quinta-feira, 25 de junho de 2026
ARQUITETURA

Casa de vó e inovação: arquitetas mostram como equilibrar nostalgia e modernidade

Living de 42 m² apresentado na Casa Cor 2026 mistura piano, toca-disco e piso estilo taco com automação e painéis curvos

Luana Avelarpor Luana Avelar em 3 de junho de 2026
Casa
Espaço integrado do living Permane(ser) mostra poltrona para leitura ao lado do piano

O piso de taco, os quadros com moldura ampla, o toca-disco e a máquina de escrever. Quem cresceu nas décadas de 1960 e 1970 reconhece esses elementos com afeto. A questão que muita gente se faz é se é possível trazê-los de volta sem deixar o ambiente com cara de casa velha. A resposta das arquitetas Ana Maria Miller, Elisa Torres e Tainá Torres, da Mahanaim Arquitetura, é sim.

O living “Permane(ser)”, apresentado na Casa Cor 2026, prova que aliar memória afetiva à tecnologia funciona mesmo em apartamentos compactos. O ambiente de 42 m² foi desenvolvido com o objetivo de criar um espaço extremamente aconchegante, que equilibrasse o estar coletivo com o individual.

“Criamos a poltrona de leitura, o local do piano e uma sala de estar, dentro da ideia de que seja possível de se compartilhar momentos na ocupação destes espaços ou de se ficar só”, enfatizou Ana Maria Miller.

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A ideia central era que qualquer pessoa que visitasse o espaço tivesse vontade de permanecer. “Um lugar que oferece uma nostalgia gostosa, com elementos que remetem aos anos 60, equilibrando com o mobiliário que é extremamente contemporâneo”, destacou Miller.

O que fez a diferença e pode ser reproduzido em casa

Use itens de família na decoração

Parte do mobiliário do living veio das próprias casas das arquitetas. O piano pertence à mãe de Tainá Torres. A máquina de escrever e o toca-disco são da própria casa dela. Alguns quadros foram pintados por Elisa Torres, com referências à arquitetura Art Déco de Goiânia. Objetos com história pessoal carregam uma camada afetiva que nenhuma loja consegue reproduzir.

Atualize a estética sem abandonar a referência

As arquitetas apostaram em elementos que remetem aos anos 1960, com pontos de Art Déco, mas equilibraram com tecnologia e automação. As janelas e painéis curvos são um exemplo: o formato traz fluidez, leveza e um toque de contemporaneidade sem romper com a atmosfera nostálgica do ambiente.

Substitua materiais antigos por versões mais modernas

Um dos pontos mais comentados do projeto foi o piso. A ideia era recriar a sensação do taco de madeira, mas com mais tecnologia e praticidade. A solução foi o piso vinílico amadeirado, assentado em formato de espinha de peixe, referência clássica dos tacos tradicionais.

“Já o vinílico é muito mais aconchegante ao toque, por exemplo, quando se anda descalço não se sente desconforto. Ele é fácil e rápido de assentar e tem tecnologia que favorece a limpeza”, destacou Tainá Torres.

O taco de madeira original, embora bonito, exige manutenção constante e não tolera umidade. A versão vinílica entrega a mesma estética com muito mais durabilidade e conforto no dia a dia, o que é especialmente vantajoso em apartamentos compactos onde cada decisão de material tem impacto direto na funcionalidade do espaço.

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