Marçal diz que patrimônio de R$ 7,4 bilhões foi declarado ao TSE por engano
Empresário afirma que dados apresentados no registro de candidatura precisam ser corrigidos; Justiça Eleitoral ainda analisa sua situação
A declaração patrimonial apresentada por Pablo Marçal (PRTB) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entrou no centro da campanha presidencial de 2026 depois que o empresário afirmou haver inconsistências nos dados registrados. O documento protocolado no sábado (15) aponta patrimônio de R$ 7,4 bilhões, valor que, segundo Marçal, não corresponde à sua situação patrimonial e deverá ser corrigido por sua equipe.
O montante informado ao sistema eleitoral representa uma diferença expressiva em relação à declaração apresentada pelo empresário nas eleições municipais de 2024, quando ele informou possuir R$ 169,5 milhões em bens. Na documentação atual, a maior parte dos recursos aparece concentrada em aplicações de renda fixa e poupança, que somam cerca de R$ 6,8 bilhões. Também foram relacionados imóveis e terrenos, participações em empresas, fundos de investimento e valores mantidos em contas bancárias.
Marçal atribuiu a divergência a um possível erro durante o preenchimento das informações e disse que a equipe responsável já solicitou a correção. Ele não apresentou, até o momento, um novo valor para o patrimônio. Durante entrevista ao canal Brasil Paralelo, também defendeu que o sistema eleitoral permita a transferência automática de informações da declaração do Imposto de Renda para o registro de candidatura, como forma de reduzir falhas no preenchimento.
A situação patrimonial não é o único ponto que ainda depende de análise da Justiça Eleitoral. O registro da candidatura presidencial de Marçal foi apresentado ao TSE depois de uma decisão liminar que permitiu sua saída do União Brasil e a filiação ao PRTB com data retroativa a 4 de abril. A medida solucionou, naquele momento, a exigência de filiação partidária mínima prevista na legislação, mas não representa uma decisão definitiva sobre a possibilidade de o empresário disputar a eleição.
A elegibilidade de Marçal está relacionada a decisões da Justiça Eleitoral decorrentes da disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024. Em um dos processos, a Justiça apontou abuso de poder político e econômico em uma estratégia de produção e distribuição de vídeos curtos nas redes sociais, conhecida como “campeonato de cortes”, que envolvia incentivo e premiação a participantes. A decisão estabeleceu oito anos de inelegibilidade, e o recurso apresentado pela defesa foi rejeitado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em 5 de agosto.
Enquanto o TSE não concluir a análise do registro, Marçal permanece formalmente na disputa presidencial e pode cumprir atividades de campanha. A decisão sobre sua candidatura, porém, ainda dependerá da avaliação da Justiça Eleitoral quanto aos impedimentos apontados nos processos anteriores.
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