Dia da Saúde Ocular: oftalmologista alerta para riscos de exame de vista feito em óticas
Lei goiana proíbe que óticas realizem exames de vista; especialista alerta que glaucoma, catarata e doenças da retina podem ser diagnosticadas tarde quando paciente busca apenas avaliação de grau
O dia 10 de julho foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia da Saúde Ocular, com o objetivo de conscientizar a população sobre as doenças e alterações dos olhos, além da importância dos exames visuais de rotina. Cuidar da saúde dos olhos é essencial, mas é importante estar atento às consultas realizadas por profissionais não-médicos, que não estão aptos a realizar exames de vista, alerta a Secretaria Goiana de Oftalmologia.
É comum caminhar pelas ruas e observar óticas que garantem um exame de vista e um óculos em poucos minutos. Porém, é preciso estar atento ao profissional escolhido, já que a consulta não pode se limitar apenas à medir o grau. Segundo a OMS, 75% dos casos de deficiência visual poderiam ser evitados com prevenção ou tratamento. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também indica que mais de 6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual no Brasil, sendo que grande parte dessas deficiências são evitáveis.
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O presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia e oftalmologista, Leiser Franco, esclarece que “o exame oftalmológico é um ato médico e deve ser realizado por um médico oftalmologista, profissional habilitado para diagnosticar e tratar as doenças dos olhos. Exames oferecidos gratuitamente ou por valores muito baixos, quando vinculados à venda de óculos, podem limitar-se apenas à avaliação do grau, sem investigar doenças oculares potencialmente graves. Além disso, a legislação brasileira estabelece que óticas não são locais destinados à realização de consultas médicas. O paciente deve compreender que um exame oftalmológico não tem como objetivo apenas prescrever óculos, mas avaliar a saúde ocular de forma completa”.
No Estado de Goiás, a lei 16.533/09 proíbe que óticas realizem exames de vista, possuam equipamentos médicos e vendam óculos ou lentes de contato sem a receita de um médico. É proibido, inclusive, o anúncio desse tipo de serviço.
Por fim, o especialista relata ser comum receber pacientes que buscaram apenas uma avaliação de grau e tiveram doenças importantes diagnosticadas tardiamente, como glaucoma, catarata avançada, ceratocone e doenças da retina. “Também existem casos de prescrições inadequadas de óculos, tanto com graus incorretos quanto casos em que a pessoa nem precisava de correção óptica”, cita.
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