Documentário brasileiro sobre pessoas intersexo ganha première no Raindance Film Festival em Londres
Produção da Dona Rosa Filmes, ‘Let Us Be’ (‘Me Deixa Ser’) acompanha histórias no Brasil, Índia e EUA, trazendo reflexão sobre identidade, liberdade, sexualidade e cirurgias sem consentimento
Um documentário brasileiro faz sua première mundial neste sábado (20) em um dos festivais de cinema independente mais importantes do mundo. “Let Us Be” (“Me Deixa Ser”), dirigido por Viviane D’Avilla e produzido pela Dona Rosa Filmes, foi selecionado entre cerca de quatro mil inscritos para o Raindance Film Festival, em Londres.
O longa mergulha nas histórias íntimas de pessoas intersexo no Brasil, Índia e Estados Unidos, acompanhando a trajetória de Carolina Iara, Aanandh e Hida Viloria e como cada uma transformou vivências muitas vezes dolorosas em inspiração para sua comunidade. O filme discute identidade, autonomia sobre o corpo e a violência provocada por cirurgias realizadas sem consentimento em crianças nascidas com características do sexo que fogem das definições tradicionais do masculino e feminino.
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“A escolha do filme se passar em países tão distintos foi fruto de uma reflexão no intuito de trazer a estética e os saberes de outras culturas, cores e luzes diferentes para a tela. Personagens de três países trazem uma visão ampla do tema e nas diferenças se encontram. Produzimos um filme para o mundo e temos essa expectativa na circulação da obra”, explica a produtora Mariana Marinho.
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Um debate urgente
O documentário também aborda o debate internacional sobre cirurgias realizadas em crianças intersexo, muitas vezes motivadas por padrões estéticos e sociais. Médicos e ativistas discutem como essas intervenções ainda acontecem de forma legalizada em diversos países, frequentemente sem que as crianças tenham direito de escolha sobre seus próprios corpos. A estimativa citada no longa aponta que cerca de 1,7% da população mundial possui alguma característica intersexo, número semelhante ao da população ruiva no planeta.
A coprodução internacional conta com a estadunidense Social Construct Films e teve recursos do FSA, da Agência Nacional de Cinema e do Edital da Rio Filme. O filme tem 88 minutos e foi rodado em português, inglês e tâmil.