Lula diz que Trump admitiu erro ao tarifar produtos brasileiros
Presidente afirma que conversa com norte-americano durou 1h30 e resultou em novas negociações entre os governos sobre as tarifas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na última sexta-feira (21) que, durante uma conversa por telefone de 1h30, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu que as justificativas utilizadas para a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros estavam equivocadas.
A declaração foi feita durante um ato de campanha na Praça da Estação, em Belo Horizonte (MG), ao lado do candidato ao governo de Minas Gerais do PT, deputado federal Patrus Ananias.
Lula afirmou que questionou Trump durante a ligação sobre os argumentos utilizados para justificar a taxação de produtos brasileiros. O petista citou questões ambientais e trabalhistas como exemplos de informações que, segundo Lula, não correspondem à realidade brasileira.
“A taxação que vocês fizeram ao Brasil é uma taxação não só irreal, como ela foi feita com base na mentira. Você disse que tinha desmatamento no Brasil e no Brasil nós temos o menor desmatamento da história. E você disse que tinha trabalho escravo e nós combatemos o trabalho escravo. Então é inverdade”, declarou o petista sobre suas falas ao presidente dos EUA.
O presidente brasileiro afirmou que Trump teria concordado com os argumentos apresentados durante a conversa e determinado que representantes dos dois países retomassem as tratativas comerciais. “Ele reconheceu e hoje ele já pediu ao secretário do Comércio ligar para o nosso e já marcaram uma reunião”, garantiu.
Combate ao crime
Durante o relato sobre a conversa, Lula também afirmou que apresentou a Trump a possibilidade de uma cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
O presidente, no entanto, disse ter deixado claro que uma eventual parceria não poderá significar interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.
“Ô, Trump, se você quer combater o crime organizado, vamos combater o crime organizado”, afirmou. “Agora, nós queremos trabalhar juntos. O que nós não queremos é interferência no Brasil.”
Além disso, outro assunto discutido na ligação entre os presidentes foi a realização de um encontro internacional para tratar de conflitos e buscar soluções para crises entre países. Lula afirmou que sugeriu uma reunião entre chefes de Estado em Mar-a-Lago, propriedade de Trump na Flórida.
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