domingo, 23 de agosto de 2026
NEGÓCIOS

Seguro de vida cresce 10,29% e movimenta R$ 20 bilhões em 2026

Alta supera a inflação e reforça avanço da procura por proteção financeira e planejamento familiar

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Seguro de vida cresce 10,29% e movimenta R$ 20 bilhões em 2026
Divulgação/ Banco do Brasil

O mercado de seguro de vida mantém trajetória de crescimento no Brasil e ganhou força no primeiro semestre de 2026. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que a modalidade registrou crescimento nominal de 10,29% entre janeiro e junho, na comparação com os seis primeiros meses de 2025. Em termos reais, descontada a inflação, a alta foi de 5,70%.

O resultado representa uma arrecadação de aproximadamente R$ 20 bilhões em prêmios no período. O desempenho ocorre em um cenário de expansão mais ampla dos seguros de danos e pessoas, que, sem considerar o VGBL, somaram R$ 113,86 bilhões em receitas no primeiro semestre, alta nominal de 6,51% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Seguro

Proteção ganha espaço no planejamento financeiro

A expansão do segmento acompanha uma mudança na percepção sobre o seguro de vida. Para além da indenização aos beneficiários após a morte do segurado, diferentes contratos podem incluir coberturas destinadas a situações que ocorrem durante a vida.

 

 

 

Entre as possibilidades estão coberturas relacionadas a doenças graves, acidentes e incapacidade temporária ou permanente, além de despesas médicas e hospitalares, conforme as condições estabelecidas em cada contrato.

“Mais do que uma solução financeira, o seguro de vida representa planejamento, segurança e tranquilidade”, afirma Alessandra Monteiro,  diretora executiva da Pluna Corretora de Seguros. Para a executiva, a maior procura indica que consumidores estão mais atentos à necessidade de se preparar financeiramente para situações inesperadas.

Crescimento vem sendo registrado nos últimos anos

Os números mais recentes da Susep mostram que o avanço do seguro de vida não começou em 2026. Em 2025, a modalidade apresentou crescimento nominal de 12,70% e real de 7,27% em relação ao ano anterior. No mesmo ano, os seguros de pessoas, de forma geral, arrecadaram R$ 77,59 bilhões em prêmios, alta nominal de 8,78%.

A trajetória também apareceu nos primeiros meses de 2026. Até fevereiro, o seguro de vida acumulava R$ 6,24 bilhões, crescimento nominal de 6,78% e real de 2,44% na comparação anual. Naquele período, a modalidade representava 47,82% da arrecadação dos seguros de pessoas.

Até maio, a alta nominal do seguro de vida já alcançava 10,51%, enquanto o crescimento real era de 5,99%. O resultado acumulado até junho, portanto, confirma a continuidade da expansão ao longo do primeiro semestre.

 

 

 

Setor de seguros movimenta R$ 207 bilhões

O crescimento do seguro de vida ocorre dentro de um mercado de seguros que movimentou R$ 207,12 bilhões em receitas no primeiro semestre de 2026, considerando seguros, previdência complementar aberta, capitalização e resseguro. O valor representa alta nominal de 0,52% sobre o mesmo período de 2025.

No período, os pagamentos de indenizações, resgates, benefícios e sorteios somaram R$ 126,17 bilhões, queda nominal de 3,93% em relação ao primeiro semestre do ano anterior. Já os seguros de danos e pessoas, sem o VGBL, tiveram desempenho superior ao mercado como um todo, com alta de 6,51%.

O comportamento do seguro de vida também acompanha mudanças regulatórias no setor. Em 2025, a Susep publicou novas regras para o seguro de vida universal, com o objetivo de ampliar a flexibilidade dos produtos e aproximar a regulamentação brasileira das práticas internacionais.

Coberturas ampliam possibilidades para segurados

A ideia de que o seguro de vida serve exclusivamente para garantir recursos aos familiares após a morte ainda é apontada como uma das barreiras à expansão do produto. Na prática, as coberturas disponíveis dependem de cada apólice e podem contemplar situações enfrentadas pelo próprio segurado.

Entre as possibilidades citadas pelo mercado estão afastamento do trabalho provocado por doença ou acidente, doenças graves, despesas médicas e hospitalares e antecipação da indenização em determinadas situações de enfermidade terminal. Também existem coberturas para morte natural, morte acidental e despesas funerárias.

Para Alessandra Monteiro, ampliar o conhecimento sobre essas possibilidades ajuda a explicar a procura crescente. “Ainda existe a ideia de que o seguro de vida só será utilizado após a morte, mas suas coberturas podem oferecer suporte ao segurado em diferentes situações ao longo da vida”, afirma.

Fonte da informação original: SEGS. Dados oficiais atualizados e complementares: Superintendência de Seguros Privados (Susep).

 

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