1 em cada 5 estudantes usa inteligência artificial como companhia quando se sente sozinho
Pesquisa com alunos de escolas privadas revela que 52% têm dificuldade para fazer amigos e que meninas são as mais afetadas pelo isolamento social
Quase um em cada cinco estudantes brasileiros recorre à inteligência artificial como companhia quando se sente sozinho. O dado vem de uma pesquisa inédita realizada pela Arco Educação com 936 alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio de escolas privadas em todo o Brasil.
O levantamento mostra que 19% dos estudantes afirmam usar ferramentas de IA regularmente para conversar quando estão sozinhos. O uso é impulsionado por um cenário de isolamento emocional: 52% relatam ter alguma ou muita dificuldade para fazer novos amigos, e 17% afirmam sentir solidão com frequência.
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“Os dados indicam que a solidão vai além de ter ou não amigos em redes sociais. Trata-se da dificuldade em iniciar interações na vida real e também de manter esses vínculos. O sentimento de pertencimento e amizade são especialmente importantes na adolescência e não tê-las causa prejuízo na formação socioemocional, moral e cognitiva dos jovens”, avalia Francila Novaes, líder do estudo.
Acima da média internacional
Ao cruzar os dados com a escala global de solidão da UCLA, os estudantes brasileiros ficaram no limite superior da zona considerada moderada, próximos da classificação de solidão moderadamente alta. O indicador mais preocupante é a dificuldade crônica em renovar círculos de amizade: 28,7% dos alunos responderam que “sempre” enfrentam esse desafio, superando o teto das normas globais, que variam entre 20% e 25%.
Meninas são as mais afetadas
O estudo aponta disparidades acentuadas de gênero. As estudantes relatam índices maiores de dificuldade em formar amizades: 33,4% contra 20,1% dos meninos. A sensação de distância social também é mais intensa entre elas: 23,8% contra 11,8%. E são elas que mais recorrem à IA por solidão: 23,8% contra 12,3% dos meninos.
O grupo de estudantes que preferiu não declarar gênero, 4,9% da amostra, apresentou o perfil mais crítico: 50% sofrem com passividade social, 39% sentem solidão frequente e apenas 28% se sentem queridos pelas pessoas ao redor.
O ensino médio como ponto crítico
A transição entre ciclos escolares agrava o quadro. O índice de solidão frequente salta de 16% nos anos finais do Ensino Fundamental para 25,7% entre os alunos do Ensino Médio. Além disso, 32% de todos os entrevistados sentem que as pessoas raramente têm interesse pelo que dizem.
O que funciona
As escolas que adotam programas estruturados de Educação Socioemocional apresentaram resultados mais positivos em cinco das dez dimensões avaliadas, com redução de 5,3 pontos percentuais na falta de pertencimento e queda de 2,8 pontos percentuais no sentimento de solidão frequente. Escolas sem esses programas registram os maiores índices de isolamento e o uso mais elevado de IA como refúgio social.
“O estudo reforça que os aspectos emocionais não podem mais ser tratados de forma secundária ou apenas quando uma crise surge. Promover espaços onde o estudante tenha voz ativa e se sinta seguro para interagir de forma real é urgente para reverter o avanço do isolamento na era digital”, conclui Rodolpho Meschgrahw, coordenador do estudo.
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