Pressionado após operação da PF, Jaques Wagner discute permanência na liderança do governo com Lula
Alvo da Operação Compliance Zero, senador baiano enfrenta pressão interna no PT enquanto Palácio do Planalto avalia impacto político e eleitoral da crise
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir nos próximos dias com o senador Jaques Wagner para decidir a permanência do petista na liderança do governo no Senado. A operação da Polícia Federal que atingiu o parlamentar ampliou a pressão dentro da base aliada e levou o Palácio do Planalto a reavaliar a manutenção de um de seus principais articuladores no Congresso.
Nos bastidores, integrantes do governo defendem uma resposta rápida diante do avanço das investigações. A avaliação entre aliados é de que o caso pode provocar desgaste político em um momento sensível para o governo, especialmente na relação com o Senado e na construção da estratégia eleitoral para 2026.
Apesar da pressão, Jaques Wagner resiste à possibilidade de deixar o cargo. O senador já sinalizou que não pretende pedir afastamento e aposta no apoio de Lula para permanecer na função.
Leia mais:
Um dos principais argumentos a favor da permanência do senador está no cenário eleitoral baiano. Jaques busca a reeleição e segue como um dos nomes mais competitivos do PT no estado, disputando protagonismo com o ex-ministro Rui Costa.
Aliados avaliam que uma eventual saída da liderança poderia enfraquecer não apenas sua candidatura, mas também comprometer a força do partido na Bahia, considerado um dos principais redutos petistas.
Relação próxima com Lula
Outro fator que pesa na decisão é a relação histórica entre Lula e Jaques Wagner. Ex-governador da Bahia e ex-ministro em diferentes gestões petistas, o senador integra o núcleo de maior confiança do presidente e mantém influência nas articulações políticas do governo.
Essa proximidade é vista como elemento central para definir o desfecho da crise.
A Polícia Federal investiga supostas vantagens econômicas indevidas recebidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas empresariais ligadas ao entorno do liquidado Banco Master.
Durante as buscas, agentes apreenderam cerca de 55 mil dólares, 33 mil euros e relógios em endereços relacionados ao senador em Brasília e Salvador. Entre os benefícios investigados estão o suposto pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões, uso de aeronaves particulares e repasses financeiros para empresas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar.
O desgaste de Jaques Wagner, no entanto, antecede a operação da PF. Sua articulação no Senado já vinha sendo alvo de críticas desde a derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no STF, episódio que expôs fragilidades na coordenação política do governo.
A decisão de Lula sobre a permanência do senador deve indicar não apenas o futuro de um aliado estratégico, mas também a forma como o Planalto pretende administrar crises envolvendo nomes centrais da base governista.