grandes bancos de países como a China podem aumentar os impactos sobre o comércio e o sistema financeiro internacional.

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