Celina Leão prevê divulgação do balanço do BRB em até 15 dias após aprovação de socorro bilionário
Governadora afirma que banco está na reta final das auditorias e da consolidação dos números de 2025; instituição precisa de aporte de R$ 8,8 bilhões para reforçar sua saúde financeira
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o Banco de Brasília (BRB) deverá precisar de cerca de 15 dias para concluir e divulgar suas demonstrações financeiras consolidadas referentes ao exercício de 2025. A declaração foi dada durante agenda oficial em Ceilândia, poucos dias após a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovar a autorização para que o Governo do Distrito Federal contrate um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Questionada por jornalistas sobre a publicação do balanço, a governadora respondeu de forma direta: “Isso, mais uns 15 dias”.
A previsão amplia o prazo anteriormente apresentado pelo presidente do BRB, Nelson de Souza, que havia informado ao Senado e à imprensa que a instituição trabalhava para divulgar os resultados até 30 de junho. Segundo o banco, ainda existem pendências relacionadas às auditorias e à consolidação das informações financeiras necessárias para a publicação do documento.
O balanço de 2025 deveria ter sido divulgado inicialmente até março deste ano, conforme exigências regulatórias. No entanto, o processo sofreu sucessivos adiamentos em meio às negociações para a reestruturação financeira da instituição e à conclusão de auditorias internas.
Capitalização de R$ 8,8 bilhões
A divulgação das demonstrações financeiras ocorre em um momento decisivo para o BRB. O banco necessita de um aporte estimado em R$ 8,8 bilhões para recompor seus índices de capitalização e fortalecer sua posição financeira.
Desse total, R$ 6,6 bilhões serão obtidos por meio de uma operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), autorizada recentemente pela Câmara Legislativa. Os R$ 2,2 bilhões restantes devem ser aportados pelo Governo do Distrito Federal com recursos provenientes da securitização da dívida ativa do DF.
O plano foi construído após acordo mediado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre o GDF, a União, o Banco Central e representantes do sistema financeiro. A operação prevê que o empréstimo seja garantido pelo próprio sistema bancário, sem transferência direta de recursos da União.
Segundo o presidente do BRB, parte das auditorias já foi concluída, o que permitiu dimensionar a necessidade de capitalização da instituição. Ainda assim, os números finais dependem de validações adicionais antes da publicação do balanço.
Crise envolvendo o Banco Master
A necessidade de reforço financeiro ocorre após o agravamento da crise envolvendo operações realizadas entre o BRB e o Banco Master. As investigações conduzidas por órgãos de controle e pela Polícia Federal apuram operações financeiras consideradas irregulares e suspeitas de manipulação de ativos.
O caso ganhou repercussão nacional após o Banco Central barrar negociações entre as instituições e diante das suspeitas relacionadas à qualidade de parte dos ativos adquiridos pelo BRB nos últimos anos.
Em meio ao cenário de incertezas, o mercado aguarda a divulgação das demonstrações financeiras de 2025 para avaliar a real situação patrimonial da instituição e os impactos da operação de capitalização em andamento.
Para o Governo do Distrito Federal, a conclusão do processo representa uma etapa fundamental para restabelecer a confiança de investidores, clientes e órgãos reguladores no banco público distrital.
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