terça-feira, 7 de julho de 2026
junho vermelho

Menos de 2% da população brasileira é doadora de sangue

Apesar de estar dentro do parâmetro recomendado pela OMS, índice preocupa especialistas diante da oscilação nos estoques dos hemocentros

Luana Avelarpor Luana Avelar em 10 de junho de 2026
sangue

No Brasil, o sangue que circula nos hemocentros depende de um grupo pequeno. Menos de 2% da população doa ao menos uma vez por ano, segundo o Ministério da Saúde. O índice está dentro da faixa recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que vai de 1% a 3% para sustentar o sistema de saúde de um país. Mas estar dentro da média não significa que os estoques estão seguros.

“A incidência de doação ainda é muito baixa no Brasil, levando a consequências para o serviço de saúde. Com o desabastecimento dos hemocentros, pode haver, por exemplo, atraso nas cirurgias eletivas. Sem reserva de sangue, pacientes com doenças como a leucemia correm o risco de ter o tratamento interrompido. Em datas comemorativas e feriados, onde aumenta o índice de acidentes, também aumenta o consumo. Então é importante conscientizarmos a população da necessidade dessa doação”, afirma a hematologista Maria Amorelli, que atende no centro clínico do Órion Complex.

Junho é o mês da conscientização sobre doação de sangue. O ponto central é o Dia Mundial do Doador, celebrado em 14 de junho, data instituída há 20 anos pela Assembleia Mundial da Saúde com dupla finalidade: reconhecer quem já doa com regularidade e estimular novos doadores.

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Goiás em crescimento

No estado, os números apontam evolução. A Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos registrou crescimento consecutivo de doadores nos primeiros meses de 2026: 21% em janeiro, 28% em fevereiro, 31% em março e 34% em abril. O avanço é atribuído às campanhas de conscientização mantidas ao longo do ano. Em junho, as ações se intensificam.

A demanda, porém, oscila. Acidentes de trânsito em feriados, cirurgias de emergência e tratamentos oncológicos de longa duração consomem estoques de maneira imprevisível. É justamente por isso que a frequência da doação importa tanto quanto o volume em datas específicas.

O que acontece com o sangue doado

Quando um hemocentro recebe doação de sangue, ele realiza a separação de componentes – Concentrado de Hemácias (CH), Concentrado de Plaquetas (CP), Plasma Fresco Congelado (PFC) e Crioprecipitado (CRIO). Cada componente, será usado em um tipo de tratamento diferente, de acordo com a necessidade do paciente. Nenhum desses componentes podem ser substituídos em um tratamento, ou seja, o sangue é insubstituível e vital para salvar a vida de milhões de pessoas. 

Quem pode e quem não pode

Para doar, basta comparecer a um hemocentro com documento de identificação. A idade mínima é 16 anos, com autorização dos pais. A máxima é 69 anos para quem já doou antes, e 60 anos para quem nunca doou. O doador precisa estar bem alimentado e ter dormido ao menos seis horas nas últimas 24 horas, além de pesar mais de 50 quilos.

A frequência varia conforme o sexo. “As mulheres podem fazer as doações até três vezes no ano, com um intervalo de 90 dias entre uma e outra. Para os homens a doação de sangue já pode ser mais frequente, incluindo em média quatro doações no ano, com um intervalo um pouco menor, de 60 dias”, explica Amorelli.

Doenças como HIV e hepatite B ou C impedem definitivamente a doação. Doenças autoimunes, incluindo as que afetam a tireoide, também são impeditivas. Quem está em tratamento oncológico, tem doença cardíaca grave, renal ou pulmonar igualmente não pode doar.

Diabéticos entram em uma categoria de avaliação mais específica. Quem tem a doença controlada apenas com medicação oral, sem uso de insulina, está apto a doar. Quem tem o quadro descontrolado, não.

“Eu acredito que, para a gente melhorar o acesso à doação, é importante que a gente conscientize a população da necessidade dessa doação. Qualquer pessoa que está saudável pode e deve vir doar”, diz a hematologista.

Vale lembrar que servidores públicos federais têm direito garantido em lei a se ausentar do trabalho por um dia ao ano para realizar a doação, sem desconto no salário, mediante apresentação de atestado emitido pelo hemocentro.

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