quarta-feira, 17 de junho de 2026
Única via para vencer PT

Caiado quer criar no eleitorado percepção de que pode vencer as eleições

Pré-candidato do PSD defende que é o único nome capaz de derrotar Lula no segundo turno, mas pesquisas ainda mostram vantagem do presidente sobre todos os adversários

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 17 de junho de 2026
Caiado
Ideia é convencer o eleitor de que uma candidatura de Flávio Bolsonaro teria dificuldades para vencer Lula. Foto: Divulgação/Secom Goiás

Bruno Goulart

O ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, tem reforçado o discurso de que é a melhor opção para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno das eleições de outubro. A estratégia, defendida por aliados e repetida pelo próprio Caiado em entrevistas recentes, aposta no chamado voto útil para atrair eleitores que não querem votar nem em Lula nem no senador Flávio Bolsonaro.

A ideia é convencer o eleitor de que uma candidatura de Flávio Bolsonaro teria dificuldades para vencer Lula, enquanto Caiado teria mais condições de reunir apoios e construir uma vitória. Durante participação em um evento promovido pela revista Veja, o ex-governador afirmou que o enfraquecimento político de Flávio Bolsonaro abriu espaço para sua candidatura.

“Flávio perdeu espaço no segundo turno para a candidatura do Lula. Se o adversário do Brasil é o Lula, precisamos ter um candidato que chegue ao segundo turno em condições de enfrentá-lo e vencer as eleições. Qual é a candidatura que mais se aproxima do Lula no segundo turno? A minha”, declarou.

No entanto, as pesquisas mais recentes não confirmam essa avaliação. Levantamento da Nexus/BTG mostra que Lula venceria Caiado em um eventual segundo turno por 48% a 39%. Em um cenário contra Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 49% das intenções de voto, contra 43% do senador. De forma geral, os institutos apontam que Lula derrotaria qualquer adversário testado até agora.

Caiado como única via

Para o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, o principal objetivo de Caiado é criar no eleitorado a percepção de que o pessedista pode vencer a disputa. “Quando Caiado afirma que tem condições de derrotar Lula, ele está tentando vender uma expectativa ao eleitor. A mensagem é: existe a possibilidade de eu vencer por meio do voto útil”, afirma.

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Segundo Zancopé, não é necessário que essa narrativa esteja totalmente apoiada nas pesquisas neste momento. O importante é convencer os eleitores de que existe uma alternativa viável fora da polarização entre Lula e o bolsonarismo. “Ele tenta atrair os eleitores indecisos e também aqueles que são contra o PT, mas que não querem votar em Flávio Bolsonaro. A estratégia é mostrar que ele seria o nome mais preparado para enfrentar Lula”, explica.

O especialista lembra ainda que campanhas eleitorais podem mudar cenários considerados consolidados. “Quem começa atrás nas pesquisas não necessariamente termina derrotado. As eleições são dinâmicas e podem mudar ao longo da campanha”, destaca.

Estratégia difícil

Já o especialista em marketing político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, diz acreditar que a estratégia enfrenta dificuldades por causa da forte polarização do cenário político nacional. “Acho difícil que essa estratégia do voto útil consiga romper a polarização. Hoje, o cenário continua muito dividido entre Lula e o campo ligado ao bolsonarismo”, avalia.

Segundo Zancopé, Caiado ainda não conseguiu crescer de forma significativa nas pesquisas, mas pode melhorar seu desempenho com a aproximação do período oficial da campanha. “Ele precisa manter seu nome em evidência. As entrevistas e declarações fazem parte desse esforço para ganhar visibilidade e se apresentar como uma alternativa ao eleitor”, afirma.

Fulquim também avalia que o desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro após os episódios envolvendo o Banco Master pode beneficiar outros candidatos da oposição. Mesmo assim, ele destaca que os levantamentos atuais ainda apontam vantagem de Lula em todos os cenários de segundo turno. “O grande desafio será saber se os candidatos de oposição conseguirão unir forças e transferir votos suficientes para tornar a disputa mais equilibrada”, diz.

Para o especialista, o início oficial da campanha pode trazer mudanças. Debates, propaganda eleitoral e maior exposição dos candidatos tendem a influenciar o comportamento do eleitorado. “Não acredito em uma quebra da polarização, mas a campanha pode abrir espaço para que outras candidaturas cresçam e tenham mais protagonismo”, pontua. (Especial para O HOJE)

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