segunda-feira, 6 de julho de 2026
FINANÇAS

Prestação de contas aponta avanço das receitas, mas expõe desafios da gestão Mabel na saúde e nas finanças

Prefeitura comemora recuperação da capacidade de investimento, porém dados apresentados na Câmara revelam redução de repasses federais para a saúde, crescimento das operações de crédito e desafios para manter o equilíbrio fiscal

Luma Silveirapor Luma Silveira em 6 de julho de 2026
Prestação de contas aponta avanço das receitas, mas expõe desafios da gestão Mabel na saúde e nas finanças
Sandro Mabel apresenta os resultados fiscais do primeiro quadrimestre de 2026 durante audiência pública na Câmara Municipal de Goiânia | Foto: Alex Malheiros

A Prefeitura de Goiânia apresentou nesta segunda-feira (6), na Câmara Municipal, a prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026 defendendo que o município recuperou a capacidade de investimento após o ajuste das contas públicas. Os números mostram aumento da arrecadação e evolução das receitas próprias, mas também evidenciam desafios que devem acompanhar a administração do prefeito Sandro Mabel nos próximos meses, principalmente na saúde e na sustentabilidade das finanças municipais.

Segundo o relatório, a receita total do município alcançou R$ 3,75 bilhões entre janeiro e abril deste ano, crescimento nominal de 7,42% em relação ao mesmo período de 2025. Descontada a inflação, o avanço real foi de 2,9%. A arrecadação própria também registrou crescimento e chegou a quase R$ 2 bilhões no primeiro quadrimestre.  

Durante a audiência, Mabel afirmou que Goiânia deixou para trás a situação de calamidade financeira encontrada no início da gestão e entrou em uma nova fase, voltada para a execução de obras e ampliação dos investimentos públicos.

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Saúde concentra investimentos, mas também as maiores preocupações

A saúde apareceu como o principal eixo da gestão durante a apresentação e na coletiva concedida pelo prefeito após a audiência. Mabel anunciou a abertura de licitação para a construção de oito novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com investimento estimado em cerca de R$ 192 milhões, e afirmou que a área será prioridade absoluta nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, a prestação de contas mostra uma redução nos repasses da União destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). As transferências federais passaram de R$ 303,3 milhões para R$ 288,9 milhões no comparativo entre os primeiros quadrimestres de 2025 e 2026, uma queda nominal de 4,74%.  

Outro ponto sensível abordado pelo prefeito foi a situação do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Municipais (Imas). Durante a coletiva, Mabel afirmou que o instituto poderá ser fechado caso a proposta da Prefeitura para reestruturar sua gestão não receba aval dos órgãos de controle e da Câmara Municipal. Segundo ele, não existe alternativa caso o modelo defendido pela administração seja rejeitado.

A declaração coloca o futuro do plano de saúde dos servidores entre os principais desafios da gestão justamente no momento em que a Prefeitura anuncia uma ampliação dos investimentos na rede municipal de saúde.

Impostos avançam pouco acima da inflação

Apesar do crescimento das receitas municipais, a principal fonte de arrecadação da Prefeitura praticamente ficou estável quando considerada a inflação do período.

Os impostos e taxas arrecadados passaram de R$ 1,57 bilhão para R$ 1,64 bilhão, crescimento nominal de 4,61%. No entanto, descontada a inflação acumulada de 4,39%, o ganho real foi de apenas 0,21%.  

Na coletiva, Mabel afirmou que a estratégia da administração para ampliar a arrecadação não será aumentar impostos ou criar novas taxas. Segundo ele, a Prefeitura pretende intensificar a cobrança da dívida ativa, revisar imóveis com inconsistências cadastrais e concentrar esforços nos maiores devedores do município.

Crédito cresce para impulsionar investimentos

Outro dado que chama atenção na prestação de contas é o crescimento das receitas provenientes de operações de crédito.

Enquanto no primeiro quadrimestre de 2025 o município havia registrado pouco mais de R$ 1,2 milhão nessa modalidade, neste ano o valor chegou a R$ 136,2 milhões.  

Embora a apresentação não detalhe quais contratos compõem esse montante, o aumento indica uma maior utilização de financiamentos para viabilizar investimentos públicos. O movimento ocorre em paralelo ao discurso da gestão de acelerar obras e ampliar a capacidade de execução da Prefeitura.

Além das operações de crédito, outro indicador apresentou queda. As transferências da União por meio de emendas parlamentares passaram de R$ 4,35 milhões para R$ 2,95 milhões, redução superior a 32% em relação ao mesmo período do ano passado.  

Desafio será transformar equilíbrio fiscal em entregas

Ao longo da audiência, o prefeito defendeu que a recuperação das contas públicas permitiu à administração voltar a investir. Segundo Mabel, um dos principais obstáculos encontrados no início da gestão foi a ausência de projetos executivos, o que atrasou o início de diversas obras.

Com receitas em crescimento e indicadores fiscais considerados positivos pela administração, a próxima etapa da gestão será transformar esse cenário em entregas concretas. Ao mesmo tempo, temas como o futuro do Imas, a redução dos repasses federais para a saúde, o uso de operações de crédito e a necessidade de manter o equilíbrio das contas devem continuar no centro do debate sobre as finanças de Goiânia ao longo de 2026.

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