Prestação de contas será termômetro da relação entre Mabel e Câmara de Goiânia
Embates recentes na CCJ e críticas públicas do presidente Romário Policarpo tensionam ida do prefeito ao Legislativo no fim do mês
A prestação de contas do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), marcada para o próximo dia 29 de junho, acontecerá em meio ao desgaste acumulado entre o Paço e a Câmara Municipal. A apresentação das finanças do primeiro quadrimestre de 2026 foi marcada pelo presidente da Comissão Mista da Casa, vereador Cabo Senna (PRD).
A prestação de contas ocorrerá em um momento de baixa na relação do prefeito com os vereadores. A relação disfuncional do Paço com a Câmara, que não é novidade na gestão Mabel, acumulou novos episódios desde a última visita institucional do chefe do Executivo municipal à Casa de Leis, que aconteceu em março. Na ocasião, Mabel compareceu à prestação de contas do terceiro quadrimestre de 2025.
De lá para cá, os impasses foram desde a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até o presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania). Em maio, Mabel entrou em rota de colisão com o presidente da CCJ, vereador Luan Alves (MDB), após cobrança por maior celeridade na tramitação dos projetos do Paço.
O imbróglio que envolveu o prefeito e o parlamentar só foi solucionado quando o primeiro vice-presidente da Câmara, Anselmo Pereira (MDB), assumiu interinamente a prefeitura em razão de uma viagem de Mabel à Europa e, a pedido do prefeito, articulou uma trégua com Luan para que as matérias do Executivo fossem destravadas e avançassem no colegiado.
GoiâniaPrev
Apesar da pacificação na CCJ, o tensionamento no âmbito da proposta de reforma do Instituto de Previdência dos Servidores de Goiânia (GoiâniaPrev) colocou Mabel e Policarpo em rota de colisão. Em entrevista à rádio CBN no início do mês, Policarpo sinalizou que o projeto não será colocado em votação e rebateu a justificativa do Paço.
Policarpo contestou a alegação da prefeitura de que a reforma no GoiâniaPrev é uma demanda do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO). O vereador criticou a “seletividade” do Executivo. Segundo Policarpo, a prefeitura atende as notificações do TCM-GO de acordo com a conveniência. Na ocasião, o parlamentar citou que o Tribunal notificou o Executivo sobre a convocação dos concursados da educação. “A prefeitura atendeu? Óbvio que não. A prefeitura escolhe, há uma seletividade na hora que é notificada para aquilo que é desejo dela.”
A reforma do GoiâniaPrev enfrenta resistência de Romário e demais vereadores, sobretudo, pela disputa eleitoral de outubro. Os parlamentares pré-candidatos a deputado estadual e federal temem o desgaste com o funcionalismo público da Capital.
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Permanência de Mabel
Outro ponto que deve marcar a prestação de contas é a expectativa dos vereadores quanto à permanência do prefeito até o encerramento da sessão. Apesar de presente em todas as prestações de contas, Mabel nunca permaneceu no plenário após a apresentação do balanço financeiro e delega aos secretários municipais a tarefa de responder aos questionamentos dos parlamentares.
Na prestação de contas do segundo quadrimestre da gestão, em outubro de 2025, após o prefeito deixar o plenário do Legislativo sem responder os vereadores, alguns parlamentares ensaiaram uma articulação para mudar a Lei Orgânica do Município e tornar obrigatória a presença do prefeito até o fim da prestação de contas.
O vereador Coronel Urzêda (PL) afirmou na tribuna que apresentaria um projeto de lei para que houvesse mudança na legislação. Apesar de ter recebido o apoio de parlamentares da oposição e independentes, a articulação não ganhou tração no Legislativo e a matéria sequer foi apresentada.
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