sábado, 15 de agosto de 2026
DISPUTA GLOBAL

EUA pressionam 35 países em meio à disputa tecnológica com a China

Washington prepara advertência a governos que participam de iniciativas de inteligência artificial ligadas aos dois países

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em
EUA pressionam 35 países em meio à disputa tecnológica com a China
Foto: Daniel Torok/Casa Branca

A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança mundial em inteligência artificial ganhou um novo capítulo. Washington prepara uma advertência a 35 países que participam de iniciativas internacionais de tecnologia e poderão manter relações com projetos liderados por Pequim. A medida consta em um rascunho de carta do Departamento de Estado americano, revelado pela Reuters, e prevê uma possível pressão para que os governos definam com qual bloco tecnológico pretendem se alinhar.

O documento é direcionado aos países que assinaram, em junho, a Declaração sobre Oportunidades da Inteligência Artificial. Segundo o rascunho, a participação em determinadas iniciativas promovidas pela China pode ser considerada incompatível com a integração à coalizão tecnológica liderada pelos Estados Unidos. A intenção de Washington é evitar que parceiros mantenham participação simultânea em estruturas consideradas estratégicas e com interesses conflitantes.

No centro da estratégia americana está a Pax Silica, iniciativa voltada ao fortalecimento das cadeias de produção necessárias para o avanço da inteligência artificial. O projeto envolve semicondutores, minerais críticos, energia, manufatura avançada, infraestrutura de computação e outros setores considerados essenciais. A proposta americana busca aproximar países aliados e parceiros, coordenar investimentos e reduzir a dependência de fornecedores considerados estratégicos para Pequim.

Enquanto os Estados Unidos ampliam essa rede de cooperação, a China também trabalha para fortalecer sua influência na área. Em julho, Pequim formalizou a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, com a adesão de 29 países. Entre os integrantes estão Brasil, Rússia, Belarus, Sérvia, Cuba e Venezuela. Durante encontro em Xangai, o presidente chinês, Xi Jinping, defendeu uma governança internacional da tecnologia e maior cooperação entre países.

A participação brasileira na organização apoiada pela China coloca o país no cenário da disputa tecnológica entre as duas potências. No entanto, não há indicação de que o Brasil esteja entre os 35 países que seriam alvo da carta americana. A disputa também envolve componentes essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial, como chips avançados, minerais estratégicos, energia, data centers e capacidade de processamento.

Apesar da pressão americana, a carta ainda é um rascunho, e não houve anúncio de exclusão dos 35 países da coalizão liderada por Washington. A movimentação, porém, mostra que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma questão tecnológica e passou a ocupar espaço estratégico na disputa econômica e geopolítica entre Estados Unidos e China. Para países que mantêm relações com os dois lados, a exigência de alinhamento pode representar um novo desafio nas relações internacionais.

 

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