Websérie documenta projeto que transforma resíduos têxteis em renda e vínculos comunitários em Goiás
Primeiro episódio estreia neste sábado no YouTube do Sesc Goiás; produção acompanha bastidores da Rede Recostura, iniciativa que atende instituições sociais em 40 municípios do estado
Retalhos de tecidos, memórias pessoais e aprendizado coletivo conduzem a websérie sobre a Rede Recostura, projeto que transforma resíduos têxteis em possibilidade de renda, desenvolvimento pessoal e fortalecimento comunitário. O primeiro episódio será lançado neste sábado (4), no canal oficial do Sesc Goiás no YouTube.
A produção acompanha os bastidores da 6ª edição da iniciativa, encerrada em junho com um desfile no teatro do Sesc Centro. Ao longo dos episódios, a série mostra o processo de criação das peças, o cotidiano das oficinas e os relatos de participantes, instrutores, estudantes, parceiros e representantes das instituições beneficiadas.
A Rede Recostura atende entidades ligadas ao Mesa Brasil em Goiás. Cada instituição indica representantes para participar das oficinas e, depois, esses participantes compartilham o conhecimento com outras pessoas em suas comunidades. Com isso, técnicas de costura criativa, bordado, customização e reaproveitamento integral de tecidos passam a circular para além da sala de aula.
Criado em 1994, o Mesa Brasil é um programa nacional de segurança alimentar e nutricional voltado ao combate à fome e ao desperdício. Em Goiás, foi implantado em agosto de 2004 e atualmente conta com duas unidades, uma no Jardim Guanabara, em Goiânia, e outra em Luziânia. São mais de 400 instituições cadastradas em 40 municípios do estado.
Nesta edição da projeto, foram realizados cerca de 15 encontros, que somaram aproximadamente 50 horas de oficinas. Durante o processo, os participantes foram incentivados a criar peças autorais inspiradas em suas próprias histórias, vivências e memórias, sempre a partir da lógica do reaproveitamento de materiais.
Costura, renda e cuidado
Segundo a gerente do programa, Lilia Moreira, a proposta ultrapassa a qualificação profissional e alcança também a dimensão emocional dos participantes. “As alunas aprendem na oficina e replicam nas instituições e isso faz parte da missão do Sesc, pois somos uma instituição social que vê não só o alimento e a roupa que estão faltando, mas também a parte emocional, cuidamos da saúde como um todo”, aponta.
A assistente social e coordenadora da Rede Recostura, Daiane Morais Campos de Castro, afirma que o projeto abre novas possibilidades para pessoas vinculadas às instituições sociais. “Esse projeto ensina as pessoas das instituições, que vão propagar isso para todos os seus atendidos, o reaproveitamento integral do tecido. E de certa forma nós estamos ensinando as pessoas a ter uma renda.”
Daiane também destaca o impacto afetivo das oficinas. “Quando o projeto começa elas chegam de uma forma e quando termina elas saem de outra forma. E sempre perguntam quando será a próxima edição porque elas se sentem acolhidas, se sentem amadas e ali também é uma terapia”, pontua.
Parceira da iniciativa desde o início, a professora do curso de Design de Moda da Universidade Federal de Goiás (UFG) e coordenadora do projeto de extensão Rede Recostura, Isadora Medeiros, avalia que a proposta amadureceu ao unir moda, sustentabilidade e inclusão social. “A Rede Recostura representa muito para mim, muito mesmo. (…) A extensão universitária é a gente levar esses profissionais que vão atuar no mercado para atuar na comunidade e dar essa contribuição”, afirma. Para Isadora, o impacto ambiental da iniciativa está justamente na capacidade de aproximar o debate sobre sustentabilidade de ações concretas e locais.
Conhecimento que volta à comunidade
Os efeitos do projeto aparecem no cotidiano das instituições atendidas. Diretora da Casa Silvestre Linhares, Sueli Linhares diz que encontrou nas oficinas um espaço de criação, aprendizado e acolhimento. “Quem cuida também tem o direito de ser cuidado e as oficinas são um momento de lazer para mim, em que a gente vai lá e cria coisas novas. Qualquer pedacinho de pano que ganhamos, nós ressignificamos. Assim como ressignificamos nossa vida, ressignificamos isso aqui”, observa.
Na Associação dos Idosos Fonte Viva, a voluntária Sueli Francisca dos Santos afirma que o conhecimento adquirido nos encontros beneficia outras pessoas além dela. “O que eu aprendo lá eu trago para cá”, garante.
Além do trabalho com as instituições sociais, o projeto aproxima estudantes de Moda da UFG de uma experiência prática em comunidade. Participando como estagiário, Luiz Eduardo afirma que o projeto ampliou sua formação profissional e pessoal. “Estou gostando bastante da experiência do projeto porque consigo ter mais liberdade criativa aqui, coisa que não tenho tanto na faculdade”, observa.
A estudante Melissa Carvalho destaca o ambiente colaborativo construído durante as oficinas. “Daqui o que eu vou levar para minha vida é o trabalho e a cooperação com o próximo. Aqui aprendemos que cada um tem um saber e aprendemos uns com os outros.”
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Para o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac, Marcelo Baiocchi Carneiro, a Rede Recostura articula educação, cidadania, sustentabilidade e desenvolvimento humano. “Ao oferecer qualificação, estimular o empreendedorismo, incentivar a sustentabilidade e fortalecer o trabalho das instituições sociais parceiras, o projeto amplia oportunidades e mostra que pequenos gestos podem gerar grandes mudanças na vida das pessoas e das comunidades.”
O diretor do Sesc, Leopoldo Veiga Jardim, afirma que a websérie dá visibilidade às histórias construídas a partir do projeto. “O projeto cria um ambiente de acolhimento, fortalece vínculos, desperta talentos e incentiva a autonomia dos participantes. Ao compartilhar esse trabalho em uma série documental, queremos mostrar que cada peça produzida carrega uma história de superação, criatividade e esperança, inspirando outras pessoas e valorizando o impacto social que o Sesc promove diariamente.”