terça-feira, 23 de junho de 2026
GASTRONOMIA E SAÚDE

Feijão faz mal para a digestão? Nutricionista explica como o preparo muda tudo

Técnicas simples como molho prolongado e uso de especiarias reduzem os compostos que causam gases e desconforto intestinal

Luana Avelarpor Luana Avelar em 1 de junho de 2026
Feijão
Foto: Magnific

O feijão é um dos alimentos mais consumidos no Brasil, mas também um dos que mais geram dúvidas sobre digestão. Muitas pessoas relatam desconforto após o consumo e chegam a retirar o grão da alimentação. Para a nutricionista Aline Maldonado, porém, o problema quase nunca está no alimento em si, mas na forma de preparo.

“O feijão contém carboidratos complexos, como a rafinose. Eles não são digeridos no intestino delgado e chegam intactos ao intestino grosso, onde são fermentados pela microbiota, produzindo gases. Isso é fisiológico, mas pode gerar desconforto em pessoas sensíveis”, explica.

Leia mais: Manteiga ou margarina? O que os nutricionistas descobriram pode mudar seu café da manhã

Estudos científicos indicam que técnicas culinárias adequadas reduzem significativamente esses compostos fermentáveis, tornando o consumo mais tolerável sem necessidade de excluir o feijão da dieta.

Por que não vale abrir mão do feijão

Fonte de proteínas vegetais, fibras, ferro, vitaminas do complexo B e minerais, o feijão está diretamente associado à qualidade da dieta. Retirá-lo totalmente pode levar à redução do consumo de nutrientes fundamentais para o organismo.

“Antes de retirar alimentos nutritivos da dieta, é fundamental avaliar o preparo, a quantidade consumida e a individualidade de cada pessoa. O feijão deve continuar presente na alimentação da maioria das pessoas”, afirma a especialista.

O que muda no preparo 

A nutricionista recomenda deixar o feijão de molho por cerca de 24 horas, preferencialmente sob refrigeração, trocando a água ao longo do período. Antes do cozimento, descartar a água do molho e enxaguar bem os grãos. Uma fervura inicial rápida em água limpa, seguida do descarte dessa água, também ajuda a reduzir os compostos associados ao desconforto.

No preparo final, especiarias como cominho, louro, gengibre e erva-doce contribuem para a digestibilidade e têm respaldo científico. “É interessante notar que muitas práticas culinárias tradicionais têm respaldo científico. O uso de especiarias digestivas e o preparo cuidadoso das leguminosas são exemplos disso”, complementa Aline Maldonado.

Segundo a especialista, muitas pessoas que acreditam não tolerar o feijão conseguem reintroduzi-lo gradualmente após esses ajustes. “Falamos de um dos pilares da dieta brasileira. Pequenas mudanças na cozinha podem fazer grande diferença na digestibilidade e na absorção de nutrientes”, afirma.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também