sábado, 12 de setembro de 2026
Eleições 2026

Caiado eleva tom contra Flávio Bolsonaro para tentar se viabilizar na direita

Após adotar postura mais cautelosa, o pré-candidato do PSD intensificou as críticas ao filho de Jair Bolsonaro. Para analista, a estratégia é enfraquecer o nome do bolsonarismo e abrir espaço para o crescimento eleitoral 

Thiago Borgespor em
Caiado eleva tom contra Flávio Bolsonaro para tentar se viabilizar na direita
A crescente nas críticas acontece, sobretudo, em torno da atuação de Flávio nos Estados Unidos | Foto: Telmo Ximenes/CNC

O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), mudou de rota em relação às críticas públicas ao senador e também pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pessedista tem subido o tom contra o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na tentativa de alavancar seu projeto eleitoral que visa o Palácio do Planalto. 

A crescente nas críticas acontece, sobretudo, em torno da atuação de Flávio nos Estados Unidos, em meio ao possível novo tarifaço do governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. Durante evento no Rio de Janeiro com empresários na última quinta-feira (9), Caiado criticou tanto a atuação de Flávio quanto a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

“Nós estamos num Brasil onde um candidato a presidente se preocupa em adiar [as tarifas] simplesmente pelo processo eleitoral. E outro que está no governo simplesmente a provocar o Trump porque acha que com isso ele vai resgatar a discussão da soberania”, disse o ex-governador. 

A fala veio um dia depois de Caiado dizer que a pré-candidatura de Flávio está sendo construída “como o PT deseja”. “Diante do cenário atual. Muitos não querem confessar, mas se você votar no Flávio, vai reeleger o Lula. A verdade é essa. A candidatura dele está sendo construída como a que o PT deseja”, afirmou o pré-candidato do PSD em uma entrevista coletiva após evento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Distanciamento do tom ameno

As declarações representam um distanciamento do tom ameno que Caiado adotou quando, em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio mantinha ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e que o senador buscava R$ 134 milhões que seriam destinados para a produção do filme “Dark Horse”.

Para o especialista em marketing político Marcos Marinho, a mudança de postura do ex-governador reflete a necessidade dos presidenciáveis à direita de buscarem os votos “represados” pelo bolsonarismo. 

“Quando você lança outros players dentro do mesmo espectro político, só há uma possibilidade de crescimento: se quem está represando os votos, perde essa condição. No caso do Flávio Bolsonaro, há muito tempo que venho batendo na tecla de que a única possibilidade de crescimento do Ronaldo Caiado, do Romeu Zema ou de qualquer outro player da direita é desconstruir o Flávio Bolsonaro. Não tem outra via para fazer isso. Não existe uma terceira via nessa disputa. Todos estão na mesma via, que é a via da direita”, destaca Marinho. 

Na visão do estrategista, Caiado precisa aproveitar as polêmicas em que o filho 01 do ex-presidente está inserido para capitalizar votos que estão à direita. “Há um represamento dos votos por conta do nome Bolsonaro.” Porém, Marinho alerta que, apesar de filho, o senador não possui o mesmo capital político que o pai. 

“O Flávio não é o Jair. Ele tem pontos de desconstrução que são gritantes. Cada semana é um caos novo, mas que ainda repreza os votos da direita. O Caiado tem que entrar por essa brecha, que, inclusive, está sendo muito bem utilizada pelo [pré-candidato do Missão] Renan Santos”, afirma. 

Entrada do Missão na disputa

Na visão de Marinho, o nome do recém-criado Missão, partido do pré-candidato a presidente Renan Santos, é quem melhor tem aproveitado a “brecha” para se posicionar contra Lula e Flávio. “O Renan talvez seja das figuras do momento que mais podem atuar em uma pseudoterceira via, porque ele veio desde o começo batendo no Lula e batendo no Flávio”, avalia. 

Marinho diz acreditar que, “com uma postura mais agressiva em relação ao Flávio”, Caiado tem a oportunidade de desconstruir o pré-candidato da família Bolsonaro junto ao eleitor que ainda não se decidiu. “Para mim, a única possibilidade de crescimento do Caiado é justamente trabalhar nas falhas, nos erros e nos escândalos do Flávio Bolsonaro”, conclui.

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