Brasil e EUA retomam diálogo sobre tarifaço após ligação entre Lula e Trump
Telefonema entre os presidentes abriu caminho para uma nova rodada de negociações comerciais entre os dois países na próxima semana
O governo brasileiro avalia que a retomada do diálogo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump pode abrir caminho para uma nova negociação sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Os dois presidentes conversaram por telefone na sexta-feira (21). Segundo o Palácio do Planalto, Trump concordou com a retomada das negociações comerciais e defendeu que equipes dos dois países voltem a se reunir.
O contato foi solicitado por Lula, que buscava justamente obter o aval do presidente norte-americano para reabrir as discussões sobre o chamado “tarifaço”.
Reunião entre Brasil e EUA deve ocorrer na próxima semana
Pouco depois da conversa entre os presidentes, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, entrou em contato com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Os dois acertaram a realização de uma reunião por videoconferência na próxima semana para discutir as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.
O diálogo comercial estava paralisado desde o mês passado, quando duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) resultaram em tarifas adicionais contra o Brasil.
As taxas de 25% e 12,5% podem chegar a uma cobrança acumulada de 37,5% sobre determinados produtos afetados pelas duas medidas.
Entenda as tarifas impostas pelos EUA
A tarifa de 12,5% também atinge outras dezenas de economias e foi justificada pelo governo norte-americano com a alegação de que esses países não combatem adequadamente o trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.
Já a sobretaxa de 25% foi direcionada especificamente ao Brasil. O governo dos Estados Unidos argumenta que o país adota práticas comerciais consideradas desleais.
Entre as justificativas apresentadas pelo USTR estão críticas a questões ambientais, acordos comerciais e até ao sistema de pagamentos instantâneos Pix.
O governo brasileiro contesta as acusações e afirma que apresentou argumentos para tentar evitar a aplicação das tarifas ou reduzir as alíquotas.
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Governo brasileiro não espera mudança imediata
Apesar da retomada das conversas, integrantes do governo Lula avaliam que não devem ocorrer mudanças significativas nas tarifas no curto prazo.
A proximidade das eleições presidenciais brasileiras é apontada como um dos fatores que podem influenciar a postura do governo norte-americano nas negociações.
A expectativa dentro do governo brasileiro é de que o cenário possa mudar dependendo do resultado das eleições.
Caso Lula seja reeleito, auxiliares avaliam que haverá espaço para manter o diálogo com Trump e buscar uma nova negociação sobre as tarifas.
Lula e Trump também falaram sobre eleições
As eleições presidenciais brasileiras também foram mencionadas durante a conversa entre os dois líderes.
Segundo relatos de interlocutores do governo, Trump perguntou sobre o processo eleitoral no Brasil. Lula respondeu que a disputa ocorre normalmente, com diversos candidatos, e afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é seguro.
O tema, porém, não teria ocupado grande parte da conversa.
A maior parte do telefonema foi dedicada a três assuntos principais: as tarifas comerciais, o combate ao crime organizado e conflitos internacionais.
Relação entre os dois governos tenta diminuir tensão
A ligação ocorre em um momento de tensão entre Brasília e Washington. O governo brasileiro sustenta que a decisão norte-americana de elevar as tarifas possui também motivação política.
Do lado dos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio chegou a afirmar que a medida foi adotada diante da avaliação de que o governo brasileiro não teria negociado de boa-fé.
A retomada do contato direto entre Lula e Trump é vista pelo governo brasileiro como uma oportunidade para reduzir as tensões e manter abertas as negociações comerciais.
Agora, as equipes dos dois países devem voltar à mesa para discutir os impactos do tarifaço sobre as exportações brasileiras.
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