quarta-feira, 17 de junho de 2026
CARROS PÉSSIMOS DE REVENDA

10 carros que costumam encalhar na hora da revenda

Antes de comprar um veículo usado, vale conhecer os carros que costumam ter mais dificuldade de revenda e entender os motivos

Rodrigo Souzapor Rodrigo Souza em 17 de junho de 2026
carros que costumam encalhar na revenda
Alguns modelos podem demorar vários meses para serem vendidos. (Foto: G1.globo.com)

Os carros nem sempre são avaliados apenas pelo conforto, consumo ou aparência. Na prática, muita gente também pensa em quanto vai conseguir receber quando chegar a hora de vender. E é justamente nesse momento que alguns modelos acabam trazendo uma surpresa que poucos esperavam no momento da compra.

O mercado de usados funciona com uma lógica simples: quanto maior a procura, mais fácil costuma ser a negociação. Quando a demanda cai, o tempo de anúncio aumenta e o proprietário muitas vezes precisa reduzir o preço para conseguir fechar negócio. Esse cenário aparece com frequência em alguns modelos que já tiveram espaço no mercado brasileiro.

A situação não significa que esses veículos sejam necessariamente ruins para uso diário. Em muitos casos, entregam conforto, desempenho e equipamentos interessantes. O problema aparece quando entram na equação fatores como manutenção, oferta de peças, histórico de mercado, custo de reparos e reputação entre compradores.

A seguir estão 10 carros que costumam enfrentar mais resistência na revenda, segundo análises do mercado de usados, histórico de desvalorização, liquidez observada por plataformas especializadas e comportamento dos consumidores brasileiros.

Hyundai Santa Fé

Entre os carros que costumam permanecer mais tempo nos classificados aparece o Hyundai Santa Fé. O modelo chegou ao Brasil com foco em quem buscava espaço interno, motor V6 e uma lista ampla de equipamentos.

O desafio na revenda está ligado ao perfil do comprador. Trata-se de um SUV grande, com consumo elevado quando comparado aos modelos atuais e custos de manutenção superiores aos encontrados em SUVs médios populares. Além disso, algumas peças possuem valor mais alto e nem sempre estão disponíveis com facilidade.

Outro ponto importante é que o mercado brasileiro migrou para SUVs compactos e médios nos últimos anos. Com isso, a procura por utilitários maiores caiu. Na prática, muitos vendedores acabam reduzindo o preço para atrair interessados.

Estudos sobre desvalorização realizados por plataformas como Mobiauto e KBB mostram que veículos de categorias mais caras tendem a perder valor em ritmo maior do que modelos populares.

2011 hyundai santa fe promo
(Foto: Divulgação)

Chevrolet Vectra GT

Os carros hatch médios perderam espaço ao longo dos anos, e o Chevrolet Vectra GT sentiu esse movimento. Apesar do visual que chamou atenção na época do lançamento, o modelo acabou convivendo com um mercado que passou a priorizar compactos e SUVs. Isso diminuiu o número de interessados.

Um levantamento publicado pelo portal Vrum mostrou que versões do Vectra chegaram a registrar desvalorização de 44,75% em determinado período analisado, índice que chamou atenção no mercado de usados.

Na revenda, muitos compradores também observam o consumo de combustível e os custos de manutenção. Como existem opções mais econômicas dentro da mesma faixa de preço, o Vectra GT acaba ficando fora da lista de parte dos consumidores, o que ajuda a explicar por que esses carros costumam levar mais tempo para encontrar um novo dono.

Ford Focus Sedan

Os carros sedã médios enfrentam um cenário diferente daquele visto há dez ou quinze anos. O Ford Focus Sedan é um dos exemplos mais claros dessa mudança.

O modelo conquistou muitos elogios pela dirigibilidade e pelo conforto. Porém, o encerramento das operações fabris da Ford no Brasil mudou a percepção de parte dos compradores.

Embora a marca continue oferecendo suporte e peças, muitos consumidores ainda demonstram receio quando procuram um usado da fabricante. Além disso, algumas versões equipadas com o câmbio Powershift carregam uma reputação que afastou interessados ao longo dos anos.

Quando o mercado cria esse tipo de resistência, a consequência costuma aparecer na revenda. Por isso, esses carros frequentemente permanecem mais tempo anunciados em comparação com rivais de marcas que mantiveram produção nacional.

2009 ford focus SES sedan
(Foto: Divulgação)

Hyundai Veracruz

Os carros da categoria premium costumam enfrentar dificuldades quando envelhecem, e o Hyundai Veracruz é um exemplo conhecido desse fenômeno.

O modelo oferece sete lugares, conforto extremo, acabamento de bom nível e motor V6 a gasolina. Mesmo assim, a procura no mercado de usados é limitada. O principal motivo está nos custos de manutenção e na dificuldade de encontrar algumas peças específicas.

Quem procura um SUV usado costuma comparar gastos futuros. Quando percebe que determinados componentes possuem preço elevado, acaba direcionando a busca para modelos com maior volume de vendas no país.

Outro fator é a baixa oferta de unidades no mercado desde o lançamento. Como poucas pessoas conhecem o histórico do Veracruz, muitos compradores optam por alternativas mais conhecidas, o que reduz a liquidez desses carros.

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(Foto: Divulgação)

Citroën C4 Pallas automático

Os carros sedã médios já enfrentam um mercado mais restrito do que alguns anos atrás, e o Citroën C4 Pallas automático é um dos modelos que sentem esse cenário na hora da revenda.

Quando chegou ao Brasil, o veículo chamou atenção pelo espaço interno, conforto de rodagem e bom pacote de equipamentos. Porém, muitas versões foram equipadas com o câmbio automático AL4, transmissão que acumulou reclamações de proprietários ao longo do tempo relacionadas a falhas, trancos e necessidade de manutenção especializada.

