quinta-feira, 9 de julho de 2026
UE X BRASIL

Mapa atribui ao setor produtivo adequações para exportar carnes a União Europeia

Mapa atribui ao setor produtivo adequações para exportar carnes a União Europeia

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 9 de julho de 2026 às 20:00
carnes
Especialistas analisam possíveis caminhos para as exportações de carnes goianas após retirada do Brasil da lista de UE (Foto: Marcello Casal Jr/ ABr)

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirmou, em documento encaminhado à Câmara dos Deputados, que cabe, em grande medida, ao setor produtivo criar mecanismos para atender às exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A manifestação ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados, decisão que passa a valer a partir de 3 de setembro. Em Goiás, a medida afeta uma cadeia que destinou 21,7 mil toneladas de carne ao mercado europeu em 2025.

A União Europeia oficializou, no início de junho de 2026, a retirada do Brasil da relação de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A decisão impede a exportação de carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel ao mercado europeu.

No documento enviado ao Congresso, o Mapa informou que “as providências necessárias para viabilizar a exportação dependem, em grande medida, do desenvolvimento e da implementação, pelo setor produtivo, de sistemas de controle privados capazes de garantir a segregação da produção em conformidade com os requisitos da União Europeia”

O ministério afirma que o tema vem sendo tratado desde 2023, quando a Secretaria de Defesa Agropecuária reuniu representantes dos setores envolvidos para alertar sobre a necessidade de criação de protocolos específicos. Conforme o Mapa, as primeiras propostas apresentadas pelo setor produtivo foram consideradas insuficientes pelas autoridades europeias.

Mesmo com a retirada da lista, o governo brasileiro continua com as negociações. Em 29 de junho, representantes do Mapa voltaram a se reunir com técnicos da Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG SANTE) e informaram que enviariam uma versão atualizada da documentação com reforço das medidas de controle.

Mercado goiano 

Em Goiás, a União Europeia representa cerca de 4% das exportações de carne. Segundo o analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag/FAEG), Marcelo Penha, o estado exportou 423,2 mil toneladas em 2025, sendo 21,7 mil toneladas destinadas ao mercado europeu.

Para Penha, o possível impacto da medida sobre o mercado interno tende a ser limitado. Segundo o especialista, o cenário de exportações e o ciclo pecuário devem reduzir a possibilidade de excesso de oferta no país.

“Acredito que seja pouco provável a queda de preço da carne no mercado interno pois estamos exportando mais e o ciclo pecuário de alta vai restringir oferta de abate de fêmeas diminuindo o total de abates comparado ao ano passado”, afirma ao O HOJE.

Mercados alternativos

Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, caso a restrição seja mantida, os frigoríficos terão de buscar novos destinos para a produção que seria enviada à União Europeia. Segundo Ongaratto, a China continua sendo o principal mercado das exportações goianas, mas o país já alcançou um limite de absorção da carne brasileira. Dados da Plataforma Aroeira apontam que Goiás exportou, em 2026, US$ 282,1 milhões em carnes para a China, com volume de 52,4 mil toneladas. 

“Além da União Europeia, recentemente atingiu-se um ponto máximo que o mercado chinês consegue absorver. Agora, com a União Europeia impondo restrições, será mais desafiador para os frigoríficos”, afirma ao O HOJE. 

Para Ongaratto, uma das alternativas será ampliar a busca por outros compradores. “Os frigoríficos deverão encontrar mercados alternativos, como os Estados Unidos […] Hoje há uma falta de carnes nos EUA, poderá ser uma janela de oportunidade para os frigoríficos aptos para exportar”, avalia.

O economista afirma que a restrição não deve provocar efeitos imediatos sobre os empregos no setor. Segundo o especialista, as indústrias costumam buscar novos mercados antes de reduzir operações. “Geralmente os frigoríficos não desativam suas plantas, direcionam o produto para outros mercados ou para o mercado doméstico”.

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