terça-feira, 14 de julho de 2026
Alerta no mundo

Asteroide equivalente a 22 bombas atômicas pode colidir com a Terra, aponta estudo

Embora a chance de colisão seja considerada baixa, pesquisadores alertam que um eventual impacto poderia alterar o clima global, afetar a produção de alimentos e comprometer ecossistemas

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 14 de julho de 2026 às 10:15
Asteroide equivalente a 22 bombas atômicas pode colidir com a Terra, aponta estudo
Reprodução

O asteroide Bennu voltou a chamar a atenção da comunidade científica após estudos indicarem uma pequena possibilidade de colisão com a Terra em 24 de setembro de 2182. De acordo com estimativas da NASA, a probabilidade de impacto é de aproximadamente 1 em 2.700, o que mantém o objeto sob monitoramento constante por representar um potencial risco em longo prazo.

Caso a colisão ocorra, os efeitos podem ir muito além da região atingida. Pesquisadores apontam que a enorme quantidade de poeira e aerossóis lançada na atmosfera poderia reduzir a incidência de luz solar, desencadeando um fenômeno conhecido como “inverno de impacto”. Nesse cenário, a temperatura média global poderia cair em até 4°C, alterando o equilíbrio climático do planeta.

Agricultura e ecossistemas podem ser afetados

A diminuição da luz solar teria impacto direto sobre a fotossíntese, comprometendo o desenvolvimento das plantas e reduzindo a produtividade agrícola. Como consequência, especialistas alertam para possíveis reflexos na oferta de alimentos e na segurança alimentar em diversas regiões do mundo.

Outro efeito considerado plausível seria a redução das chuvas em algumas áreas do planeta, embora a intensidade dessa mudança ainda seja objeto de estudos. A combinação entre temperaturas mais baixas e alterações no regime de precipitações poderia afetar ecossistemas e cadeias alimentares.

Além disso, o impacto teria força destrutiva estimada como equivalente à explosão de cerca de 22 bombas atômicas, liberando uma grande quantidade de material na atmosfera.

Danos à camada de ozônio

Pesquisas também indicam que um impacto dessa magnitude poderia comprometer parte da camada de ozônio. Em alguns cenários simulados, a redução chegaria a cerca de 32%, aumentando a incidência de radiação ultravioleta na superfície terrestre e ampliando os riscos para a saúde humana, além de causar prejuízos à fauna, à flora e aos ecossistemas.

Os cientistas comparam esse possível cenário aos efeitos observados após grandes erupções vulcânicas da história da Terra, quando cinzas e gases permaneceram suspensos na atmosfera por longos períodos, reduzindo temporariamente a temperatura do planeta.

Monitoramento busca evitar futuras ameaças

Apesar da baixa probabilidade de colisão, Bennu continua sendo acompanhado por agências espaciais. O monitoramento de objetos próximos à Terra tem impulsionado o desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir riscos futuros.

Um dos principais avanços foi a missão DART, da NASA, que demonstrou ser possível alterar a trajetória de um asteroide por meio de um impacto controlado. A iniciativa representa um passo importante na criação de estratégias de defesa planetária caso objetos potencialmente perigosos sejam identificados no futuro.

Embora especialistas considerem remota a possibilidade de Bennu atingir a Terra, o caso reforça a importância da observação contínua de asteroides e do investimento em tecnologias capazes de prevenir possíveis impactos nas próximas décadas.

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