Prova fora de envelope leva MP-GO a remarcar concurso de R$ 34 mil
Falha na custódia de uma avaliação aplicada em abril levou à anulação de toda a segunda etapa do concurso que oferece 37 vagas para promotor de Justiça.
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) decidiu anular todas as provas subjetivas do 63º Concurso para Ingresso na Carreira de Promotor de Justiça após a constatação de uma falha na guarda de uma das avaliações aplicadas na segunda fase do certame. A reaplicação dos exames foi marcada para os dias 21, 22 e 23 de agosto de 2026.
A decisão foi tomada pela Comissão do Concurso na última sexta-feira (29), após uma semana de análises e discussões internas sobre os impactos do episódio. O concurso oferece 37 vagas para promotor de Justiça substituto, cargo que possui remuneração inicial superior a R$ 34 mil e figura entre os mais disputados da área jurídica em Goiás.

Falha foi descoberta um mês após a aplicação
As provas subjetivas foram realizadas entre os dias 24 e 26 de abril, divididas em três grupos de disciplinas: Direito Penal, Direito Civil e Direito Constitucional com Legislação Institucional.
Segundo o MP-GO, a irregularidade foi identificada em 25 de maio durante um procedimento de conferência e organização das avaliações. Por um equívoco da coordenação de uma das salas de aplicação, a prova de um candidato foi colocada em envelope diferente daquele destinado aos cadernos de resposta.
O documento permaneceu junto a outros materiais em uma sala reservada da secretaria da comissão organizadora e só foi localizado cerca de um mês após a realização da prova, quando as avaliações corrigidas retornaram da banca responsável pelo Grupo III.
Caso levantou dúvidas sobre a segurança do certame
A descoberta da prova fora do fluxo regular de correção provocou questionamentos sobre a cadeia de custódia do material e sobre a preservação da igualdade de condições entre os candidatos.
O presidente da banca de Direito Constitucional, promotor Carlos Vinícius Alves Ribeiro, manifestou preocupação com a integridade do processo e se recusou a receber a prova encontrada posteriormente para correção. Em documento encaminhado à comissão, ele argumentou que a situação comprometia a segurança necessária para a condução de um concurso público.
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O episódio também levou à suspensão da sessão de identificação das provas subjetivas, que estava marcada para ocorrer em 27 de maio.
Comissão decidiu anular toda a segunda fase
Após analisar o caso, a comissão optou por anular integralmente a etapa discursiva do concurso, e não apenas a prova relacionada ao grupo em que ocorreu a falha.
Segundo o MP-GO, a medida foi adotada para assegurar total transparência, imparcialidade e isonomia entre os concorrentes. Com isso, todos os candidatos habilitados para a segunda fase terão de refazer as provas subjetivas nos dias 21, 22 e 23 de agosto.
A decisão também busca evitar futuros questionamentos judiciais que poderiam comprometer a validade do certame e atrasar ainda mais a nomeação dos futuros promotores.

Primeira fase continua válida
Apesar da anulação da etapa subjetiva, o concurso segue em andamento. A prova objetiva, aplicada em fevereiro sob organização da Fundação Getulio Vargas (FGV), permanece válida.
Após a reaplicação das avaliações discursivas, os candidatos aprovados ainda serão submetidos às etapas de prova oral e avaliação de títulos. A expectativa é que a comissão divulgue um novo cronograma após a realização dos exames em agosto.
A seleção é considerada uma das mais importantes da carreira jurídica estadual e atrai candidatos de diversas regiões do país.
MP-GO reforça compromisso com a lisura
Em nota oficial, o Ministério Público de Goiás informou que a reaplicação das provas foi definida para preservar a lisura do concurso e garantir tratamento isonômico a todos os participantes.
A instituição destacou que o incidente foi identificado durante procedimentos internos de conferência e reafirmou seu compromisso com a transparência, a impessoalidade, a equidade e a legalidade que regem os concursos públicos.
Segundo o órgão, a anulação de toda a fase subjetiva foi considerada a alternativa mais adequada para preservar a credibilidade do processo seletivo e assegurar confiança aos candidatos e à sociedade.