Tarifas dos ônibus aumentam no Entorno, mas melhorias não são sentidas
Reajuste de até 13,59% entra em vigor neste domingo (28), mas prefeitos cobram mais ônibus, qualidade e integração do sistema
Na última quinta-feira (25), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou que, a partir do próximo domingo (28), o valor das passagens de seis linhas do Entorno do Distrito Federal (DF) sofrerá aumentos que variam de 2,8% a 13,59%. Outras duas linhas terão redução: Novo Gama (Lago Azul)/Gama e Novo Gama (Pedregal)/Gama. De acordo com a ANTT, o último reajuste das tarifas da Taguatur ocorreu há quase três anos, em agosto de 2023.
As linhas que terão aumento são: Águas Lindas de Goiás/Taguatinga, de R$ 6,75 para R$ 7,65; Águas Lindas de Goiás/Ceilândia, de R$ 5,15 para R$ 5,85; Girassol (Cocalzinho de Goiás)/Brasília, de R$ 10,95 para R$ 12,15; Girassol (Cocalzinho de Goiás)/Taguatinga, de R$ 8,20 para R$ 9,15; Novo Gama/Taguatinga, de R$ 7,85 para R$ 8,75; e Novo Gama (Rodoviária)/Gama, de R$ 1,75 para R$ 1,80.
De acordo com informações enviadas ao O HOJE pela ANTT, as linhas operadas pela Taguatur que sofrerão alteração tarifária transportam, em média, 28,2 mil passageiros por dia, com base nos dados de 2025. A Agência também explicou que as novas tarifas decorrem das regras previstas no Contrato de Permissão nº 001/2015.
Impacto no bolso dos passageiros
Com esses aumentos, muitos moradores do Entorno do DF terão elevação nos gastos diários com deslocamento. Entre as principais reclamações dos usuários estão a baixa qualidade do transporte, as condições dos ônibus e a quantidade insuficiente de veículos em circulação.
O economista Luiz Carlos Ongaratto destacou que o impacto será menor para os trabalhadores com carteira assinada, já que, por lei, o empregador arca com a maior parte do vale-transporte.
“O grande problema para o trabalhador CLT do Entorno é que os custos para as empresas ficam mais caros. Por outro lado, para a grande massa de autônomos e informais da região, o impacto é integral e imediato, reduzindo diretamente o poder de compra das famílias”, afirma ao O HOJE.
Dificuldades do municípios
Os municípios do Entorno dependem do transporte interestadual, já que muitas pessoas trabalham em Brasília ou nas cidades satélites. O prefeito de Valparaíso de Goiás, Marcus Vinicius (MDB), defende que é necessário “construir um modelo de transporte mais integrado, mais eficiente e mais acessível para quem diariamente movimenta a economia e a vida entre o Entorno e o Distrito Federal”.
Vinicius afirma que a mobilidade precisa ser tratada como uma pauta regional e metropolitana. “Nós temos diariamente cerca de 1 milhão de viagens. Então, os impactos sociais serão sentidos principalmente pela comunidade mais vulnerável”, comentou.
Atualmente, segundo o prefeito de Luziânia, Diego Sorgatto (UB), o principal problema das cidades da região já não é mais a segurança ou a saúde, mas a mobilidade urbana.
“O transporte interestadual, que liga os municípios de Goiás ao Distrito Federal, é caótico. […] A grande maioria das linhas funciona à base de liminar e não passou por licitação”, pontua.
Realidade difícil
O prefeito enxerga uma realidade difícil para a população local, que enfrenta um transporte precário e sucessivos aumentos nas tarifas. Nesse sentido, Sorgatto cita o programa Tarifa Zero, da Prefeitura de Luziânia, que subsidia 100% do valor da passagem no município.
“O governo federal tem que entrar nisso, fazer novas licitações e aportar uma parcela de recursos para que, junto com o Governo de Goiás e o Governo do Distrito Federal, consiga subsidiar a tarifa paga pela população”, ressalta.
Desde 2019, o Governo de Goiás defende a criação de um consórcio interfederativo, com subsídio mantido em parceria com a União e o Governo do Distrito Federal, como forma de garantir um transporte de qualidade com tarifas acessíveis. Em fevereiro deste ano, os diálogos avançaram, com um acordo entre as partes.
Em nota, a ANTT informou que prestou apoio aos governos do Distrito Federal e de Goiás para a constituição do Consórcio Interfederativo de Mobilidade do Entorno (CIRME). Entretanto, segundo a Agência, desde setembro de 2025 não houve novos contatos sobre ações para dar continuidade ao processo de implementação do consórcio.
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