segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Cenário econômico

Mercado reduz previsão para PIB e economistas cortam previsão de alta para 2026

Boletim Focus também mantém projeção de inflação acima do centro da meta e prevê Selic em 13,75% no fim do ano

Renata Ferrazpor em
Mercado reduz previsão para PIB e economistas cortam previsão de alta para 2026
Foto: Joel Santana/Pixabay

O mercado financeiro reduziu novamente a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (24) pelo Banco Central, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,98% para 1,95%. Para 2027, a projeção permaneceu em 1,50%.

A revisão ocorre após a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um sinalizador do comportamento do PIB. O indicador registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre, apontando uma desaceleração da atividade econômica em relação ao início do ano.

O resultado reforçou a avaliação dos analistas de que a economia brasileira deve avançar em ritmo mais moderado ao longo de 2026. A pesquisa Focus reúne semanalmente as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Inflação

Para a inflação, o mercado manteve a projeção de alta de 5,02% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano. Já a previsão para 2027 passou de 4,24% para 4,25%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 3,80%.

As três projeções continuam acima do centro da meta de inflação, estabelecido em 3%. O sistema de metas permite uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece limite superior de 4,5%.

Juros

A expectativa para a taxa básica de juros também permaneceu estável. O mercado projeta a Selic em 13,75% ao ano no fim de 2026, ante os atuais 14%. Para 2027, a previsão continua em 12%.

A projeção para o fim de 2028 também não mudou e permanece em 10,50% ao ano. Com a taxa atualmente em 14%, os analistas trabalham com a possibilidade de uma redução de 0,25 ponto percentual em setembro.

O cenário combina uma atividade econômica em desaceleração com uma inflação ainda acima do centro da meta. Por isso, a condução da política monetária deve continuar entre os principais pontos de atenção para o mercado nos próximos meses.

A previsão para o câmbio ao final de 2026 também permaneceu inalterada. Os economistas consultados pelo Banco Central continuam estimando o dólar em R$ 5,20.

Para 2027, porém, houve uma pequena revisão para cima. A projeção passou de R$ 5,29 para R$ 5,30 por dólar.

Atividade econômica

A redução na previsão para o PIB ocorre em um momento de perda de força da atividade econômica. O crescimento de 0,2% registrado pelo IBC-Br entre abril e junho ficou abaixo do ritmo observado no início do ano e sinalizou uma expansão mais lenta da economia.

Mesmo com a revisão, os analistas ainda esperam crescimento do PIB em 2026. A nova estimativa, de 1,95%, representa uma redução de 0,03 ponto percentual em relação à semana anterior.

Para 2027, a previsão continua em 1,50%. O conjunto das projeções indica um cenário de crescimento mais moderado, com juros ainda elevados e inflação acima do centro da meta influenciando as perspectivas para a economia brasileira.

 

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