64º Show do Esqueleto leva ao palco mais de 90 estudantes de Medicina da UFG, transformando trote em arte
Há 20 anos patrimônio cultural tombado pela Faculdade de Medicina, o show é o espetáculo teatral em atividade contínua mais antigo do Brasil
Há 64 anos, estudantes de Medicina transformaram o trote em arte, e é por isso que nesta quinta-feira, 25/6, às 18h30, o Teatro Goiânia recebe a 64ª Edição do Show do Esqueleto. Este projeto conta com o patrocínio da Belcar e do Leve Supermercados, por meio do Fomento Cultural do Programa Goyazes do Governo de Goiás, por intermédio da Secretaria de Estado da Cultura. A produção é da Dias e Melo Assessoria Cultural, com a condução do produtor Wellington Dias.
O que começou, em 1962, como uma alternativa criativa e humanizada aos tradicionais rituais de recepção aos calouros tornou-se um dos mais longevos e importantes fenômenos culturais de Goiás. O espetáculo é realizado pelo Centro Acadêmico XXI de Abril (CAXXIA) em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM/UFG).
Com expectativa de público de cerca de 700 pessoas, a montagem reúne mais de 90 estudantes da Turma 73 do curso de Medicina da UFG em uma produção inédita que combina teatro, música, dança, humor e reflexão social.
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Dramaturgia de Rodrigo Cunha e Valéria Braga
A edição de 2026 apresenta dramaturgia inédita assinada por Rodrigo Cunha e Valéria Braga, que também respondem pela direção teatral, direção de cena e preparação de elenco. Há 12 anos à frente do espetáculo, a dupla conduz um processo criativo singular, construído coletivamente com os estudantes ao longo de quase um ano de trabalho.
Muito antes de subir ao palco, os alunos passam por uma intensa jornada de formação artística. Ao longo de meses, participam de treinamentos vocais, corporais e teatrais, além de oficinas e laboratórios criativos. O processo é colaborativo: os próprios estudantes propõem personagens, situações e esquetes, que são desenvolvidos e lapidados em conjunto com a direção até ganharem forma definitiva no espetáculo.
Mais do que intérpretes, os estudantes assumem diferentes funções na montagem. Enquanto parte do elenco atua, canta e dança, outros se dedicam à criação de cenários, figurinos, objetos de cena, adereços e demais elementos que compõem a identidade visual do espetáculo.
“Cada edição nasce do encontro entre tradição e renovação. O Show do Esqueleto carrega uma história muito forte, mas é o olhar dos estudantes que o mantém vivo. Ver mais de 90 jovens dedicando quase um ano de suas vidas para construir um espetáculo coletivo é algo emocionante. O público encontrará uma montagem cheia de humor, sensibilidade, reflexão e, principalmente, verdade. É um espetáculo feito por estudantes, mas que dialoga com toda a sociedade”, afirma Vinícius Augusto, coordenador-geral do 64º Show do Esqueleto.
Segundo Rodrigo Cunha, a renovação constante do elenco é uma das razões para a longevidade e a vitalidade do espetáculo. “Como todos os anos o elenco se renova, não é possível refazer nada que foi feito. São novos estudantes com anseios, perspectivas e desejos de contar suas próprias histórias e se enxergar no espetáculo. Isso faz com que o espetáculo esteja sempre renovado, com vigor e falando sobre a atualidade. O que se vê é trabalho muito árduo e resulta em material muito potente”, destaca.
Valéria Braga reforça que a construção do espetáculo é marcada pelo diálogo, pela criatividade e pela leveza. “É um processo denso, mas sem ser pesado porque a leveza, o bom humor e a alegria dão o tom principal do Show. São ensaios, ideias aprovadas, outras que acabam passando por uma curadoria e não entram porque são muitas propostas e que não cabem em um só espetáculo. Mas o material que vai para o palco é garantia de muita emoção, reflexão e, claro, diversão para todos que forem conferir. São temas atuais e muito necessários”, ressalta.
Uma tradição que atravessa gerações
O Show do Esqueleto nasceu em 1962, idealizado por estudantes da Faculdade de Medicina da UFG que buscavam substituir os tradicionais trotes violentos por uma forma mais humana, criativa e acolhedora de recepção aos calouros. O sucesso foi imediato. Já na primeira edição, o espetáculo lotou o antigo Centro de Educação Física da universidade e rapidamente se consolidou como uma das mais importantes manifestações culturais ligadas ao ambiente universitário brasileiro.
Ao longo das décadas, a iniciativa ampliou seu alcance e passou a incorporar elementos de crítica social, reflexão política, filosofia, cidadania e incentivo à produção artística, sem jamais abandonar sua principal característica: utilizar o humor como ferramenta de diálogo com o público.
Hoje, o Show do Esqueleto é reconhecido como o espetáculo teatral em atividade contínua mais antigo do Brasil e uma das mais relevantes contribuições da medicina goiana para a cultura local.
Durante o período da ditadura militar, mesmo após o fechamento do Centro Acadêmico em 1964, o espetáculo continuou sendo realizado e tornou-se um importante espaço de resistência cultural e crítica ao regime. Posteriormente, voltou a integrar oficialmente as atividades do Centro Acadêmico XXI de Abril.
Em 20 de dezembro de 2006, foi tombado como patrimônio cultural da Faculdade de Medicina da UFG pelo médico Heitor Rosa, reconhecimento que reforça sua importância histórica para a instituição e para Goiás.
Personagens que fazem parte da memória cultural goiana
Ao longo de mais de seis décadas, o Show do Esqueleto construiu personagens que se tornaram parte do imaginário popular goiano. Entre eles estão as irreverentes Baleiras, figuras cômicas interpretadas por estudantes de Medicina travestidos, responsáveis por arrancar gargalhadas dentro e fora dos palcos. Outro personagem emblemático é o próprio Esqueleto, responsável por conduzir a narrativa, provocar reflexões e encerrar o espetáculo.
Os temas abordados mudam a cada edição, mas a essência permanece a mesma: provocar reflexão por meio do riso, utilizando a arte como instrumento de crítica e transformação social.
Inclusão, acessibilidade e compromisso social
A edição de 2026 também amplia seu compromisso com a inclusão e a acessibilidade. O palestrante e especialista PcD Brazil Nunes ministrará um curso de boas práticas no atendimento ao público e ações acessíveis voltadas à equipe de produção e organização do evento.
Além disso, o espetáculo mantém seu caráter beneficente. Parte da arrecadação será destinada a ações sociais por meio da doação de alimentos para instituições e projetos comunitários. A iniciativa fortalece o compromisso dos estudantes com a responsabilidade social e amplia o alcance do evento para além do universo acadêmico.
Universidade, arte e cidadania
Realizado em um dos mais importantes equipamentos culturais da capital, o Teatro Goiânia, o espetáculo reafirma seu papel como ponte entre universidade e sociedade.
Com mais de seis décadas de existência, milhares de estudantes já passaram pelos bastidores e pelos palcos do Show do Esqueleto. Muitos retornam anos depois como espectadores, acompanhados por familiares e amigos, fortalecendo os laços afetivos que ajudaram a transformar o espetáculo em um patrimônio cultural vivo.
Ao reunir arte, formação humana, compromisso social e participação estudantil, o Show do Esqueleto segue demonstrando que a formação médica pode caminhar lado a lado com a criatividade, a sensibilidade e a construção de uma sociedade mais crítica e consciente.
Serviço
O quê: 64º Show do Esqueleto
Quando: 25 de junho, às 18h30
Onde: Teatro Goiânia