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Pouco conhecidos, games “sérios” movimentam bilhões na educação e saúde

Mercado de serious games cresce globalmente e já integra hospitais, escolas e empresas em soluções de treinamento, inclusão e desenvolvimento de habilidades

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 19 de junho de 2026
Pouco conhecidos, games “sérios” movimentam bilhões na educação e saúde
Foto: Divulgação

O mercado de videogames deixou há muito tempo de ser apenas sinônimo de entretenimento. Um dos segmentos que mais cresce dentro dessa indústria é o dos serious games — jogos desenvolvidos com o objetivo de ensinar, treinar ou promover mudanças de comportamento. O setor vem ganhando força globalmente e deve avançar de US$ 14,06 bilhões para US$ 43,65 bilhões até 2029, impulsionado principalmente pelas áreas de saúde, educação, segurança e inclusão.

Segundo dados da consultoria Newzoo, o mercado global de games já movimentou cerca de US$ 188,8 bilhões em 2025, e a fatia dos jogos sérios aparece como uma das mais promissoras dentro desse ecossistema, ampliando a função dos games para muito além da diversão.

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Jogos deixam de ser “vilões” e passam a ferramenta de aprendizagem

Durante anos, os videogames foram associados a impactos negativos no comportamento. Esse cenário, no entanto, vem sendo questionado por pesquisas e pela própria evolução da indústria.

Para o professor do curso de Jogos Digitais da PUC-PR, Rafael Lagos, os jogos podem ter papel direto no desenvolvimento humano. “Historicamente, os jogos já foram vistos como vilões em diferentes momentos. No entanto, pesquisas mostram que eles podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento emocional e social”, explica.

Segundo ele, os games podem estimular competências como empatia, cooperação, autorregulação, tolerância à frustração e persistência — habilidades cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.

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Inclusão e acessibilidade impulsionam o setor

Outro fator que impulsiona o crescimento dos serious games é a demanda por inclusão. O setor vem desenvolvendo soluções adaptadas para pessoas com deficiência auditiva, visual e também para indivíduos neurodivergentes.

A adaptação de mecânicas, interfaces e formas de interação permite ampliar o acesso às experiências digitais. Isso inclui desde recursos de acessibilidade visual e sonora até o uso de tecnologias como realidade virtual e sensores de movimento.

Esse movimento também acompanha uma tendência global de tornar produtos digitais mais inclusivos, tanto no entretenimento quanto em áreas como educação e saúde.

Saúde, educação e empresas puxam a demanda

O crescimento dos serious games está diretamente ligado à demanda de setores estratégicos da economia. Saúde, educação, segurança pública, recursos humanos e bem-estar são hoje os principais motores desse mercado.

Empresas e instituições têm adotado jogos como ferramenta de treinamento, simulação e capacitação profissional.

“Empresas, hospitais, escolas e ONGs buscam cada vez mais profissionais capazes de criar experiências interativas com propósito”, afirma Bruno Campagnolo, coordenador do curso de Jogos Digitais da PUCPR. Segundo ele, muitos estudantes já saem da universidade com inserção direta no mercado de trabalho.

Na prática, os jogos são utilizados para treinar equipes, reduzir erros operacionais, melhorar a aprendizagem e simular situações reais de risco.

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Da sala de aula ao hospital: aplicações crescem no mundo real

Os serious games são caracterizados pela combinação de três elementos principais: multimídia, entretenimento e experiência. Eles utilizam recursos típicos dos videogames, como imagens, sons e interação, mas com foco em aprendizado ou treinamento.

Na educação, são usados para tornar o ensino mais dinâmico, com atividades gamificadas e desafios interativos. Na saúde, ajudam tanto na formação de profissionais quanto em processos de reabilitação e tratamento de pacientes.

Hospitais já utilizam jogos para auxiliar terapias motoras e cognitivas. Na indústria, eles são aplicados em treinamentos de segurança para reduzir acidentes. No turismo, são usados para recriar experiências históricas em sítios arqueológicos. Já forças de segurança utilizam simulações para preparar agentes sem riscos reais.

Um exemplo comum está na educação, quando professores utilizam dinâmicas competitivas para reforçar conteúdos em sala de aula. Na avaliação de especialistas, essa lógica torna o aprendizado mais envolvente e eficiente, aumentando o engajamento de estudantes e profissionais.

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