Federação PRD/Solidariedade cobra diálogo de Mendanha na construção de projeto ao Senado
Anúncio do ex-prefeito de Aparecida gerou desconforto entre lideranças do PRD e Solidariedade nos bastidores, que alegam não ter participado da construção do projeto
A decisão do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), de se colocar como pré-candidato ao Senado Federal repercutiu internamente na Federação PRD/Solidariedade. Embora o projeto à Casa Alta seja tratado como legítimo pelos membros da federação, a falta de diálogo alegada pelos integrantes da aliança causou mal-estar.
A reportagem do O HOJE conversou com membros da federação que afirmaram que, até o momento, não houve um diálogo claro de Mendanha com os demais pré-candidatos das duas legendas sobre o projeto ao Senado. “Ele não conversou com os deputados estaduais da federação e hoje nós temos a maior bancada da Alego. Nós ficamos sabendo pela imprensa. É uma candidatura que ainda precisa ser maturada pelas duas legendas”, afirma um membro da federação.
A ausência desse diálogo prévio teria provocado certo desconforto entre as lideranças dos partidos, que esperavam participar da construção de um projeto da federação para a chapa majoritária. O desconforto, no entanto, não significa um racha na aliança entre os partidos.
“Dos oito deputados estaduais da federação, sete disputam a reeleição e um disputa uma vaga para deputado federal. A maioria não foi ouvida”, frisa um integrante da federação. “Isso não quer dizer que ninguém vai apoiar o Mendanha, mas fica um mal-estar.”
Além disso, o questionamento interno também envolve a viabilidade eleitoral da disputa, visto que o cenário para o Senado dentro do grupo governista já está congestionado.
Em meio aos cálculos eleitorais, também pesa para os pré-candidatos da federação a expectativa de receber o apoio de um projeto consolidado ao Senado, que pode render votos nas urnas em outubro. “O que falta é mais clareza no projeto do Mendanha. Ninguém quer deixar de apoiar uma candidatura viável [ao Senado] para apoiar uma candidatura que hoje não é viável.”
No último fim de semana, Mendanha viu seus concorrentes da base ganharem protagonismo no evento do grupo palaciano, o “Pra Frente, Goiás”, em Uruaçu. Na ocasião, a primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), o deputado federal Zacharias Calil (MDB) e o senador Vanderlan Cardoso (PSD) receberam um afago do ex-governador e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD).
O pessedista afirmou que desejava que a disputa pelo Senado tivesse três vagas, para que houvesse espaço para os três presentes. O ex-presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy (PP), também pré-candidato, não participou do evento, assim como Mendanha.
Federação fica na base
Apesar da concorrência interna, uma composição da federação fora da base está descartada. O entendimento é que o projeto do ex-prefeito só acontecerá com aval da federação caso esteja na órbita do grupo palaciano. A possibilidade de afastamento da base liderada pelo governador Daniel Vilela (MDB) não é uma realidade na federação.
Mendanha chegou ao PRD no fim da janela partidária, em abril, para chefiar a federação após o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto, deixar o comando da aliança para retornar ao União Brasil e presidir o ex-partido de Caiado.
Porém, o congestionamento da base na corrida pelo Senado levou a rumores de que a federação poderia buscar espaço em uma chapa majoritária ao governo do Estado que não fosse a de Daniel, hipótese hoje rechaçada na federação.
A leitura predominante dentro das legendas é de que o projeto governista permanece consolidado e que tanto o PRD quanto o Solidariedade continuarão a integrar o arco de sustentação do projeto emedebista que visa reconduzir Vilela ao Palácio das Esmeraldas. O entendimento é que a aliança PRD/Solidariedade possui posição definida em relação à sucessão estadual e a discussão sobre o Senado ocorre dentro da própria base governista.