sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Tensão no Oriente Médio

Trump diz que acordo com Irã “acabou” após novos ataques

Declaração ocorre após Estados Unidos e Irã retomarem ataques e trocarem acusações de violação do entendimento firmado em junho

Thais Munizpor em
trump
Em cúpula da Otan na Turquia, Trump disse que cessar-fogo contra o Irã 'acabou' - Foto: arquivo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que considera encerrado o memorando de entendimento firmado com o Irã para tentar pôr fim à guerra. A declaração ocorreu após os dois países retomarem os ataques entre terça-feira (7) e a madrugada desta quarta.

“Para mim, acabou”, disse Trump durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia. O presidente americano também afirmou considerar uma “perda de tempo” continuar negociando com o governo iraniano.

“São mentirosos. Há algo de errado com eles. São loucos. Para mim, acabou”, declarou. Em seguida, Trump voltou a atacar o governo do Irã e afirmou que o país usaria uma arma nuclear caso tivesse acesso ao armamento.

Apesar das declarações, o presidente americano não descartou completamente a continuidade das negociações. Segundo ele, o assunto ainda será discutido com os representantes dos Estados Unidos envolvidos nas tratativas.

“Vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar. São boas pessoas, mas precisam me dar um retorno. Na minha opinião, é pura perda de tempo lidar com eles”, afirmou a jornalistas.

Irã acusa Estados Unidos de violar acordo

Horas antes da declaração de Trump, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou os Estados Unidos de descumprirem o memorando de entendimento. Em comunicado, o governo iraniano classificou as medidas adotadas por Washington como uma “violação flagrante” do acordo.

Segundo Teerã, a retomada dos ataques americanos, o restabelecimento de sanções contra o petróleo iraniano e os combates no Líbano comprometeram pontos considerados fundamentais no entendimento.

“Menos de 20 dias após a assinatura do Memorando de Entendimento de Islamabad, o anúncio da revogação da licença geral emitida em 21 de junho é mais uma demonstração da má-fé, inconsistência e falta de confiabilidade do governo dos EUA”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Irã.

O memorando foi firmado em junho e estabeleceu as bases para negociações entre os dois países. O objetivo era avançar em direção ao fim definitivo das hostilidades.

No entanto, Washington acusa Teerã de violar o entendimento ao atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Já o governo iraniano responsabiliza os Estados Unidos pela retomada dos confrontos.

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EUA e Irã retomam ataques

Ao longo de terça-feira (7), as forças americanas bombardearam mais de 80 alvos no território iraniano. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a operação ocorreu em resposta a ataques atribuídos ao Irã contra três embarcações comerciais que passavam pelo Estreito de Ormuz.

Na madrugada desta quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou uma ofensiva contra alvos militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait.

“Em uma resposta inicial a essa agressão, as forças Naval e Aeroespacial da IRGC realizaram uma operação conjunta com mísseis e drones, atingindo 85 instalações militares estratégicas dos EUA”, informou a organização em comunicado.

Durante a cúpula da Otan, Trump voltou a responsabilizar o Irã pela escalada dos ataques. O presidente americano acusou o país de agir de forma desleal ao atingir embarcações comerciais e afirmou que os Estados Unidos avaliam os próximos passos diante da retomada dos confrontos.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, também comentou a ofensiva americana. Antes do início da cúpula, ele afirmou a jornalistas que os ataques dos Estados Unidos contra o Irã foram “absolutamente necessários”.

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