terça-feira, 7 de julho de 2026
Paço e Legislativo

Prestação de contas será termômetro da relação entre Mabel e Câmara de Goiânia

Embates recentes na CCJ e críticas públicas do presidente Romário Policarpo tensionam ida do prefeito ao Legislativo no fim do mês

Thiago Borgespor Thiago Borges em 15 de junho de 2026
Prestação de contas será termômetro da relação entre Mabel e Câmara de Goiânia
A prestação de contas ocorrerá em um momento de baixa na relação do prefeito com os vereadores | Foto: Millena Cristina/Câmara Municipal

A prestação de contas do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), marcada para o próximo dia 29 de junho, acontecerá em meio ao desgaste acumulado entre o Paço e a Câmara Municipal. A apresentação das finanças do primeiro quadrimestre de 2026 foi marcada pelo presidente da Comissão Mista da Casa, vereador Cabo Senna (PRD).

A prestação de contas ocorrerá em um momento de baixa na relação do prefeito com os vereadores. A relação disfuncional do Paço com a Câmara, que não é novidade na gestão Mabel, acumulou novos episódios desde a última visita institucional do chefe do Executivo municipal à Casa de Leis, que aconteceu em março. Na ocasião, Mabel compareceu à prestação de contas do terceiro quadrimestre de 2025.

De lá para cá, os impasses foram desde a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até o presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania). Em maio, Mabel entrou em rota de colisão com o presidente da CCJ, vereador Luan Alves (MDB), após cobrança por maior celeridade na tramitação dos projetos do Paço.

O imbróglio que envolveu o prefeito e o parlamentar só foi solucionado quando o primeiro vice-presidente da Câmara, Anselmo Pereira (MDB), assumiu interinamente a prefeitura em razão de uma viagem de Mabel à Europa e, a pedido do prefeito, articulou uma trégua com Luan para que as matérias do Executivo fossem destravadas e avançassem no colegiado.

GoiâniaPrev

Apesar da pacificação na CCJ, o tensionamento no âmbito da proposta de reforma do Instituto de Previdência dos Servidores de Goiânia (GoiâniaPrev) colocou Mabel e Policarpo em rota de colisão. Em entrevista à rádio CBN no início do mês, Policarpo sinalizou que o projeto não será colocado em votação e rebateu a justificativa do Paço.

Policarpo contestou a alegação da prefeitura de que a reforma no GoiâniaPrev é uma demanda do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO). O vereador criticou a “seletividade” do Executivo. Segundo Policarpo, a prefeitura atende as notificações do TCM-GO de acordo com a conveniência. Na ocasião, o parlamentar citou que o Tribunal notificou o Executivo sobre a convocação dos concursados da educação. “A prefeitura atendeu? Óbvio que não. A prefeitura escolhe, há uma seletividade na hora que é notificada para aquilo que é desejo dela.”

A reforma do GoiâniaPrev enfrenta resistência de Romário e demais vereadores, sobretudo, pela disputa eleitoral de outubro. Os parlamentares pré-candidatos a deputado estadual e federal temem o desgaste com o funcionalismo público da Capital.

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Permanência de Mabel

Outro ponto que deve marcar a prestação de contas é a expectativa dos vereadores quanto à permanência do prefeito até o encerramento da sessão. Apesar de presente em todas as prestações de contas, Mabel nunca permaneceu no plenário após a apresentação do balanço financeiro e delega aos secretários municipais a tarefa de responder aos questionamentos dos parlamentares.

Na prestação de contas do segundo quadrimestre da gestão, em outubro de 2025, após o prefeito deixar o plenário do Legislativo sem responder os vereadores, alguns parlamentares ensaiaram uma articulação para mudar a Lei Orgânica do Município e tornar obrigatória a presença do prefeito até o fim da prestação de contas.

O vereador Coronel Urzêda (PL) afirmou na tribuna que apresentaria um projeto de lei para que houvesse mudança na legislação. Apesar de ter recebido o apoio de parlamentares da oposição e independentes, a articulação não ganhou tração no Legislativo e a matéria sequer foi apresentada.

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