Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue do Butantan
Decisão afeta estratégia de imunização em todo o país e ocorre após a identificação de eventos adversos graves, incluindo dois óbitos que seguem sob investigação
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves registrados pelo sistema de vigilância pós-vacinação.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa. Segundo ele, a decisão tem caráter preventivo e seguirá em vigor até a conclusão das investigações conduzidas pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Butantan.
A suspensão afeta a vacinação de profissionais da atenção primária à saúde em todo o país, além das estratégias de imunização que estavam sendo realizadas nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Ibaranguá (CE) e na região do Araguaia, no Tocantins.
De acordo com Padilha, aproximadamente 500 mil doses da vacina já haviam sido aplicadas quando os casos começaram a ser identificados pelos sistemas de monitoramento.
Reações adversas não foram observadas em estudos clínicos
Segundo o ministro, algumas das reações registradas não haviam sido observadas durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina. Os testes de fases 1, 2 e 3 envolveram cerca de 11 mil participantes.
Leia mais: Veja os bairros com mais casos de dengue em 2026
“Neste meio milhão de doses, foram identificados 42 episódios de reações mais severas temporalmente associadas ao momento em que a vacina foi aplicada. Inclusive, algumas dessas reações foram absolutamente inesperadas, porque não haviam sido observadas nos estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante”, afirmou.
Dois óbitos estão entre os casos investigados
Entre os 42 episódios registrados, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos que estão sendo investigados pelas autoridades de saúde.
Apesar da gravidade das ocorrências, o Ministério da Saúde informou que ainda não há evidências suficientes para estabelecer uma relação direta entre a vacinação e os casos registrados.
“Não existem informações suficientes para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses óbitos. Também não existem, até este momento, dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses casos graves, mas isso representa um sinal de alerta para o sistema de vigilância”, explicou Padilha.
Os 42 registros equivalem a aproximadamente oito casos graves para cada 100 mil doses aplicadas. Mesmo com a baixa incidência, a pasta decidiu interromper temporariamente a vacinação por precaução.
Doses não serão descartadas

O Ministério da Saúde informou que as vacinas já distribuídas permanecerão armazenadas nas redes de frio dos estados e municípios até a conclusão das investigações.
A orientação é para que as doses sejam mantidas nas unidades de saúde e não sejam descartadas, já que a suspensão é considerada temporária.
Segundo Padilha, gestores estaduais e municipais receberão orientações por meio de uma nota técnica que detalhará os procedimentos para interromper a aplicação das vacinas.
Pessoas vacinadas continuam protegidas
O ministro reforçou que quem já recebeu a vacina continua protegido contra a dengue e não deve se preocupar com a suspensão temporária da estratégia.
Segundo o Ministério da Saúde, os estudos de eficácia indicam proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
Além disso, será realizado um acompanhamento especial das pessoas vacinadas nos últimos 21 dias para monitorar possíveis sinais de alerta e eventuais reações adversas.
Investigações serão aprofundadas
A suspensão permitirá que os órgãos responsáveis aprofundem a análise dos casos registrados. Entre os pontos que serão avaliados estão possíveis fatores de risco em comum entre os pacientes, além de questões relacionadas ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.
“A descontinuidade tem um objetivo. Primeiro, é uma ação de precaução, que deve sempre guiar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda mais quando estamos falando de vacinação. Segundo, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem as investigações”, afirmou o ministro.
A recomendação foi aprovada por consenso pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância e apresentada ao Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI), responsável por auxiliar o Programa Nacional de Imunizações na definição de estratégias de vacinação.
Brasil registra queda nos casos de dengue
Durante a coletiva, Alexandre Padilha também destacou que o Brasil alcançou, em 2025, a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, com índices superiores a 90%.
Segundo dados apresentados pelo ministro, os primeiros meses de 2026 registraram queda de 97% nos óbitos e de 92% nos casos de dengue em comparação com o mesmo período de 2024.
Apesar da redução, o Ministério da Saúde ressaltou que a dengue continua sendo um importante desafio para a saúde pública brasileira e que a vacinação seguirá sendo uma ferramenta estratégica no combate à doença após a conclusão das investigações sobre a vacina do Instituto Butantan.