domingo, 23 de agosto de 2026
Eleições 2026

Apoio de Márcio Corrêa a Daniel Vilela mostra dificuldade da oposição

Governador possui apoio de mais de 93% dos prefeitos goianos, enquanto adversários tentam dialogar com dissidentes da base do emedebista

Weigler Soarespor Weigler Soares em
Apoio de Márcio Corrêa a Daniel Vilela mostra dificuldade da oposição
Governador possui apoio de mais de 93% dos prefeitos goianos, enquanto adversários tentam dialogar com dissidentes da base do emedebista. Foto: Divulgação

O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), declarou apoio ao governador e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), no último sábado (22), durante lançamento do comitê de campanha do emedebista no município. Dessa forma, Vilela fecha aliança com os chefes do Executivo municipal das dez cidades mais populosas do estado. 

O apoio anunciado por Corrêa gerou reações dentro do PL Goiás, uma vez que a legenda tem candidatura própria ao Governo do Estado. Nesse cenário, o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Pedro Pietrafesa, destaca a dificuldade da oposição no pleito deste ano.

“Para a candidatura do Wilder Morais (PL), o apoio mostra uma fragilidade que a oposição está tendo de angariar forças políticas locais e municipais para robustecer a campanha. Até o momento, políticos e prefeitos estão preferindo aderir ao governismo”, afirma.

De acordo com o cientista político, esse movimento demonstra mais uma preocupação com as eleições municipais de 2028 do que uma adesão de parte do bolsonarismo à campanha de Vilela, dado o desconhecimento de Márcio Corrêa entre esse eleitor fora de Anápolis.

“A adesão do prefeito de Anápolis é bem local, então vai ter um impacto no eleitor bolsonarista local e do não bolsonarista também. Em outras localidades do Estado, às vezes nem se sabe qual o nome do prefeito de Anápolis. Ele não tem essa representatividade no movimento bolsonarista tão forte quanto outros políticos do Estado”, explica Pietrafesa.

Punições

Após o anúncio, o PL Goiás se manifestou, por meio de nota, ao afirmar que o apoio contraria as regras internas da legenda. A publicação oficial aconteceu na noite do último sábado (22). De acordo com o partido, a Comissão Executiva Estadual do PL foi convocada para uma reunião na próxima quinta-feira (27) para apurar o caso e deliberar sobre as providências cabíveis. 

A advogada eleitoral Marina Morais explica que a punição depende do que o prevê o estatuto da sigla. “No caso do PL, o apoio a candidato adversário é expressamente previsto como infração. A Comissão Executiva competente, após assegurar o direito de defesa, é que decidirá qual das sanções previstas no Estatuto será aplicada, podendo ir de advertência até expulsão”, destaca.

A advogada ressalta que o fato de o partido ter lançado uma nota publicamente “sinaliza disposição a tomar alguma medida sancionatória, ou teriam resolvido isso mais internamente”. Além disso, vale destacar que qualquer que seja a punição, a perda de mandato não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário.

“Quanto ao mandato, no sistema majoritário não existe infidelidade como no proporcional. Inclusive há uma súmula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre isso [Súmula 67 – A perda do mandato em razão da desfiliação partidária não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário]. Isso também já foi reafirmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade”, explica Marina Morais.

Apoios

Daniel Vilela é o candidato ao Palácio do Planalto com mais apoios de prefeitos. Ao todo, mais de 93% dos prefeitos goianos estão aliados com o governador, entre eles os prefeitos de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Luziânia, Águas Lindas, Valparaíso, Trindade, Senador Canedo e Formosa. Esses dez municípios correspondem a quase 48% dos eleitores goianos aptos a votar no pleito deste ano.

Luis Cesar Bueno (PT) conta com o apoio dos três prefeitos petistas: Paulinho Imila, de Itapuranga, Aderson Gouvea, da cidade de Goiás, e Ney Novaes, de Professor Jamil. Petistas próximos a Cesar Bueno afirmam que a baixa adesão ocorre porque o partido “não utiliza dinheiro para comprar apoio e nem a máquina estatal para pressionar para adesões”.

Os apoios oficiais às candidaturas de Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) foram solicitados pela reportagem do O HOJE. Até o fechamento desta edição, não houve resposta por parte das campanhas dos candidatos. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também