Essa reputação acabou permanecendo no mercado de usados mesmo após diversas unidades receberem reparos ou manutenção adequada. Como consequência, muitos compradores passaram a evitar esses carros durante as pesquisas de compra, reduzindo a procura pelo modelo.

Outro fator importante é a queda de interesse pelos sedãs médios usados. Grande parte dos consumidores migrou para SUVs compactos e modelos mais recentes, diminuindo ainda mais o número de interessados. Somado a isso, existe a percepção de que algumas peças e serviços especializados podem gerar custos superiores aos encontrados em concorrentes nacionais.

Levantamentos de mercado publicados por plataformas como KBB Brasil, Mobiauto e Tabela FIPE mostram que veículos com histórico de baixa liquidez costumam exigir descontos maiores para concluir a venda.

No caso do C4 Pallas automático, essa característica aparece com frequência nos classificados. Por isso, esses carros figuram entre os modelos que costumam permanecer mais tempo anunciados antes de encontrar um comprador.

Chevrolet Sonic

Os carros que permanecem pouco tempo no mercado costumam enfrentar dificuldades anos depois, e o Chevrolet Sonic se encaixa nessa situação. O modelo foi vendido no Brasil por um período relativamente curto. Isso fez com que a frota circulante se tornasse menor quando comparada a concorrentes diretos.

Quando um veículo possui baixa presença nas ruas, muitos compradores ficam receosos quanto à oferta de peças e ao valor de futuras manutenções. Esse comportamento impacta diretamente a procura.

Além disso, o Sonic nunca alcançou volumes expressivos de vendas no país. A combinação desses fatores ajuda a explicar por que esses carros aparecem com frequência entre os usados que levam mais tempo para mudar de proprietário.

Renault Kangoo

Os carros com proposta voltada ao trabalho possuem um público mais específico, e o Renault Kangoo demonstra bem essa característica. O modelo foi bastante utilizado por empresas, prestadores de serviço e pequenos negócios. Isso significa que a maior parte dos compradores procura o veículo por necessidade profissional.

Quando um carro depende de um grupo reduzido de interessados, a liquidez tende a cair. O número de pessoas procurando um utilitário compacto é menor do que o de consumidores interessados em hatchbacks ou SUVs.

Além disso, muitas unidades disponíveis no mercado apresentam histórico de uso intenso. Esse detalhe costuma influenciar o valor pedido e o tempo necessário para concluir a venda desses carros.

Fiat Siena 1.0 com câmbio de 6 marchas

Os carros equipados com soluções que não conquistaram o mercado costumam sofrer na revenda, e o Fiat Siena 1.0 com câmbio de seis marchas é um exemplo.

Na época do lançamento, a proposta era melhorar o consumo em estrada. Porém, muitos consumidores consideravam o conjunto pouco adequado ao motor 1.0.

O resultado foi uma procura limitada tanto no mercado de novos quanto no de usados. Como existem versões mais conhecidas e com maior aceitação entre compradores, essa configuração específica costuma despertar menos interesse.

Quando a demanda é menor, o proprietário encontra mais dificuldade para negociar esses carros dentro do valor esperado.

Fiat Siena 2000 3
(Foto: car.blog.br)

Fiat Linea com câmbio automatizado

Os carros equipados com câmbio automatizado enfrentaram resistência de boa parte do público brasileiro, e o Fiat Linea Dualogic é um dos exemplos mais conhecidos.

O sedã oferece espaço interno, porta-malas generoso e bom nível de equipamentos. Ainda assim, o sistema Dualogic passou a receber críticas de consumidores ao longo dos anos.

Esse comportamento do mercado acabou refletindo diretamente na revenda. Muitos compradores passaram a procurar versões manuais ou modelos de outras marcas.

Estudos da KBB sobre desvalorização mostram que transmissões automatizadas de primeira geração costumam registrar perdas maiores de valor em comparação com versões manuais equivalentes. Por esse motivo, esses carros aparecem com frequência entre os modelos que exigem mais tempo para encontrar compradores.

Ford Fusion antigo

Os carros Ford Fusion de gerações antigas ainda chamam atenção pelo conforto, acabamento e lista de equipamentos. O problema aparece quando o comprador começa a calcular despesas futuras. O Fusion pertence ao segmento de sedãs grandes, categoria que perdeu espaço para os SUVs nos últimos anos.

Peças mais caras, manutenção especializada e consumo superior ao de modelos compactos acabam reduzindo o número de interessados. Além disso, muitos consumidores que possuem orçamento para comprar um Fusion usado preferem migrar para SUVs na mesma faixa de preço.

Isso cria um cenário de menor demanda e maior tempo de anúncio. Entre os carros citados nesta lista, o Fusion antigo segue sendo um dos casos mais conhecidos quando o assunto é dificuldade de revenda.

fusion carro
(Foto: Divulgação)

Todo cuidado é pouco antes de comprar esses carros

A dificuldade de revenda não significa que um veículo seja inadequado. Em muitos casos, os modelos citados oferecem conforto, desempenho e equipamentos que agradam seus proprietários. O que pesa é a forma como o mercado enxerga cada um deles ao longo dos anos.

Custos de manutenção, disponibilidade de peças, histórico de vendas, reputação da transmissão, tamanho da frota e mudanças no gosto do consumidor ajudam a explicar por que alguns modelos ficam mais tempo anunciados.

Antes de fechar negócio, vale analisar não apenas o preço de compra, mas também o comportamento do mercado de usados. Essa avaliação pode evitar surpresas futuras e ajudar na escolha de carros.

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